Anarquia e nostalgia, um leilão punk

Tradicional casa Christies leva recordações do punk rock a leilão

New York Times |

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O urinol decorado com adesivos do CBGB já vale estar num museu, e na última segunda-feira mais detritos da era dos Ramones e The Clash abriram caminho para a alta cultura, quando a Christies abrigou o primeiro leilão destinado a recordações do punk.

As calças bondage de Vivienne Westwood, as fotografias de Lou Reed e Blondie, bottoms dos Buzzcocks e fliers de shows de clubes como Maxs Kansas City estiveram em leilão no horário nada punk de 10 da manhã. As estimativas chegaram a 1.500 dólares por uma camisa original de God Save the Queen, dos Sex Pistols e 7.000 dólares por um álbum de testes autografado dos Ramones de 1976.

Vendemos material punk antes ¿ uma camiseta aqui, um pôster ali, disse Simeon Lipman, o chefe do departamento de cultura pop da Christies, em uma prévia um dia antes das vendas. Desta vez quis explorar a estética punk. Amo a música, e as recordações em si são muito, muito escassas. Tem um visual tão maravilhoso. É muito visceral.

Essa é sem dúvida uma forma de descrever uma camiseta de hardcore usada. O timing foi certo: O Rock and Roll Hall of Fame Annex abriu na terça no SoHo, com uma mostra sobre o The Clash e com o urinol do CBGB sob o Plexiglas. Mas com a economia ruindo, alguém realmente pagaria milhares de dólares por fliers do Black Flag? Lipman achou que sim.

Muito desse material não é direcionado a investimento em potencial, afirmou. Para pessoas que têm 30 ou 40 anos, esses eram seus heróis e anti-heróis. As pessoas têm uma resposta emocional para isso porque elas estavam lá, ou queriam ter estado lá. Ou porque elas pensam Isso ficaria ótimo na minha sala. Isso às vezes se opõe às tendências.

Histórias de guerra

A prévia de três dias no final de semana passado atraiu fãs que não se espantaram com os preços. Acho que é bem razoável, afirmou Derek Jones, 39, produtor que gerenciou Ari Up do Slits, e trabalhou com bandas punk como Bad Brains e Dropkick Murphys. É definitivamente uma parte marcante da cena de música underground. Um dia minhas coisas podem ser postas aqui para serem leiloadas.

Vestido com uma jaqueta preta e calças camufladas, Jones, que passa pela Derek TC NYSR profissionalmente, veio com seu amigo Bruce Alexander, que escreve crônicas sobre o cenário musical para uma publicação duplamente retrógrada, o jornal punk New York Waste. Como emissários do St. Marks Place da era pré-sushi, eles estiveram na mostra por quase duas horas, contando histórias de guerras e discutindo omissões.

H.R se contorceria se visse isso, disse Jones, referindo-se ao cantor do Bad Brains, Human Rights, cujo trabalho estava representado por uma camiseta. Muitas pessoas da cena old school do punk não estão aqui. Eles deveriam ver isso e estudar. O legado é muito importante.

Alexander, 47, reclamou que o New York Dolls não estava bem representado. Ainda assim, ele disse, aparentando alguma surpresa. O punk finalmente conseguiu ser aceito. É tão importante quando Elvis e Beatles.

Karen Sheinheit, 43, veio só para cultuar ¿ Isso é como um museu das coisas com as quais cresci, afirmou ¿ mas acabou comprando umas recordações de Patti Smith. Enquanto os funcionários mais jovens da Christies dançavam ao som apropriado da era organizado pela mulher de Lipman, Ashley Hawkins, Sheinheit tirou fotos e recordou sua época nos clubes mais sujos de Nova Iorque. As pessoas que freqüentavam o CBGB não podem comprar essas coisas na Christies, disse. E nem eu, na verdade.

Lances fracos

Somente umas duas dúzias de pessoas apareceram para as vendas na segunda, cerca de quatro delas de terno. Mesmo com o acréscimo da Internet e vendas por telefone, os lances não foram fortes, e poucos lotes venderam por mais do que o esperado; muitos venderam por menos. Uma coleção de cartões postais do Velvet Underground, fliers e um cartaz do clube canadense Retinal Circus, estimados entre 400 e 600 dólares, foram vendidos por 100. Um conjunto de três fotos de Reed foi vendido por apenas 50 dólares; o mesmo que um flier amarelo de um show de 1973 em Los Angeles denominado Punk Rock Invasion.

Entre os itens mais badalados estava um pôster autografado de Debbie Harry, a vocalista do Blondie, adornada com a letra de One Way or Another. Sua estimativa máxima era de 1.500 dólares, mas foi vendido por 7.000. Um grupo de pôsteres do Sex Pistols ¿ incluindo Anarchy in the U.K., God Save the Queen e Pretty Vacant ¿ também foi vendido por esse preço. Mas a camiseta God Save the Queen foi comprada por somente 300 dólares.

Por contraste, a venda de recordações mais tradicionais do rock naquela tarde teve mais sucesso: três fitas de Jimi Hendrix e recados manuscritos que se tornaram a base do álbum Electric Ladyland foram vendidos por 38.000 dólares. Mesmo as coisa que um caçador no eBay poderia descobrir, como uma coleção de camisetas de shows de época, muitas delas manchadas, de tipos como Fleetwood Mac e Eagles, foram para além do esperado, 2,800 dólares, em vez de 2,000.

Mas mesmo sem energia frenética, a venda punk ainda foi um bom show. Apresentando uma camiseta original de Vivienne Westwood/Malcolm McLaren com um insulto impublicável sobre a sua mãe, o apresentador do leilão, Tom Lecky, disse: Acho que é a primeira vez que digo isso aqui. Na verdade, tenho certeza que sim. Essa camiseta estava estimada entre 1.000 e 1.500 dólares, mas, apesar das risadas, vendida apenas por 250; tal qual as calças.

Guiados pela nostalgia

E a previsão de Lipman de que os compradores punk seriam mais guiados pela nostalgia do que pelo mercado se mostrou verdadeira. Michael Waldman, 49, desenvolvedor imobiliário, comprou uma foto de David Bowie e Mick Ronson (porque ele é meu guitarrista favorito), alguns poemas de Patti Smith e alguns pôsteres do Clash (2.200 dólares).

Eu me formei no Ensino Médio em 1977, e sou um grande fã do Clash, disse Waldman. Ele veio por causa de um pôster específico ¿ amarelo claro com uma estrela vermelha, anunciando a única performance americana do Clash no Bond International Casino na rua West 45th em 1981 ¿ porque ele esteve lá, comprou o artigo. Caramba, o amarelo está todo apagado, afirmou.

Alexander, o cronista punk, que planejava cobrir o leilão se acordasse a tempo, não deu as caras, mas Scott Wittman, o compositor vencedor do Tony e do Grammy e que escreveu Hairspray, estava na multidão. Ele levou vários pôsteres do Sex Pistols.

Vivi esse período, e agora posso comprá-lo, disse Wittman, que, assim como muitos dos compradores, viu o leilão não apenas como história da música, mas também como história de Nova Iorque. Olho para isso como uma visita a minha juventude, acrescentou. Encontrei John Varvatos, o designer cuja loja cara agora ocupa o antigo espaço da CBGB no Bowery, e disse, eu costumava vomitar naquele canto. Isso traz uma lágrima do meu olho.

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