Filarmônica de Viena investirá R$ 2,4 milhões na modernização de arquivo

Por Reuters |

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"Para nós, é uma questão moral apresentar nosso passado", disse Clemens Hellsberg, primeiro arquivista da orquestra

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Herwig Prammer/Reuters
Maestro Welser-Moest conduz a Orquestra Filarmônica de Viena

A Orquestra Filarmônica de Viena utilizará um prêmio de US$ 1 milhão (R$ 2,4 milhões) para digitalizar e encontrar um novo lar para seus arquivos, anunciou a instituição nesta quarta-feira (8).

O anúncio foi feito pela administração da orquestra em Estocolmo, onde o grupo foi receber a doação da Birgit Nilsson Foundation. A fundação leva o nome da ex-soprano sueca e sua bolsa é considerada “o prêmio mais generoso do mundo da música clássica”.

A seleção da Filarmônica de Viena para o prêmio foi divulgada em abril e o destino do dinheiro foi decidido por voto unânime dos membros da orquestra, disse Clemens Hellsberg, que deixou o cargo como primeiro arquivista da orquestra.

“Estou feliz que a orquestra tenha decidido desta forma, porque isso significa que há uma conscientização da importância da história”, disse Hellsberg em uma entrevista por telefone em Estocolmo.

Ele disse que a história da orquestra englobou tudo que ela fez desde sua fundação em 1842, inclusive as estreias de sinfonias de Bruckner e Brahms, assim como o período em que esteve sob a influência de Hitler, de 1938 a 1945. Somente depois de décadas a orquestra reconheceu que muitos de seus membros haviam sido integrantes do partido nazista.

Acredita-se que os concertos de ano-novo da orquestra, transmitidos mundialmente todos os anos, tenham sido criados em 1939 com o apoio entusiástico do ministro nazista da Propaganda, Joseph Goebbels. Em 1942, ano do centenário da orquestra, quase metade de seus músicos era membro do partido nazista.

Por anos, no entanto, o acesso aos arquivos foi rigidamente controlado e Hellsberg foi um dos primeiros a poder pesquisar adequadamente o material. “Para nós, é uma questão moral apresentar nosso passado”, disse ele.

Andreas Grossbauer, o presidente da orquestra, disse que o atual local de armazenamento dos arquivos era muito pequeno e que um novo seria encontrado em Viena.

“Queremos mudar e abrir mais, e digitalizar os arquivos e ter algum espaço para estudantes ou quem quer que seja vir e estudar a história da Filarmônica de Viena. Claro que levará tempo, mas eu acho que isso é muito importante para nós”, disse Grossbauer.

Os ganhadores anteriores do prêmio, concedido a cada três anos, foram o cantor de ópera Plácido Domingo, em 2009, e o maestro Riccardo Multi, em 2011.

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