Adriana Calcanhotto cancela turnê por problema na mão

Impedida de tocar violão por causa de um cisto no tendão, cantora não fará shows para promover novo disco; leia entrevista ao iG

Augusto Gomes, iG São Paulo |

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Adriana Calcanhotto
Adriana Calcanhotto acaba de lançar um novo álbum, mas não poderá fazer shows para promovê-lo. Por causa de um cisto num tendão na mão direita, ela teve que parar de tocar violão. Por isso, não fará shows para promover o álbum. "Eu preciso operar e a recuperação é lenta e delicada", explica. "Vou passar um tempo na Europa e, quando voltar, vou planejar a cirurgia com toda calma."

O álbum, que chega as lojas até o final do mês, leva o nome de "O Micróbio do Samba" e traz doze canções do gênero. "Se você me dissesse que eu ia fazer um disco de samba eu diria 'não vou porque ninguém mais precisa de um disco de samba'", afirma a artista em entrevista o iG.

Mas, mesmo assim, o álbum aconteceu. O nome, diz Adriana, veio de uma frase de Lupicínio Rodrigues (autor de clássicos da fossa como "Volta" e "Vingança") em que ele dizia que, quanto mais velho ficava, mais o micróbio do samba se apegava a ele. "É uma frase que traduz perfeitamente a minha relação com o samba", explica a cantora.

Na entrevista abaixo, Adriana Calcanhotto fala sobre o novo disco, sobre sua relação com o samba e comenta o problema na mão.

iG: Você foi contaminada pelo "micróbio do samba" neste disco?
Adriana Calcanhotto: Eu nasci contaminada pelo samba! Sempre me dei conta disso, para mim não é uma grande descoberta. Mas, quando eu encontrei um depoimento do Lupicínio Rodrigues em que ele diz que já tinha nascido com o micróbio do samba e quanto mais velho ficava mais o micróbio se apegava a ele, eu me senti muito identificada com isso. É uma frase que traduz perfeitamente a minha relação com o samba.

iG: Antes disso você nunca tinha pensando em fazer um disco de sambas?
Adriana Calcanhotto: Nunca tinha passado pela minha cabeça. O primeiro da safra deste disco foi um que a Mart'nália me pediu mas que a Marisa Monte gravou, "Vai Saber". E, na verdade, a Mart'nália não me pediu um samba. Ela disse "estou fazendo um disco, você tem alguma coisa?" Ela nunca usou essa palavra. Tanto que ela não gravou porque ela não estava fazendo um disco de samba.

iG: Você compôs um samba simplesmente porque quis.
Adriana Calcanhotto: É. Aquilo me serviu de pretexto, de motivação para fazer um samba. Depois eu fiz outro para a Marisa, "Beijo Sem", que a Teresa Cristina gravou. Mas sempre um aqui, outro lá. Nunca com pensamento de álbum. Se você me dissesse que eu ia fazer um disco de samba eu diria "não vou porque ninguém mais precisa de um disco de samba."

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Capa do disco "O Micróbio do Samba"
iG: E quando o pensamento do álbum apareceu?
Adriana Calcanhotto: Eu havia mudado a administração da minha editora e estava organizando minhas composições. Uma pasta com trilhas para balé, outra com trilhas para cinema, coisas assim. Aí pensei "vou fazer uma pasta aqui dos sambas", entendeu? Então decidi registrar esses todos eles. Ao invés de ficar com a demo de cada um, da época de cada um, decidi fazer uma gravação deles todos. Aí ficou impossível não virar um disco.

iG: A ideia só apareceu durante essa gravação.
Adriana Calcanhotto: É. Aquilo tudo me pareceu não um registro de sambas que não têm a ver um com o outro, me pareceu um álbum mesmo, de safra, em que as canções estavam conversando entre elas, internamente. Só então eu me deparei com o depoimento do Lupicínio Rodrigues. Foi quando me deu esse clique do nome, o nome traduzia toda a ideia do disco. Aí eu vi que era um disco. Mas foi uma grande surpresa.

iG: Todas as composições do disco são suas. É a primeira vez que isso acontece?
Adriana Calcanhotto: Todas menos a melodia de "Vem Ver", que é do Dadi. As minhas canções, nos meus discos, serviam como peças importantes dentro dos quebra-cabeças de roteiro, de conceito e de repertório. Nunca achei que as minhas canções todas fossem arejar o suficiente para ser um disco, eu sempre tive necessidade de ter outras, de outros autores.

iG: Mas isso, fazer um disco só de composições suas, foi algo premetitado ou não?
Adriana Calcanhotto: Também não. Quando eu vi, aconteceu. A gente pode dizer que começou com "Vai Saber" e terminou com "Deixa Gueixa", feita em Oslo no dia 2 de novembro do ano passado. E aí a etapa se encerrou. Depois disso, não compus mais, nem samba e nem nada. Para mim fica muito claro que o disco é uma safra específica.

iG: Como se fosse um registro de uma época sua.
Adriana Calcanhotto: Eu acho que é como uma fotografia. Tanto que eu gravei e daí a gente parou por causa do Natal e do Ano Novo, e eu tinha implicado um pouquinho com uma ou outra voz, um preciosismo aqui e ali. Mas aí pensei: "já passou da hora, eu já cantei e é dentro dessa foto, daquele momento. Agora já fechou e eu já estou em outra."

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Adriana Calcanhotto
iG: Mas você não vai voltar para essa canções quando fizer o show do disco?
Adriana Calcanhotto: Não vai ter show do "Micróbio do Samba". Não vai ter porque eu estou com uma lesão na mão direita que me impede de tocar violão. Esse é um disco inteiro composto e gravado no meu violão. Seria tristíssimo fazer uma turnê "de castigo". Então não vai ter.

iG: Quando você poderá voltar a tocar?
Adriana Calcanhotto: Eu preciso operar e a recuperação é lenta e delicada, uma coisa de movimento fino. Vou passar um tempo na Europa e, quando voltar, vou planejar a cirurgia com toda calma. Não sei. E ainda tem uma coisa, quando a gente abandona um instrumento ele te abandona de volta em dobro, há uma represália. Eu sei que preciso de paciência, e se eu estiver afobada porque preciso fazer um show não vai dar certo.

iG: Ouvindo você falar assim parece que você já está resignada.
Adriana Calcanhotto: Tem um lado bom disso. É um certo desafio que estou tendo, sair da zona de conforto de compor as coisas no violão. Eu vou ter que descobrir uma maneira de compor de outra forma que não é o violão. Claro que para mim é muito mais prazeroso pegar o violão e compor. Mas como está impossível eu vou descobrir um outro jeito. Sei lá, vou tocar harpa, trombone.

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