"Vivemos o pior momento profissional", diz Laura Pausini sobre mercado musical

Por Vinícius Ferreira , iG São Paulo |

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Cantora, que se prepara para retomar turnê em comemoração aos 20 anos de carreira, lamenta cenário e conta que entre as canções favoritas da filha Paula, de 11 meses, está "É Isso Aí", de Ana Carolina e Seu Jorge

Laura Pausini começou o ano animada e trabalhando bastante. A cantora, que retoma em fevereiro sua turnê “20 - The Greatest Hits”, iniciada em dezembro de 2013 e com previsão de desembarcar no Brasil em fevereiro (quando se apresenta nos dias 19 e 20 no Credicard Hall, em São Paulo), garante que seus novos shows são um presente para seus fãs.

"Estou celebrando 20 anos de carreira, e não encontrei maneira melhor de comemorar do que estar ao lado de quem me deu essa carreira. Quero olhar nos olhos de quem mudou e muda até hoje a minha vida. É muito lindo ver o público cantando minhas músicas e essa turnê é uma homenagem à nossa vida, minha e dos meus fãs", disse ela em entrevista por telefone ao iG.

A cantora Laura Pausini, que fará turnê no Brasil. Foto: Vanessa Carvalho/Futura PressLaura Pausini lamenta o atual estado da indústria musical. Foto: DivulgaçãoLaura Pausini durante show. Foto: Getty ImagesLaura Pausini iniciou a turnê em 2013. Foto: Getty ImagesLaura Pausini falou com a reportagem em português. Foto: Divulgação

Muito simpática e falando em português, Laura fez um balanço da carreira, marcada por grandes sucessos, como "La Solitudine", "Strani Amori" e "Se Fué", e conseguiu pontuar seu momento mais grandioso nessas duas décadas: “Quando cantei, aos 18 anos, a música 'La Solitudine' no Festival di Sanremo, que me rendeu o primeiro lugar do concurso e o maior sonho que tinha na época, o de gravar um disco".

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Já quando o assunto foi o pior momento, Laura desconversa, mas confessa que foi após a demissão de seu empresário e ex-namorado Alfredo Cerutti, o qual ela processou por roubo. "Tenho sorte de não ter momentos ruins na minha vida profissional, diferentemente da minha vida pessoal, onde tive muitas dores. Acredito que um dos momentos mais difíceis foi em 2004, quando rompi com meu empresário, Alfredo Cerutti. Na época tive muito medo, muitas lágrimas, achei que não conseguiria mais tocar minha carreira, mas descobri que trabalhar é muito bom."

Crise musical

Ag News
A cantora Laura Pausini em show no Brasil

O atual momento da música no mundo preocupa e entristece Laura. Número um nas paradas italianas desde que lançou seu último disco, em novembro de 2013, a cantora conta que as 100 mil cópias vendidas até o momento são um quinto do que ela venderia normalmente há oito anos. “Ninguém mais está investindo em música, nem em novos cantores. É quase impossível, hoje, um jovem sem dinheiro querer se lançar no mercado musical.”

E se para os novos artistas o mercado está praticamente fechado, para os antigos as dificuldades começam já na produção de um disco. “Minha gravadora, a Warner Music, não me dá mais dinheiro para quase nada. Para este meu último disco, ela meu deu 1 milhão de euros para gravar oito faixas. No total gravei 28, imagine o quanto gastei para ter o que eu queria. Hoje não deixam mais você trazer o melhor profissional de som para te ajudar, temos que fazer com os que já estão por lá. Também não consigo mais fazer shows em países como Portugal e Finlândia, onde tenho muitos fãs, porque a Warner não tem mais escritórios por lá. Está muito difícil ser músico, e olha que eu tenho um dos maiores escritórios do mundo.”

E é diante deste cenário que Laura valoriza cada fã que a acolhe. “Agradeço muitos aos meus fãs, e principalmente ao Brasil, que é um dos país que mais me convidam para divulgar meu trabalho."

Maternidade

Mas se o lado profissional vem enfrentando dificuldades, no pessoal é só alegrias após o nascimento de Paola, filha de Laura com o músico Paolo Carta. "Mudou tudo depois do nascimento dela. Hoje sou muito mais entusiasmada, muito mais feliz. Antes, mesmo sabendo que sou uma pessoa sortuda, abençoada, sempre tive uma inquietação muito forte, onde nada estava bom. Depois que a Paula nasceu, isso mudou e nunca mais fui inquieta", conta ela, que revela a paixão da filha pelas músicas brasileiras.

“Quando eu estava grávida, não cantei muito para ela, mas sempre ouvi muita música, inclusive brasileira. Hoje as favoritas dela são: 'É Isso Aí', da Ana Carolina com Seu Jorge, as de Caetano Veloso e os hits da bossa nova. Acho que ela acostumou com ritmo enquanto estava na minha barriga.”

E se o gosto musical da primogênita, que completa um ano no próximo dia 8 de fevereiro, já é eclético, a criação não é diferente. Laura conta que deseja que a filha tenha orgulho de ser italiana, mas que seja uma pessoal internacional e livre de todos os preconceitos.

“Fiz questão que a primeira boneca dela fosse negra, porque como não temos muitos negros por aqui, quero que ela se acostume com as diferenças, e que entenda que somos todos iguais. Na Itália falar sobre homossexualismo também é muito difícil ainda, e não quero que ela tenha preconceitos. Quero ensinar minha filha a amar, e não a escolher homens, como é comum."

Hologramas em shows

E antes que o bate-papo programado para 15 minutos, que chegou aos 40, terminasse, Laura também comentou a inovação tecnológica dos hologramas, já utilizada no Brasil para “ressuscitar” grandes astros da música, como Renato Russo e Cazuza, em 2013.

"Acho a ideia linda, mas tem de tomar cuidado. Transportar esse material de cidade para cidade, de país para país é muito complicado, e deve ser feito perfeitamente para não arruinar com o trabalho e a lembrança daquele artista. Eu até pensei em usar nesta turnê um holograma meu cantando 'La Solitudine' em 1993, quando me lancei, mas não é tão simples assim, então desisti".

Laura Pausini
Dias 19 e 20 de fevereiro de 2014, às 21h30
Credicard Hall - Av. das Nações Unidas, 17.955 – Santo Amaro.
De R$ 45 a R$ 550 (pelo telefone, 4003-5588, ou www.ticketsforfun.com.br)

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