Naná Rizinni sobre gravar com Steve Albini: "Pensamos se seria chato ou doidão"

Por Susan Souza , iG São Paulo |

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Cantora lança o disco "La Na Nana", feito com norte-americano que produziu o último disco do Nirvana; leia a entrevista

A gravação de "La Na Nana", segundo disco da cantora, compositora e baterista Naná Rizinni, foi feita analogicamente no estúdio do produtor e engenheiro de som Steve Albini em Chicago, nos Estados Unidos, o Electrical Audio. Albini foi o produtor de "In Utero", o terceiro e último disco do Nirvana. Ele também trabalhou em álbuns de artistas como Pixies, Breeders, Helmet, Robert Plant, PJ Harvey, Cloud Nothings, entre outros.

Naná Rizinni. Foto: Debby Gram/DivulgaçãoNaná Rizinni. Foto: Debby Gram/DivulgaçãoNaná Rizinni. Foto: Debby Gram/Divulgação

"Todo mundo que gosta de rock tem o Albini como referência. Ele tem um estúdio gigante, bem diferente do (modo de gravação) digital, que é muito mais confortável, porque você pode regravar 500 vezes a mesma palavra. No analógico, acaba gravando um take inteiro, é um processo mais lento", diz ao iG.

Uma pré-produção bem afiada é essencial em processos como esse, em que "não se fica picotando e colando a gravação", conta. "Como era em outro país e com um cara que admiramos, eu estava ansiosa. Ficamos pensando se o Albini seria chato ou doidão, se iria querer acabar logo a gravação, mas ele é muito profissional e entende o que você quer, mas não é de muita opinião." 

As sugestões artísticas vieram do músico e produtor brasileiro Adriano Cintra (Madrid, ex-CSS), "que conduzia a parte sonora, de timbres. O Steve conduzia a parte da gravação, do som de bateria". O processo de composição de "La Na Nana" levou "uns seis meses para juntar bastante material". "Gosto de viajar sozinha e ficar no meio do mato ou na praia compondo", explica.

Com letras em português e em inglês, o disco mantém um clima suave e dançante ao longo de suas 12 faixas. "Para gravar, penso muito em como soa ao vivo, no palco. Gosto de dançar e fazer uma coisa mais para cima, mas também tenho um lado introspectivo, gosto bastante de jazz. E também de rock, que é a minha escola. Comecei a tocar bateria por causa do Led Zeppelin."

Cores fortes e sons

Naná é visualmente colorida, tem cabelos platinados e apreço por roupas de cores primárias, intensas. Suas escolhas sonoras e visuais podem, de certo modo, ter relação com o daltonismo, que torna mais fácil a identificação de cores fortes em vez de secundárias. "Quando as pessoas ficam sabendo que sou daltônica, falam: 'Ah, é por isso que você usa cores tão fortes'."

"Sempre gostei de roupas diferentes, de brechós e, dependendo do contexto, você está sendo ousada. Na música, gosto muito de cor, tudo meio exagerado." O colorido de grupos de axé como o Cheiro de Amor serviu até mesmo de influência para alguns teclados do disco. "Teve uma época em que ouvia muito axé e grunge. E isso não tem nenhum problema."

Além de Adriano Cintra, também participam do disco a cantora Tiê, o músico Dudu Tsuda e Tim Bernardes, vocalista e guitarrista do grupo O Terno.

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