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Albert Hammond Jr. BR ¿Como Te Llama?

Katia Abreu |

Por Katia Abreu

Muito se especula sobre o fato de este já ser o segundo álbum solo de Albert Hammond Jr. desde o lançamento do último dos Strokes, First Impressions of Earth (2006). Hammond nega os rumores de que deixaria o posto de guitarrista da banda nova-iorquina. Mas, se o fizesse, não seria má idéia. Em Yours To Keep , editado em 2006, Hammond construiu suas canções com raízes no power pop, mais doces do que os de sua banda natal. Agora em ¿Como Te Llama? , ele abre ainda mais janelas e faz com que mesmo músicas um tanto strokianas, como In My Room, soem mais ensolaradas do que as composições de Julian Casablancas.

Embora a sombra dos Strokes paire por boa parte do disco, Hammond consegue adicionar elementos que imprimem (ou ao menos buscam) identidade a sua obra solo. Ele deu ares sulistas a Bargain of a Century, com linhas de guitarras bluesy. Adicionou um baixo meio Breeders pra temperar o clima novo rock dançante de Victory At Monterrey. Em G Up, pintou uma festa em clima de veraneio, para a qual ele até poderia convidar os caras do Vampire Weekend. Borrowed Time, com baixo bem grave e guitarras reggae, nos lembra um Police meio torto.

Faixa mais legal do disco, GfC traz o clima power pop da estréia, só que melhor acabado, mais sofisticado do que inocente, e com um bom refrão, no qual Hammond canta: I want my frustrations / To know that you are all right / Not what I was doin' / You played a fool. O final com solo de guitarra, climão de rock old school, funciona bem, ao contrário do ensaio de rock de arena que ele comete em The Boss Americana.

Os ares de pop ensolarado de desenho animado que aparecia no primeiro disco também ecoam por aqui. Lisa é uma disputa entre o pianinho que insiste em tons adocicados e melancólicos e a muralha de guitarras que se ergue e depois explode num refrão distorcido. Miss Myrtle tem a graciosidade da percussão caminhando sobre linhas de guitarra reggaeadas e um órgão de fundo, num fim de tarde de filme de matinê. E há Spooky Couch, uma suíte psicodélica, conduzida com a ajuda de Sean Lennon, em que a guitarra dança sobre uma cama de teclados e cordas, e se cruza com delicadas linhas de piano.

É uma boa coleção de canções, apesar da balada chatinha You wont be fooled by this e da arrastada Feed Me Jack Or: How I learned to Stop Worrying and Love Peter Sellers, que vale mais pelo bom nome, do que pelos pianos e distorções que ostenta. Certa parcimônia nos efeitos usados na voz também cairia bem à produção. Mas, como disco, ainda falta um pouco de coerência à personalidade de Hammond.

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