Gênio do flamenco, Paco de Lucía supera contratempo e faz show emocionante em SP

Por Susan Souza , iG São Paulo | - Atualizada às

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Por causa da chuva em Porto Alegre, guitarrista foi trazido às pressas em avião fretado: "Hoje foi difícil", desabafa após atraso de duas horas para início do show

Pela terceira vez no Brasil, a lenda-viva da guitarra flamenca, Paco de Lucía, 65, quase não conseguiu realizar a etapa paulistana da turnê que o trouxe para a América do Sul após um hiato de 16 anos sem tocar por aqui.

O músico espanhol se apresentou no Teatro Renault, em São Paulo, na segunda-feira (11). Paco também passou por dois shows no Rio e um em Porto Alegre. Ele esteve no Brasil pela primeira vez em 1986.

Paco de Lucía em São Paulo. Foto: Adri Felden/ArgosfotoPaco de Lucía em São Paulo. Foto: Adri Felden/ArgosfotoPaco de Lucía em São Paulo. Foto: Adri Felden/ArgosfotoPaco de Lucía em São Paulo. Foto: Adri Felden/ArgosfotoPaco de Lucía em São Paulo. Foto: Adri Felden/Argosfoto

Por causa da forte chuva no Rio Grande do Sul, Paco e seus músicos foram impedidos de embarcar no aeroporto de Porto Alegre, onde haviam tocado na noite de domingo (10). O show paulistano previsto para começar às 21h só teve início às 23h e, mesmo com a espera, poucos desistiram de ver o mestre da música flamenca e a casa se manteve cheia (1500 ingressos).

"Hoje foi um dia muito difícil. Obrigado pela paciência", disse Paco timidamente, e em português, assim que entrou ao palco decorado com as tradicionais palmeiras que ornam a turnê.

Segundo a assessoria do evento, os instrumentos e os técnicos vieram cedo, enquanto o aeroporto ainda funcionava. Paco e os músicos foram trazidos por um avião fretado, às pressas. "Vocês não imaginam o quanto estamos cansados, o avião passou por uma tormenta", disse com bom humor.

Adri Felden/Argosfoto
Paco de Lucía

Acompanhado apenas por seu instrumento, Paco começou afinando a guitarra no palco, como de costume. Iluminado por um feixe de luz, tocou as melodiosas e doces "Variaciones de Mineras", que abrem o CD "Paco de Lucía en Vivo", seu mais recente lançamento, de 2010.

O experiente violonista, que começou a carreira na Espanha aos 11 anos, não abriu mão das duas horas programadas de show, sendo aclamado a cada intervalo entre canções. De poucas palavras, deixou para os instrumentos a função de expressar e, ao lado da banda jovem que o acompanha, mostrou fusões íntegras de flamenco tradicional e moderno.

A banda de apoio de Paco é formada por Antonio Sánchez (violão), Israel Suárez "El Piraña" (percussão), Antonio Serrano (gaita e teclado), Alain Pérez (baixo), Antonio Flores (voz) e David Maldonado (voz). O grupo ainda conta com o bailarino de flamenco (bailaor) Antonio Fernandez Montoya, o "Farru", que trouxe mais vigor à apresentação.

Entre as músicas tocadas, um destaque para a emocionante "Canción de Amor", que foi continuada pela faixa "Volar" e engrandecida pelo cante de Flores e Maldonado.

Durante a apresentação, houve até um fraseado discreto de "Garota de Ipanema" na gaita de Antonio Serrano. A título de curiosidade, Paco já contribuiu com a música brasileira no solo da faixa "Oceano", hit meloso do cantor Djavan (1989).

O setlist teve vários subgêneros flamencos e homenageou as bulerías com "Moraíto Siempre", que passa pela expressiva "Soniquete". Paco e seu grupo ainda tocaram os tangos flamencos de "Tangos con Cositas Buenas" e "Lagartijo", uma siguiriya dançada por Farru, bailaor de pés velozes e precisos.

No bis, o "flamenco ostentação" do genial Paco, que mandou beijos para a plateia amistosa, mostrou sua música mais popular: "Entre dos Aguas", uma rumba flamenca. A canção foi lançada no disco "Fuente y Caudal", de 1973, e está na trilha sonora do filme "Vicky, Cristina, Barcelona" (2008), de Woody Allen, o que ajudou a criar certa popularidade de Paco entre os mais jovens.

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