Aerosmith dá adeus a período conturbado

Shows no Brasil mostram que brigas e problemas de saúde foram superados pela banda

Augusto Gomes, iG São Paulo |

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O vocalista Steven Tyler
A turnê do Aerosmith pelo Brasil, encerrada neste sábado com uma performance em São Paulo, aconteceu logo após um dos momentos mais conturbados da história da banda. No ano passado, o vocalista Steven Tyler, o guitarrista Brad Whitford e o baixista Tom Hamilton tiveram problemas de saúde que provocaram cancelamento de shows. O pior veio no início deste ano: o guitarrista Joe Perry confirmou que estava procurando um novo cantor para a banda. O motivo nunca foi esclarecido. Aparentemente, Perry pretendia iniciar uma nova turnê mundial, e Tyler preferia entrar de férias. O guitarrista venceu a queda de braço: quando tudo levava a crer que o Aerosmith iria acabar (ou, pelo menos, ir em frente desfalcado), o grupo anunciou sua nova turnê. Com Tyler nos vocais.

Com tantos problemas recentes, a expectativa para os dois shows no Brasil - antes de tocar em São Paulo, o grupo havia passado por Porto Alegre - não era das melhores. Mas foi aí que o Aerosmith mostrou uma de suas características mais marcantes: o poder de recuperação. O grupo, afinal, tem um histórico de altos e baixos invejável, sem contar os inúmeros conflitos internos e problemas com drogas. E, mesmo assim, estão juntos há quase quarenta anos. Não seria dessa vez que eles iriam desistir.

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O vocalista Steven Tyler
O show foi praticamente uma retrospectiva dessa longa história. Estavam lá as canções dos primeiros discos, lançados ainda nos anos 70 (em especial músicas do disco Toys in the Attic , de 1975, como "Walk This Way", "Sweet Emotion" e a faixa título), amostras do retorno às paradas dos anos 80 ("Love in an Elevator", "What It Takes") e muitas músicas do superestrelato da década de 90 (caso das baladas "Crazy" e "Cryin'", tocadas uma seguida da outra). A quantidade de sucessos do grupo é tão grande que ele se deu ao luxo de deixar de fora um de seus maiores hits, "I Don't Wanna Miss a Thing". A faixa havia sido tocada em Porto Alegre, mas foi ignorada em São Paulo.

Tudo foi apresentado conforme se espera de uma grande banda de rock. O vocalista Steven Tyler passou a maior parte do tempo na passarela que levava ao meio da plateia. Mostrou que sua forma vocal continua ótima, com agudos perfeitos. Também abusou de suas dancinhas características, enrolou-se numa bandeira do Brasil, brincou com uma calcinha que recebeu da plateia. Joe Perry também foi o guitar hero clássico: belos solos, cara de mau, a dose certa de pose. Para completar, um dos grande baixistas do rock, Tom Hamilton (ou "Mister Sweet Emotion", nas palavras de Steven Tyler), estava no palco. Difícil uma receita dessas desandar.

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O vocalista Steven Tyler
E não desandou. Em primeiro lugar, porque é uma banda com anos e anos de estrada, que consegue fazer uma performance redonda de olhos fechados. Esse profissionalismo já era esperado. A surpresa foi o prazer com que eles tocaram. Ou Tyler e Perry são excelentes atores, ou os dois realmente esqueceram as brigas recentes. Além de sorrir o tempo todo, os dois (e o restante da banda) improvisaram bastante, extenderam as músicas, abriram espaço para todos fazerem seus solos. A impressão é que eles se divertiram tanto quanto o público.

Veja abaixo a lista de músicas do show:

"Eat the Rich"
"Back in the Saddle"
"Love in an Elevator"
"Falling in Love Is So Hard on the Knees"
"Pink"
"Dream On"
"Living on the Edge"
"Jaded"
"Kings and Queens"
"Crazy"
"Cryin'"
"Lord Of The Thighs"
"Stop Messin' Around"
"What It Takes"
"Sweet Emotion"
"Baby, Please Don't Go"
"Draw The Line"

Bis

"Walk This Way"
"Toys in the Attic"

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