Tricky lança seu décimo disco e afirma: "Nunca penso no passado"

Por Thiago Ney , iG São Paulo | - Atualizada às

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Cantor e músico inglês solta o álbum "Adrian Thaws" e confirma o clima dark de suas músicas; leia entrevista ao iG

"Adrian Thaws". O título do décimo disco de Tricky é, também, o próprio nome do cantor e músico (e ator) inglês. Pode ser interpretado, assim, como o disco mais "pessoal" do artista, mas não só: mostra que a música de Tricky (e o que inspira) vai muito além do trip hop (gênero da eletrônica de batidas lentas pelo qual ele, Massive Attack e Portishead ficaram conhecidos).

Divulgação
O cantor e músico Tricky

"Já não me incomoda mais, na verdade", disse Tricky ao iG, ao ser questionado se fica irritado quando seus discos são costumeiramente classificados como trip hop. "Porque essas pessoas obviamente não entendem a música. E se alguém não entende, não entende, não há o que fazer. Todos os meus discos são diferentes."

Este "Adrian Thaws", recém-lançado no exterior, escapa de ficar preso a apenas um gênero - mas tem um clima que percorre suas 13 faixas: é um disco dark.

"Sim, minha música é dark. Gosto de pessoas que saem de ambientes dark, mesmo que não sejam músicos. Conheço um cara que é uma espécie de gangster e ele me disse anos atrás que minha música não era fácil. Então, sim, minha música é sombria."

Como um acerto de contas com a formação musical de Tricky, o disco reúne influências que vão da house ("Nicotine Love"), ao hip hop ("Gangster Chronicles"), passando por climas eletrônicos quebrados ("Why Don't You") e enfumaçados ("I Had a Dream" e "Lonnie Listen").

"Algumas dessas músicas não são novas, como 'Lonnie Listen', que tinha uns três anos e só foi finalizada quando encotnrei Mykki Blanco (rapper norte-americano que se apresenta com uma persona feminina). Nunca sei como um disco vai soar, apenas vou pro estúdio e deixo as músicas surgirem."

Essa maneira natural de criar um álbum é seguida também na escolha dos vocalistas que participam das faixas ("Conheço essas pessoas quando vou a shows, quando um amigo me passa um disco"), como Mykki Blanco, Francesca Belmonte, a dinamarquesa Oh Land e Bella Gotti.

Até o final de setembro, Tricky fará uma turnê pelo leste europeu (Ucrânia, Rússia, Polônia). No ano que vem, a turnê deve seguir para os EUA ("Já fui à América do Sul, mas nunca ao Brasil. Vamos ver se desta vez dá certo"). E, também em 2015, a obra-prima "Maxinquaye", o primeiro disco de Tricky, completa 20 anos. Mas provavelmente a efeméride não motive nada muito especial.

"É passado. É algo que nunca vai voltar, como um sonho: você teve um sonho ontem e ele desaparece e então você tem outros sonhos. Nunca penso no passado."

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