Alemanha lembra 250 anos da morte de Händel

País terá exposições, concertos, reedições de CDs e até um novo vinho

EFE |

A Alemanha lembra hoje o 250º aniversário da morte de Georg Friedrich Händel (1685-1759), um "lobo solitário" que, se vivesse hoje, dificilmente conseguiria fugir da infinidade de homenagens que seu país natal lhe preparou para todo este ano.

Exposições, concertos, reedições de CDs e até um novo vinho com o nome do mestre do barroco consolidam ao autor de "O Messias" como estrela alemã da música clássica barroca.

Sua cidade natal, Halle, no leste da Alemanha, será o epicentro das comemorações, com ciclos de concertos sob a epígrafe "Händel - o europeu", a reabertura de sua casa natal e uma nova exposição no Museu Händel dedicada a umas das paixões do músico: a boa mesa.

A corpulência do compositor foi um de seus sinais característicos e provavelmente a causa da apoplexia que lhe deixou com meio corpo paralisado e da qual se recuperou em 1737.

Independente, renovador, solitário e em perpétuo conflito consigo mesmo. Estes são alguns dos aspectos da personalidade do compositor que refletem duas novas biografias postas à venda na Alemanha por ocasião do aniversário.

Enquanto "Georg Friedrich Händel" do musicólogo Franzpeter Messmer explora os vínculos entre a vida privada do compositor e sua criação artística, Karl-Heinz Otto localiza o músico no centro do ensaio "Tumult und Grazie" sobre a ópera, Londres, as divas, a música barroca e os "castrati" (meninos que eram castrados antes da puberdade para suas vozes não se modificarem com os hormônios).

A televisão também não escapa às homenagens e a emissora franco-alemã "Arte" dedica a Händel uma série de reportagens centradas em sua obra e sua vida, que lhe levou a viajar pela Alemanha, morar na Itália e depois, até o fim de sua vida, na Inglaterra, após o sucesso que conquistou em Londres com sua ópera "Rinaldo", em 1711.

A TV "Arte" transmitirá ao vivo, da igreja Marktkirche, o recital com o qual Halle homenageará Händel no próximo domingo, em um concerto recriando o que a abadia de Westmister, em Londres, dedicou ao compositor em 1784, quando se completaram os 25 anos de sua morte na capital inglesa.

A casa-museu de Händel em Londres, onde músico viveu mais de 40 anos e considerada a pátria de adoção do compositor, também lhe dedica por esses dias um exposição pelo aniversário de sua morte.

Em sua casa natal de Halle serão mostrados, a partir desta semana, manuscritos de Händel pertencentes ao acervo da Biblioteca Britânica de Londres, junto a pinturas, gravuras e instrumentos musicais.

Mais de 60 óperas e oratórios, entre eles peças célebres como "Almira", "Radamisto", "Julio César" e "Rodelinda" integram a extensa produção musical de Händel, que abrangeu composições vocais -tanto no canto religioso quanto no profano- e instrumentais.

O tenor mexicano Rolando Villazón também emprestou sua voz neste ano "Alcina", uma das óperas de Händel, da qual interpreta um fragmento em seu novo CD dedicado às árias mais memoráveis da história, segundo ele.

A incursão de Villazón no universo "händeliano" faz parte das numerosas reedições da obra do mestre do barroco lançadas no mercado alemão pelos 250 anos de sua morte.

Após o reconhecimento público em vida -tendo uma estátua erguida em sua homenagem em Londres e foi enterrado em um ato grandioso na abadia de Westminster- Händel recebe agora a homenagem póstuma das duas nações que o têm como filho, Inglaterra como pátria adotiva, e Alemanha, como país natal.

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