10 músicas para entender Chico Buarque

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Nesta quinta-feira (19), o cantor e compositor faz 70 anos; iG seleciona canções que marcaram a carreira do artista

Compositor e cantor com mais de 50 anos de carreira, Chico Buarque completa 70 anos nesta quinta-feira (19). Francisco Buarque de Hollanda nasceu no Rio de Janeiro e atua como um ativo compositor de MPB, samba, choro e bossa nova, entre outros trabalhos.

Chico Buarque participa de encontro literário. Foto: AEChico Buarque durante show no HSBC Brasil, em São Paulo. Foto: Taiz DeringChico Buarque no HSBC Brasil, em São Paulo. Foto: Taiz DeringChico Buarque e José Luiz Goldfarb, presidente da comissão do prêmio Jabuti. Foto: AETom Jobim, Cynara e Cybele e Chico Buarque apresentam "Sabiá" no festival da canção de 1968. Foto: AEChico Buarque durante show. Foto: AE

Especialmente durante os anos 1960 e 1970, escreveu letras politizadas nas entrelinhas, disfarçadas de histórias de amor ou relatos cotidianos, como estratégia para driblar a censura durante a ditadura militar, característica recorrente em suas obras do período.

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Além de cantor e compositor, Chico Buarque também escreveu livros, como "Benjamin" e "Budapeste", dramaturgia para teatro, como os espetáculos "Ópera do Malandro" e "Roda Viva", e filmes como "Quando o Carnaval Chegar", do qual foi co-autor, e "O Mandarim", participando como ator.

Veja uma seleção de 10 músicas para entender a obra de Chico Buarque. 

"Cálice"
A composição de Chico Buarque e Milton Nascimento, com participação de Gilberto Gil, tem um jogo de palavras que mostra a ambiguidade entre "cálice" e "cale-se". Composta em 1973, só pode ser lançada em 1978 por causa da censura.

"Construção"
Composta em 1971, a faixa chama a atenção pela história de cunho social, que narra a vida e morte de um pedreiro, e pela opção estética de terminar cada frase com uma palavra de três sílabas, em repetição sonoramente forte e estratégica. 

"A Banda"
Composta por Chico em 1966, foi lançada no primeiro álbum do cantor e empatou com "Disparada" no primeiro lugar do Festival de Música Popular Brasileira. À época, foi interpretada por Chico e Nara Leão.

"Roda Viva"
Lançada em 1967, a música foi escrita para uma peça de teatro de mesmo nome, cuja dramaturgia também é de Chico. Na terceira edição do Festival de Música Popular Brasileira, ficou em terceiro lugar. O termo "Roda Viva" faz alusão à ditadura militar e a peça foi alvo de um momento conturbado, quando, em 1968, o grupo de extrema direita CCC (Comando de Caça aos Comunistas) invadiu o teatro Ruth Escobar, onde a peça estava sendo encenada, para agredir os atores e destruir o cenário.

"O que será? (À flor da terra)"
Lançada por Chico em 1976, foi gravada em dueto com Milton Nascimento e feita para trilha sonora do filme "Dona Flor e Seus Dois Maridos", baseado no livro homônio de Jorge Amado. A canção ainda ganhou outras versões, como "O que será? (À flor da pele)", que entrou para o disco "Geraes", de Milton Nascimento, e "O que será? (Abertura)", interpretada por Simone.

"Mulheres de Atenas"
Composta em parceira com Augusto Boal, foi lançada por Chico em 1976, como parte do disco "Meus Caros Amigos, o mesmo em que está a faixa  "O que será (À flor da terra)". "Mulheres de Atenas" foi feita para a peça de Boal, "Lisa, a Mulher Libertadora", uma adaptação de "Lisístrata", de Aristófanes.

"Apesar de você"
Lançada em 1970, fala implicitamente sobre a censura durante a ditadura militar, sob o disfarce de abordar uma suposta briga entre namorados. Teve sua execução proibida nas rádios pelo general Emílio Garrastazu Médici, tendo sido liberada anos depois durante o final do governo de Ernesto Geisel.

"Geni e o Zepelim"
A música foi lançada em 1978 para o musical "Ópera do Malandro", também de autoria de Chico. A letra critica a hipocrisia e fala sobre a história da travesti Geni, que era hostilizada pela comunidade, representada na letra em trechos como "Joga pedra na Geni / Ela é feita pra apanhar".

"Vai Passar"
Canção lançada em 1984, como última faixa do disco "Chico Buarque", fala sobre os períodos finais da ditadura militar, com referência a períodos anteriores como a escravidão, ambos permeados pela censura e sentimento de prisão. "Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar / A evolução da liberdade até o dia clarear", canta na letra.

"Essa Pequena"
A faixa está no disco "Chico", trabalho mais recente lançado em 2011. A letra fala sobre o amor por uma pessoa mais nova. Chico namora a cantora Thaís Gulin, 36 anos mais jovem que ele e para quem certamente dedica a letra. "Meu tempo é curto, o tempo dela sobra/ Meu cabelo é cinza, o dela é cor de abóbora/ Temo que não dure muito a nossa novela, mas/ Eu sou tão feliz com ela."


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