Sula Miranda: "Quando comecei, sofri preconceito como o sertanejo universitário"

Por Susan Souza , iG São Paulo | - Atualizada às

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Aos 50 anos e 25 de carreira, cantora fala ao iG sobre música, mobilidade urbana, caminhoneiros e televisão

Sula Miranda gosta de compartilhar nas redes sociais seus percursos a bordo do transporte público paulistano. Ao elogiar os corredores de ônibus disponíveis pela cidade, a eterna rainha dos caminhoneiros demonstra empenho para ser, quem sabe, a rainha dos transportes públicos.

Sula Miranda usando o ônibus em São Paulo. Foto: Reprodução/FacebookSula usando o metrô de São Paulo. Foto: Reprodução/FacebookSula Miranda completa 25 anos de carreira aos 50 de vida. Foto: Patrick BritoSula Miranda. Foto: Patrick BritoSula Miranda retorna ao sertanejo com o disco 'Prova de Amor'. Foto: Patrick BritoSula Miranda. Foto: André GiorgiSula Miranda. Foto: André GiorgiSula Miranda. Foto: Arquivo pessoal/DivulgaçãoSula Miranda. Foto: Arquivo pessoal/DivulgaçãoSula Miranda. Foto: Arquivo pessoal/DivulgaçãoSula Miranda. Foto: André GiorgiSula Miranda. Foto: André GiorgiSula Miranda. Foto: André GiorgiSula Miranda. Foto: André GiorgiSula Miranda. Foto: André Giorgi

Desde abril de 2013, a cantora atua também como coordenadora nacional de transporte pelo PRB (Partido Republicano Brasileiro). "Se tenho um cargo na área de mobilidade urbana, tenho que entender do que estou falando, não é só sentar na cadeira com o título", conta em entrevista ao iG.

Divulgação
As Melindrosas

Já a primeira experiência musical de Sula foi ao lado das irmãs Gretchen e Yara com o trio musical As Mirandas. Com a entrada da amiga Paula, viraram As Melindrosas (capa ao lado), grupo feminino que trouxe visibilidade às cantoras em 1978.

Em carreira solo, Sula lançou discos de sertanejo romântico, de música gospel e, atualmente, trabalha a divulgação de "Prova de Amor", disco que marca seu retorno ao sertanejo e a celebração de seus 25 anos de carreira.

Sula também é apresentadora de TV. Atualmente, comanda a atração feminina "Tudo Posso", no canal Rede Família. A cantora adiantou que voltará a fazer um programa para os caminhoneiros em 2014. "Vamos levar informação sobre as necessidades deles."

Leia a entrevista completa com Sula Miranda:

iG: Por que o disco "Prova de Amor" marca sua volta ao sertanejo?
Sula Miranda: Foi um CD que fiz para esse meu retorno à musica sertaneja. O Roberto Carlos me autorizou a regravar "Caminhoneiro" e "Jesus Cristo", tem ainda "Adoro Amar Você", do Peninha, e "Quem de Nós Dois", da Ana Carolina, além de inéditas. Tem ainda "Caminhoneiro, Tô Apaixonada", novo hit depois de tantos anos. É um disco dançante, mas é o sertanejo romântico que sempre fiz.

iG: O que você tem achado da cena sertaneja atual?
Sula Miranda: Quando comecei, não era do sertanejo de raíz, porque sou urbana. Nasci em São Paulo, não sou como o Chitãozinho e Xororó, que nasceram no interior e ouviam música de raíz. Quando me lancei, sofri o mesmo preconceito que o sertanejo universitário sofre hoje. Atualmente, a música não toca no rádio porque faz sucesso, mas porque tem venda de espaço. Hoje, o artista vive de show e para isso ele banca uma megadivulgação. Quando me lancei, as pessoas gostavam ou não, era espontâneo.

Patrick Brito
Sula Miranda

iG: Por que você divulga fotos nas redes sociais usando o transporte público?
Sula Miranda: Hoje sou coordenadora nacional do transporte no PRB, mas antes não entendia nada sobre transportes. Estou formando uma equipe técnica para ouvir a população. Se você usa o corredor (no ônibus) você consegue andar, mas para quem está de carro ficou, sem dúvida, mais difícil. As pessoas tem de parar de ter preconceito, mas achei muito melhor (o transporte público). Tem gente me xingando e dizendo que estou fazendo tipo e não é nada disso. Se tenho um cargo na área de mobilidade urbana, tenho que entender do que estou falando, não só sentar na cadeira com o título. Não basta ser rainha e não participar. Eu falo dos caminhoneiros e também dirijo caminhão.

iG: Qual é sua participação entre os caminhoneiros atualmente?
Sula Miranda: Assumi essa coordenadoria (nacional de transportes) desde abril e estou com um projeto para a construção do Ponto de Apoio ao Caminhoneiro. Hoje, os caminhoneiros são obrigados a descansar, mas não existe essa estrutura na malha rodoviária do País. Com a iniciativa privada, vamos construir pelo menos 33 pontos, sendo o primeiro em Lins, em 2014. Senti agora, que fiz 50 anos, que tinha condição de fazer algo diferente. A necessidade é de, pelo menos, 350 pontos como esse.

iG: Em seu programa de TV, você fala para as mulheres. Como você enxerga a situação feminina no País?
Sula Miranda: A mulher mudou muito. Hoje tem outra mentalidade, tem mais que dupla jornada de trabalho. Quero fazer uma revista feminina, não só para a mulher dona de casa, mas para a mulher empreendedora, para a mulher do caminhoneiro, que tem de gerar renda dentro de casa nos 19 dias em que o marido está na estrada. Em 2014, terei um programa para caminhoneiros. Não posso revelar o canal, porque ainda há negociações com o patrocinador. O programa vai levar informação sobre as necessidades do caminhoneiro, culinária da estrada, espaço para "botar a mão na buzina" para reclamar, levar autoridades e falar sobre segurança.

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