Sebadoh inicia turnê pelo Brasil; leia entrevista com Lou Barlow, líder do grupo

Por Susan Souza , iG São Paulo | - Atualizada às

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Músico fala sobre o disco "Defend Yourself", a turnê que faria com Kurt Cobain e como é ser um "papai rock and roll"

O grupo de rock alternativo Sebadoh deu início à primeira turnê pelo País após um pequeno impasse burocrático. Há uma semana, o músico Lou Barlow, 47 anos, enfrentou problemas com o atraso na entrega da documentação para obter o visto brasileiro. "Foi minha culpa não ter feito isso bem antes. Tirar (o visto) em uma semana é um desafio para o consulado de qualquer país", contou ao iG.

Divulgação
Bob D'Amico, Lou Barlow e Jason Loewenstein formam o grupo Sebadoh

O primeiro show do Sebadoh aconteceu no domingo (20) no Sesc Pompeia, em São Paulo, onde o grupo também se apresenta nesta segunda-feira (21). Viabilizada por uma parceria entre a Balaclava Records e a Brain Productions, a turnê segue ainda pelos dias 24/4 no Rio de Janeiro (Circo Voador), 25/4 em Recife (Festival Abril Pro Rock), 26/4 em Cataguases (Centro Cultural Humberto Mauro) e dia 30/4 em Maringá (Polo Club).

Fundado em 1986, o Sebadoh é formado por Lou Barlow (vocais, guitarra e baixo), Jason Loewenstein (que reveza vocais e instrumentos com Barlow) e Bob D'Amico (bateria). O grupo é um dos mais prolíficos nomes do rock conhecido como "lo-fi". Dentro desse segmento, é comum que as bandas adotem a postura do "faça você mesmo" para gravar, abrindo mão de acabamentos exagerados usados em grandes estúdios digitais.

Entre as músicas tocadas na primeira apresentação em São Paulo estavam faixas de "Defend Yourself" (2013), lançado após um intervalo de 14 anos desde "The Sebadoh" (1999). No entanto, os momentos mais aguardados da noite foram os reservados às interpretações de hits dos discos "Bubble and Scrape" (1993) e, principalmente, "Bakesale" (1994) e "Harmacy" (1996). 

Com bastante energia, o grupo tocou as aguardadas "Skull", "Careful", "License to Confuse", "Not Too Amused", "Love to Fight", "Rebound", "Soul and Fire", "Gimme Indie Rock", "Brand New Love", "Magnet's Coil", "Shit Soup" e "Ocean", algumas vezes com o andamento levemente modificado, mas sempre com muita interação dos fãs.

Susan Souza
Sebadoh em show no Sesc Pompeia

Quase escondido atrás dos óculos e dos cabelos cacheados sobre o rosto, Lou Barlow, visto anteriormente no Brasil em shows com o grupo Dinosaur Jr., em 2010, manteve a postura atenciosa que já era esperada.

O músico falou bastante com a plateia, brindou com cachaça, agradeceu a presença do público e brincou ao dizer que havia "muita gente olhando para o palco". Tanto o show de domingo (20) quanto o de segunda (21) tiveram os ingressos esgotados assim que foram postos à venda.

Antes de iniciar a turnê brasileira, Lou Barlow conversou com o iG. Leia a entrevista.

iG: O que aconteceu com o seu visto brasileiro?
Lou Barlow:
A gente se atrasou com o processo do pedido. Demoramos muito e uma semana antes de vir, pensamos: 'Ah, temos de tirar o visto'. O prazo normal para solicitar é de uns três meses antes, é o que se deve fazer. Não sei o motivo que nos fez atrasar tanto, foi nossa culpa. Na verdade, foi minha culpa não ter feito isso bem antes. Tirar um visto em uma semana é um desafio para o consulado de qualquer país.

iG: Há material de sua carreira solo que acabou entrando no disco novo?

Lou Barlow: Sim, trouxe faixas do meu trabalho solo para o Sebadoh, que é o que costumo fazer, e não era de se estranhar que a gente gravasse esse disco por nossa conta. Estamos bem à vontade, porque tocamos juntos por anos e fizemos muitas turnês. Gravar foi um passo lógico para a gente.

iG: Você conhece bandas brasileiras de rock?
Lou Barlow: Não sei se consigo dizer muitos nomes, mas tem a banda Olho Seco, que é muito boa. O Sepultura é também um ótimo exemplo, eles são incríveis ao vivo. Sempre que ouço música brasileira, fico bastante impressionado. As bandas que abriram para o Dinosaur Jr. (banda que Barlow faz parte e que esteve no Brasil em 2010) me pareceram muito boas. Sinto que há uma rica tradição musical no País e as pessoas valorizam isso, sabe? Mas não sou nenhum especialista.

iG: O que você pretende conhecer por aqui dessa vez?
Lou Barlow: Estou ansioso para sair das grandes cidades. Temos um show em Cataguases (interior de Minas Gerais), iremos de van até lá. Essa será uma experiência nova para mim no Brasil, de andar dentro do País e sair das grandes cidades. Lugares como São Paulo, onde estou agora, eu vejo bastante quando viajo por causa das turnês. Quero ver o que rola fora. Grandes cidades eu já sei como funcionam.

iG: Em 2014, relembramos os 20 anos sem Kurt Cobain. O Sebadoh havia sido escolhido como a banda de abertura da turnê de 1994 do Nirvana, que não aconteceu por causa da morte de Kurt. O que você lembra desse período?
Lou Barlow: Kurt e eu tínhamos muitos amigos em comum. Da cena musical daquele período, eu conhecia um número razoável de gente, mas não era amigo dele. O Kurt gostava do Sebadoh e nós estávamos programados para abrir a turnê do Nirvana antes de ele se suicidar. Foi uma coisa da qual nunca pensei muito a respeito, mas é claro que fiquei triste com tudo isso. Não passou pela minha cabeça que estávamos perdendo uma oportunidade ou coisa do tipo. A morte dele foi muito chocante. 

Reprodução/Instagram
Lou Barlow e seus filhos

iG: Em sua conta no Instagram, você posta muitas fotos fofas com os seus filhos. Como é ser um "papai rock and roll"?
Lou Barlow: Eles ainda não sabem nada sobre o meu trabalho. A coisa ruim de ser um 'papai rock and roll' é que fico longe deles por um tempo, eles ficam de duas a três semanas só com a mãe e é difícil manter contato. Eles são pequenos, então é difícil falar com eles ao telefone. Conversas significativas, à distância, ainda não estão rolando. Quando estou com eles, é tudo muito intenso, fico 24 horas durante cinco dias. Às vezes, penso em ter um emprego normal, para poder ficar em casa com eles, mas acho que assim como está é que tem de ser, sei lá.

iG: Se eles quiserem ser músicos, como você se sentirá?
Lou Barlow: Quero que eles sejam confiantes com o que quer que façam. Se quiserem seguir o caminho da música, isso será assustador (risos). Ainda não sei quem eles são, mas se a música for algo que eles queiram, vou ficar encantado, espero que eu possa ajudar. Mas se não seguirem por esse caminho, também não quero me decepcionar. Sempre aceitarei muito bem o que eles escolherem.

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