Lou Reed em 15 músicas essenciais

Por Luísa Pécora , iG São Paulo | - Atualizada às

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Ouça algumas das canções mais marcantes do ícone do rock e escolha a sua favorita

Qualquer texto ou depoimento sobre a morte do cantor Lou Reed não deixará dúvidas sobre a profunda influência que exerceu na história do rock. "Ele foi um mestre", resumiu o amigo David Bowie.

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Reprodução/Facebook
Lou Reed (1942-2013)

Diante de carreira tão monumental, selecionar canções essenciais é tarefa difícil. Afinal, só do primeiro disco do Velvet Underground já poderiam estar todas.

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Ainda assim, o iG resolveu tentar. Ouça, abaixo, quinze das músicas fundamentais para entender a obra de Lou Reed e, ao final, escolha sua favorita.

"I'm Waiting for the Man"

Faixa do primeiro disco do Velvet Underground ("The Velvet Underground & Nico"), lançado em 1967, tem no piano de John Cale uma de suas marcas registradas. É uma das várias canções da banda e de Reed que fala sobre drogas, contando a história de um comprador que, com US$ 26 na mão, espera pelo traficante (o "homem" do título) na região do Harlem, em Nova York.

"Heroin"

Com mais de sete minutos de duração, é uma das faixas mais impactantes e celebradas do disco de estreia do Velvet Underground e da carreira de Reed. A música começa devagar, com guitarra e bateria, mas vai agregando outros instrumentos e ganhando ritmo conforme Reed canta sobre os efeitos provocados pelo consumo de heroína.

"Sunday Morning"

Faixa que abre o primeiro disco do Velvet Underground, era para ter sido cantada por Nico. Na hora de gravar, porém, Reed assumiu os vocais e ela ficou com a segunda voz. A melancólica música sobre uma manhã de domingo ganha tom positivo nos versos "There's always someone around you who will call / It's nothing at all" ("há sempre alguém ao seu lado que vai ligar / Não é nada demais"). Foi também numa manhã de domingo que Reed faleceu.

"All Tomorrow's Parties"

Com Nico nos vocais, está no disco de estreia do Velvet Underground e era, entre as músicas do grupo, a favorita de Andy Warhol. Em entrevistas, Reed contou que a canção foi inspirada no estúdio do artista, conhecido como "Factory". "Eu observava Andy e todos os outros, ouvia as pessoas dizerem as coisas mais impressionantes, loucas, engraçadas e tristes", contou.

"Femme Fatale"

Também faixa do álbum de 1967, foi escrita por Lou Reed a pedido de Andy Warhol, que queria uma canção sobre Edie Sedgwick, uma socialiste, atriz e modelo conhecida como "superstar de Warhol". Tem Nico nos vocais principais e teve covers de Big Star, R.E.M., Duran Duran, entre outros.

"White Light/White Heat"

Faixa título do segundo disco do Velvet Underground, lançado em 1968 e o último com John Cale, é uma das favoritas de David Bowie, que costumava tocá-la em shows. Cale e Sterling Morrison fazem backing vocals para Reed, que canta sobre a sensação provocada pelo uso de metanfetamina. Destaque para o distorcido solo de baixo, que busca reproduzir os efeitos da droga.

"Sister Ray"

Faixa que fecha o álbum "White Light/White Heat", era frequentemente escolhida também para encerrar shows do Velvet Underground. Com mais de 17 minutos de duração, foi gravada de uma só vez no estúdio, com som bem sujo. Ao vivo, na base do improviso, a canção podia durar mais de meia hora.

"Pale Blue Eyes"

Uma das mais bonitas baladas compostas por Reed, foi lançada no disco "Velvet Underground", de 1969. Ao contrário do que o título sugere, a canção de amor foi composta para uma mulher - supostamente Shelley Albin - que tinha olhos castanhos, não azuis.

"Sweet Jane"

Faixa de "Loaded", disco lançado pelo Velvet Underground em 1970, foi regravada por artistas tão diferentes quanto Mott the Hoople, Cowboy Junkies, Phish e Sugarcubes. Reed costumava tocá-la nos shows, sendo uma das faixas também de "Rock 'n' Roll Animal", disco ao vivo lançado em 1974. 

"Perfect Day"

Faixa do disco "Transformer", de 1972, ganhou novos fãs na década de 1990, quando foi usada na trilha sonora do filme "Trainspotting" e virou single beneficente lançado pela BBC com a participação de vários artistas, chegando ao topo da lista de mais vendidos. A melancólica descrição do dia perfeito contém alguns versos duros, como "You're going to reap just what you sow" ("você vai colher exatamente o que semeou"). Foi regravada pelo próprio Reed em "The Raven", álbum de 2003.

"Walk on the Wild Side"

Também faixa de "Transformer" e o único single de Lou Reed que ficou entre os 20 mais vendidos da Billboard. Eleita uma das canções definitivas sobre Nova York pela revista "New York", descreve a jornada de várias pessoas pela cidade, fazendo uma série de referências a drogas e sexo. Destaque para o solo de saxofone de Ronnie Ross e o coro do grupo Thunderthigh.

"Vicious"

Faixa de "Transformer", foi escrita após uma conversa com Andy Warhol, segundo contou Reed em entrevista para a "Rolling Stone" em 1989. O rei da pop art teria sugerido tanto o título quando o verso principal, "you hit me with a flower" ("você me bateu com uma flor").

"Satellite of Love"

David Bowie faz backing vocals nesta canção do álbum "Transformer", que ele produziu com Mick Ronson. Na música, Reed especula sobre a infidelidade da namorada enquanto assiste ao lançamento de um satélite pela televisão. Apesar de não ter sido lançada pelo Velvet Underground, era tocada pelo grupo em gravações e shows, com algumas alterações na letra. 

"Coney Island Baby"

Faixa título do sexto álbum solo de Lou Reed, lançado em 1975, com título similar a de uma música de 1962 do Excellents e de outra de 1924 do Les Applegate. A canção de amor combina com o ambiente estranho da região de Coney Island, em Nova York: "Remember that the city is a funny place / Something like a circus or a sewer" ("Lembre-se de que a cidade é um lugar estranho / Algo como um circo ou um esgoto") O refrão, no qual Reed evoca a "glória do amor", é poderoso.

"Street Hassle"

Dividida em três partes e com 11 minutos de duração, essa espécie de "ópera de rock" é faixa do disco de mesmo nome lançado em 1978. Fala sobre prosituição masculina, drogas, amor e morte, com uma participação não creditada de Bruce Springsteen. Reed explicou assim a ideia da música: "Queria escrever uma canção que tivesse um grande monólogo. Algo que pudesse ter sido escrito por William Burroughs, Hubert Selby, John Rechy, Tennessee Williams, Nelson Algren, talvez Raymond Chandler. Misture tudo isso e você tem 'Street Hassle.'"



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