Fernanda Takai: "Com 42 anos, aprendi a ouvir e conversar depois da raiva"

Por Susan Souza , iG São Paulo |

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Cantora fala ao iG sobre o novo disco solo, "Na Medida do Impossível", que tem participação de Pitty, padre Fábio de Melo e versões de Reginaldo Rossi e Benito Di Paula

Fernanda Takai estava buscando a filha Nina na escola quando falou com o iG sobre o novo disco solo, "Na Medida do Impossível", lançado há pouco. "Eu me idenfitico com esses papeis de mãe, de compositora, também escrevo (crônicas). Sempre parece que estamos no limite das coisas, parece que 'hoje não vai dar tempo'", reflete a cantora nascida em Serra do Navio, no Amapá, sobre o nome do álbum.

Fernanda Takai divulga o novo disco, 'No Limite do Impossível'. Foto: Bruno Senna/DivulgaçãoFernanda Takai. Foto: Facebook/ReproduçãoFernanda Takai. Foto: Reprodução/FacebookFernanda Takai. Foto: Argosfoto/MTVFernanda Takai. Foto: - DivulgaçãoFernanda Takai. Foto: Fabiana FigueiredoAndy Summers e Fernanda Takai. Foto: DivulgaçãoFernanda Takai em show solo no Sesc Pinheiros. Foto: Marco Tomazzoni

Reconhecida por seu trabalho com o grupo de rock Pato Fu desde os anos 1990, Fernanda afirma levar uma vida tranquila de mãe, artista e escritora. Ela também é casada com John Ulhoa, guitarrista e vocalista do Pato Fu. O casal mora em Belo Horizonte, perto do estádio do Mineirão, que também receberá a Copa do Mundo. "Agora é todo mundo brasileiro, temos de fazer uma bela Copa. Mas o Brasil ainda precisa de muitas outras coisas."

Aos 42 anos, a cantora comenta a aparência serena que transparece nas entrevistas. "Tenho muito bom humor e tento não brigar com as pessoas, tento dar segundas chances. Minha imagem pública é (a de uma pessoa) calma, mas sou muito exigente. Mesmo quando algo está dando errado, nunca vou brigar em público, vou chamar para tomar um café e descobrir o que aconteceu. Com 42 anos, aprendi a ouvir, esperar e conversar depois da raiva."

O aspecto mais positivo de "Na Medida do Impossível" estaria na maturidade alcançada pela artista. "Já tive projetos de vida que foram para trás, shows que não pude fazer, amigos que morreram. Às vezes, lidamos muito mal com isso. Hoje aprendi a lidar com várias dificuldades, talvez por isso o disco tenha saido tão bem, todos os convidados falaram 'sim'".

Para conseguir se dedicar ao trabalho musical, Fernanda deixou de escrever colunas para os jornais "Correio Braziliense" e "Estado de Minas". "Pedi para sair dessa função, porque estava escrevendo mais textos do que fazendo músicas. Precisava ficar em casa com o violão no colo e ouvir coisas para o disco. Não dá para fazer muitas atividades ao mesmo tempo. Fiquei doente, com uma superestafa."

No eclético "Na Medida do Impossível", Fernanda canta uma música da jovem guarda ("A Pobreza"), da dupla Leno e Lillian; uma faixa de Benito di Paula ("Como Dizia o Mestre"); uma composição em parceria com Pitty ("Seu Tipo"); um hit do rei do brega Reginaldo Rossi ("Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme"); uma parceria com Marina Lima ("Quase Desatento"); e uma com o padre Fábio de Melo ("Amar Como Jesus Amou"), entre outros convidados e parceiros.

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"Queria mostrar o que ouço, tudo isso é pop. Queria colocar essas músicas junto das minhas de uma forma elegante. São pessoas que considero queridas, são músicas que ouvi desde pequena e bem representativas." A voz doce de Fernanda Takai continua a mesma e é envolta por arranjos modernos. O dueto com o padre Fábio não tem nada de careta e representa, de certo modo, a infância da cantora.

"Cantei essa música na minha primeira comunhão. A religião ocupa na vida da pessoas um momento de paz, de compartilhar problemas e alegrias. Não tenho uma religião definida, muita gente na minha familia é budista, tenho essa mistura de religião que acontece direto no Brasil", conta. "Gosto das entrevistas do padre Fábio, ele se coloca de uma maneira moderna."

No novo trabalho, Fernanda e John não compuseram juntos para "não esvaziar o conteúdo para o Pato Fu", embora a produção de "Na Medida do Impossível" tenha a participação dele. A banda, inclusive, já trabalha no sucessor de "Música de Brinquedo", de 2010. "Meu papel no Pato Fu fica claro nesse disco, com coisas mais tranquilas do que na banda. Quase sempre todas as músicas do Pato que têm um tom mais delicado fui eu que fiz."

Depois de cantar parte do repertório de Nara Leão ("Onde Brilhem os Olhos Seus", 2007), gravar o disco "Fundamental" (2012) com Andy Summers (The Police), participar de um show de uma de suas bandas favoritas, o Duran Duran, e gravar nove discos de estúdio com o Pato Fu, o segundo trabalho absolutamente solo soa como uma afirmação de Fernanda Takai que, confiante, canta Benito de Paula com a mesma pompa que aplicaria em uma interpretação de Frank Sinatra.

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