Amy Winehouse faz apresentação relâmpago no Rio

Cantora britânica frustra fãs ao ficar no palco por apenas uma hora

Luiz Antonio Ryff, iG Rio de Janeiro |

Para um retorno que era aguardado com tanta ansiedade por fãs e detratores, após dois anos de afastamento dos palcos, foi uma decepção. A cantora britânica Amy Winehouse não socou ninguém, não atacou nenhum fã, não xingou ou ameaçou a plateia, para tristeza dos tabloides de fofoca ingleses, por exemplo. Mas também mostrou pouca coisa digna do seu talento com o microfone nas mãos. Errou letras, esqueceu a música enquanto arriscava passos trôpegos e parecia ausente.

Fez uma apresentação burocrática e curta. Muito curta. Nunca antes na história desse País uma atração internacional, estrela principal de um show, tocou por uma hora apenas. Ainda mais sendo contratada a peso de ouro (a mídia internacional falou em 1 milhão de libras por show no Brasil, o que daria R$ 13 milhões pelos cinco concertos programados). Aliás, uma hora é bondade. Tirando o bis final, as duas músicas cantadas por um vocalista de apoio, e parte da apresentação da banda, Amy ficou no palco por pouco mais de 45 minutos, o que desagradou boa parte do público. Foi mais curto do que o de Florianópolis, o primeiro da leva , no sábado, em que ela cantou mais músicas e ficou 10 minutos a mais em cena. Ela ainda se apresenta novamente no Rio (nesta terça), em Recife (na quinta) e em São Paulo (no sábado).

Já no primeiro show no Rio, Amy simplesmente saiu sem se despedir. Não deu nem tchau. Deixou para seus vocalistas a tarefa de levar “You’re Wondering Now”, que ela cantou em Santa Catarina. A plateia não ficou indiferente. Teve quem vaiasse, quem saísse berrando impropérios, e muito famoso que reclamou da brevidade do espetáculo. Mas esses nem tiveram que desembolsar R$ 700 pela pista VIP.

Afinal, a maioria do público passou mais tempo presa no engarrafamento monstro para chegar ao local do show do que assistindo a Amy cantar, evidenciando a incapacidade da organização e da Prefeitura em gerir o aumento do trânsito provocado pelo evento. Da zona sul carioca até a Arena, em Jacarepaguá, houve quem levasse quase três horas – o triplo do tempo do show de Amy – e perdesse a abertura a cargo de Janelle Monáe

Felipe Panfili/AgNews
Amy Winehouse em show no Rio de Janeiro
Esfregando o nariz

Com seu característico penteado de coque alto, sorriso no rosto, uma mancha roxa na coxa direita e espremida em um vestido de estampa de tigre que fazia os peitos siliconados pularem para fora, Amy subiu ao palco às 22h35, pouco mais de meia hora após o previsto.

A despeito do som mal equalizado no início, que deixava sua voz mais baixa, Amy começou bem, rebolando de forma tímida e charmosamente desajeitada ao som de canções como “Back to Black” e “Tears Dry on Their Own”. Mas, logo em seguida, uma sequência de baladas inéditas esfriou o público.

Um dos problemas é que seu show tem um lado intimista inapropriado para grandes espaços. Amy cresceu demais e não adaptou seu espetáculo ao aumento de popularidade. Nesse momento, nem seu carisma, ou as ajeitadas no decote, foram capazes de levantar a platéia.

Não ajudou muito o fato de ela sair do palco e voltar esfregando o nariz, passando o dedo na gengiva e tropeçando nas pernas. O que provocou muitos comentários do público. Desconfio que não era rinite.

Seus músicos, tal qual a banda Vitória Régia de Tim Maia, tentavam segurar o ânimo. Os vocalistas de apoio suaram a camisa por eles e por ela. Mas foi preciso “Rehab” para reavivar a torcida. Outros bons momentos foram “You Know I’m no Good” e Love is a Losing Game” (no bis). O ápice do show, contudo, foi a versão de “Valerie” (The Zutons), que pôs todo mundo para dançar. Muito pouco para tanta expectativa.

Afinal, Amy vale todo o hype? Musicalmente, não. Já que ela parece, ao menos no momento, incapaz de repetir diante da plateia a qualidade de seu trabalho em estúdio, que nem é tão original assim, apesar de sua voz e talento interpretativo. Mas, como personagem, ela tem lá o seu valor como diva carismática. Principalmente para quem gosta da linha do falem mal, mas falem de mim. Nesse quesito, infelizmente, ela tem se esforçado para garantir assunto.

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