Em cartaz a partir desta sexta-feira (31) no MIS, objetos contam a história e as formas de compor do artista inglês

Grande parte do processo criativo de David Bowie, 67 anos, desde a infância em Brixton, ao sul de Londres, até a fama com personagens clássicos como Ziggy Stardust e Thin White Duke podem ser vistos no MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo, a partir desta sexta-feira (31).

Infográfico: As várias faces de David Bowie

Com leds coloridos organizados no chão para orientar a visita, a exposição começa no segundo andar e os visitantes podem usar um equipamento de áudio com sincronização automática fornecido pelo museu, sem custo adicional. Logo de início, o visitante é agraciado pela visão do icônico figurino de vinil preto "Tokyo Pop", de 1973, que vestiu Bowie na turnê do disco "Alladin Sane".

Curiosidades sobre os métodos de composição e inspiração de Bowie são mostrados na próxima sala, como o "Verbasizer", um programa de computador desenvolvido a pedido do cantor para criar letras de música a partir de frases aleatórias sugeridas pelo sistema.

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Setlists, partituras, fotos e letras de música manuscritas, como uma folha com os versos de "Ziggy Stardust", vão surgindo pelo caminho, mostrando a simplicidade das anotações, os rascunhos em papel quadriculado com pequenos desenhos e as alterações feitas com canetas de tinta colorida.

Pequenos instrumentos exóticos dão toques discretos, porém essenciais, aos ambientes, como o minúsculo sintetizador desenhado por Brian Jarvis em 1967, que foi usado em "Space Oddity" para dar o efeito "tremido eletrônico" de sua base.

As atuações de Bowie no teatro e cinema ganham espaço na mostra, com pôsteres de seus personagens excêntricos, alguns acessórios e uma compilação de cenas de seus principais trabalhos, como os filmes "Labirinto - A Magia do Tempo" (1986), "Furyo - Em Nome da Honra" (1983) e "O Grande Truque" (2006).

Sua impressionante atuação no teatro como John Merrick, um jovem inglês que ficou conhecido como "O Homem-elefante" por causa de uma rara doença congênita, também está entre as cenas destacadas. Com esta peça, Bowie chegou a ficar em cartaz em Denver, Chicago e na Broadway, em 1980.

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Os 47 figurinos de diversas fases e propostas ocupam a maior parte da exposição brasileira e ajudam a contar por que o cantor é sempre descrito como "camaleônico". Poucos artistas souberam sustentar mudanças como Bowie, que não hesitava em usar um terno com saia se isso lhe parecesse sarcástico ou tentador.

O papel com restos do batom vermelho que Bowie usou certa vez, a letra de "Rebel, Rebel" escrita à mão e as fotos de sua ficha criminal - tiradas em 1976 quando foi preso por posse de maconha-, estão lado a lado e próximos ao vídeo "O Impacto de Ziggy Stardust", que analisa Bowie e a androginia de seu personagem mais marcante.

Na persona de "Ziggy", que soava meio andrógina, meio extraterrena, o artista polemizou ao misturar o masculino ao feminino de um jeito inédito, nos anos 1970, chamando a atenção do público para a discussão da liberdade de gêneros e da sexualidade.

A época em que David Bowie morou na Alemanha, que gerou três discos entre 1977 e 1979 conhecidos como "Trilogia de Berlim" - formado por "Low", "Heroes" e "Lodger"-, ganha um merecido espaço na mostra. Há capas dos álbuns, mais instrumentos inusitados como um "koto" japonês usado no disco "Heroes" e até as chaves do apartamento de Bowie em Berlim, além de menções a Iggy Pop e Brian Eno, com quem o artista trabalhou muito no período.

Figurino exibido na mostra David Bowie no MIS
Divulgação
Figurino exibido na mostra David Bowie no MIS

As jóias da exposição estão na sala redonda do MIS. Depois de atravessar uma densa cortina preta, o visitante encontra os figurinos mais marcantes que Bowie usou nas turnês "Alladin Sane" e "Ziggy Stardust", como o conjunto listrado colorido e o macacão de manga assimétrica. A sala também encanta por possuir projeções de vídeos raros nas paredes.

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Ao final da exposição, uma discreta sala à esquerda, no térreo, guarda o "quarto" de Bowie, onde uma projeção contextualiza a adolescência do artista. A sala ainda tem fotos do cantor aos 10 meses de idade, histórias de seus primeiros passos ao encontro da fama e mais instrumentos musicais.

A exposição David Bowie foi organizada pelo museu Victoria and Albert, de Londres, e ficará no Brasil de 31/1 a 20/4. Às terças-feiras, o MIS funciona gratuitamente, mas vale lembrar que as primeiras e últimas semanas de mostra são sempre mais cheias. Dica: chegar cedo amplia as chances de aproveitar melhor a experiência.

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Os ingressos podem ser comprados com antecedência no site do Ingresso Rápido por R$ 25 para evitar filas. Quem preferir comprar diretamente na bilheteria do MIS pagará R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). A visitação inclui equipamento de áudio, que é sincronizado automaticamente em cada instalação da mostra, sem custo adicional.

"Exposição David Bowie"
MIS - Museu da Imagem e do Som (av. Europa, 158, São Paulo)
De 31/1 a 20/4 (terça à sexta das 12h às 21h; sábados das 10h às 21h; domingos e feriados das 11h às 20h)
Ingressos: R$ 25 (antecipado). Na recepção do MIS, por R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Gratuito às terças-feiras.

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