Abril Pro Rock começa com muito peso e New York Dolls

Juliana Zambelo |

Foi um desafio para os ouvidos a primeira noite do festival pernambucano Abril Pro Rock 2008. Dedicada ao hardcore e ao punk rock, a abertura do evento realizado pela primeira vez no Chevrolet Hall estendeu-se das nove da noite da sexta-feira até as três da manhã deste sábado para os poucos sobreviventes que conseguiram encararar a apresentação histórica do New York Dolls até o final.

Veja fotos da primeira noite do Abril Pro Rock.

Ícones do glam rock e principais inspiradores do punk rock, o grupo já enfrentou tantos baixos ao longo dos 35 anos de carreira que não se importou com o cansaço e o constante esvaziamento da platéia durante sua performance. Com jeito de quem está com o jogo ganho e não precisa provar mais nada, o quinteto tocou com toda a garra e a energia que a idade avançada ainda permite.

Um grupo numeroso de jovens recém-saídos da adolescência se apertava na beira do palco com surpreendente reverência à banda veterana e trazia as letras na ponta da língua, enquanto os fãs de outros tempos assistiam de longe, com dores nas pernas e expressões abobalhadas de quem mal acredita na própria sorte.

Apenas dois integrantes sobreviventes da formação original continuam na banda e é deles o palco. A simpatia fácil do guitarrista  Sylvain Sylvain e a figura singular do vocalista David Johansen (um rascunho de Mick Jagger feliz com suas imperfeições de cópia e sua barriga saliente, visivelmente o que teve a disposição mais abalada pelo tempo), atravessaram clássicos como Pills, Human Being e Trash. Personality Crisis ficou para o bis, mas saiu embolada e confusa.

Difícil não se render ao poder de rejuvenescimento desses senhores e suas canções. Ao final da apresentação, Johansen jogou meio sem jeito e sem paciência um buquê de flores para a platéia. Minutos depois, do lado de fora da casa de shows, garotos cabeludos com calças rasgadas e camisetas pretas exibiam, garbosos, as suas rosas vermelhas.

Já o Bad Brains, primeira atração internacional a se apresentar, não teve o mesmo sucesso. Alternando hardcores curtos e reggaes longos sem muita conexão entre si, o grupo que vinha sendo recomendado por todas as bandas anteriores esvaziou a pista. Sorte das bancas de camisetas, CDs e espetinhos que abrigaram o público insatisfeito com o que acontecia no palco. Foi bom, falava o vocalista a todo momento. Boa parte dos presentes discordou.

Barulho nacional

Mais cedo, o Mukeka di Rato foi a primeira banda a se apresentar no palco principal do evento (outros dois espaços menores ocupavam as laterais da pista). Levantou uma vasta roda de pogo com seu hardcore bem humorado e manteve animado o público durante toda a apresentação. Fizeram críticas ao presidente e atenderam aos pedidos da platéia, agradando até o fim.

O Vamoz! subiu ao palco secundário imediatamente após o final da performance do Bad Brains e sofreu com isso. Enquanto a maior parte do público preferiu dar uma volta pelo espaço ou descansar as pernas em um canto qualquer, a banda se entregou para um grupo pequeno de fãs e curiosos. Seu rock duro, quadrado e desinteressante, contudo, passou em branco para os demais.

Melhor impressão causou o Zumbis do Espaço. O grupo veio de São Paulo e conquistou Recife com seu punk rock com doses de psychobilly e música country e temática inspirada em terror B. O seu hit A Marca dos Três Noves Invertidos foi o ponto alto do show.

Abriram a noite as bandas pernambucanas Amp e Projetc 666 e o trio de Natal The Sinks.

O Abril Pro Rock continua hoje em Recife. Para ver a programação completa, clique aqui .

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