A lenda (muito) viva Ahmad Jamal

Aos 79 anos, pianista mostrou que continua inquieto em show no Brasil

Augusto Gomes, iG São Paulo |

Marcela Tavares
O pianista americano Ahmad Jamal,
durante show em São Paulo
O nome do pianista americano Ahmad Jamal quase sempre vem acompanhado do adjetivo lenda viva. No show que fez nesta quinta-feira em São Paulo, dentro do festival Bridgestone Music, ele mostrou porque merece o título. Que Jamal é uma lenda, todos sabem: cinco décadas de carreira, admirado por Miles Davis e John Coltrane, responsável por álbuns clássicos como But Not For Me ( 1958) e Poinciana (1963), dono de um estilo inconfundível. O que poucos desconfiavam é que, aos quase 80 anos, essa lenda estaria tão viva.

O que se viu no palco do Citibank Hall foi um artista sem medo de correr riscos. Em 1h30 de apresentação, a inquietude deu o tom: improvisos ferozes, nenhuma concessão ao gosto fácil, surpresas a cada segundo. E uma evidente alegria de estar ali tocando, perceptível nos olhares e sorrisos que trocava com os demais integrantes de sua banda. E que banda: o percussionista Manolo Badrena, o baixista James Cammack e principalmente o espetacular baterista Herlin Riley, responsável por alguns dos grandes momentos da noite.

Adjetivos como inquieto e surpreendente podem dar a impressão de uma apresentação difícil. Mas não foi o caso: mesmo sem fazer concessões, a banda conseguiu fazer com que o público a acompanhasse em sua jornada. O resultado dessa quase comunhão foram aplausos entusiasmados ao final de cada música, e insistentes pedidos para um segundo bis, que infelizmente não veio.

Jamal e companhia conseguiram apagar, com folga, a má impressão deixada pela atração de abertura. A cantora Dee Alexander, apesar de sua impressionante capacidade vocal, perdeu-se em imitações de cantos de pássaros e composições fracas. Uma pena: sua banda (uma inusitada formação de violino, violoncelo, contrabaixo e bateria) dava a impressão de poder muito mais do que foi apresentado.

Nesta sexta, o Bridgestone Music abre espaço para outra lenda do jazz: o baixista Dave Holland. Ele lidera o Overtone Quartet, supergrupo que ainda conta com os ótimos Jason Moran (piano), Chris Potter (saxofone) e Eric Harland (bateria). Além dele, também apresenta-se no Citibank Hall o Sexteto Escalandrum, liderado pelo baterista Daniel Piazzolla. O sobrenome entrega: 'Pipi', como é mais conhecido, é neto de Astor Piazzolla, um dos maiores músicos do século 20. Neste espetáculo, ele vai interpretar somente obras do avô.

O festival termina no sábado, com performances do saxofonista Don Byron e seu New Gospel Quintet e da cantora Melissa Walker com o baixista Christian McBride. Os preços dos ingressos são os seguintes: R$ 50 (mesa setor 3), R$ 60 (mesa setor 2), R$ 70 (mesa setor 1), R$ 100 (mesa vip) e R$ 120 (camarote). Todos os shows acontecem no Citibank Hall (Avenida dos Jamaris, 213, Moema), a partir das 21h, de quarta a sábado. Os ingressos podem ser comprados no próprio Citibank Hall e também pela internet ou pelo telefone 4003 5588.

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