Morre o cantor Lou Reed, criador do Velvet Underground e ícone do rock

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Músico de 71 anos sofreu transplante de fígado em maio deste ano; relembre trajetória e veja fotos

Lou Reed, o ícone do rock que influenciou gerações de músicos como líder da banda Velvet Underground nos anos 1960 e se manteve um nome vital durante décadas com sua carreira solo, morreu neste domingo (27), aos 71 anos.

O agente literário de Reed, Andrew Wylie, afirmou que ele morreu pela manhã em Southampton (NY), nos EUA, por problemas de saúde relacionados a um um transplante de fígado realizado em maio. O cantor vivia no local com a mulher e também cantora Laurie Anderson, com quem se casou em 2008.

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Lou Reed, o anti-herói do rock

Embora nunca tenha alcançado o mesmo sucesso comercial de Beatles e Bob Dylan, Reed expandiu o território da composição de rock como poucos fizeram. E nenhuma banda foi mais importante do que o Velvet Underground para abrir o rock à arte experimental - teatro, filme, literatura, de William Burroughs a Kurt Weill, John Cage e Andy Warhol, frequente colaborador de Reed.

Lou Reed (1942-2013). Foto: Getty ImagesLou Reed (1942-2013). Foto: APLou Reed (1942-2013). Foto: APLou Reed (1942-2013). Foto: APLou Reed (1942-2013). Foto: Marco TomazzoniLou Reed (1942-2013). Foto: ReproduçãoLou Reed (1942-2013). Foto: Getty ImagesLou Reed (1942-2013). Foto: DivulgaçãoLou Reed (1942-2013). Foto: DivulgaçãoLou Reed (1942-2013). Foto: Getty ImagesLou Reed (1942-2013). Foto: DivulgaçãoLou Reed (1942-2013). Foto: Reprodução/FacebookLou Reed (1942-2013). Foto: Reprodução/FacebookLou Reed (1942-2013). Foto: Reprodução/FacebookLou Reed (1942-2013). Foto: Reprodução/FacebookLou Reed (1942-2013). Foto: Reprodução/FacebookLou Reed (1942-2013). Foto: Reprodução/FacebookLou Reed (1942-2013). Foto: Reprodução/FacebookLou Reed (1942-2013). Foto: Reprodução/FacebookLou Reed (1942-2013). Foto: Reprodução/FacebookLou Reed (1942-2013). Foto: Reprodução/Facebook

O indie rock começou essencialmente nos anos 1960 com Reed e o Velvet Underground. Os movimentos que vieram depois - punk, new wave, rock alternativo - foram influenciados pelo músico, cujas canções foram interpretadas por R.E.M., Nirvana, Patti Smith e inúmeros outros artistas.

"O primeiro álbum do Velvet Underground vendeu 30 mil cópias nos primeiros cinco anos. Acho que todo mundo que comprou essas 30 mil cópias formou uma banda", disse, certa vez, Brian Eno, produtor de álbuns do Roxy Music e do Talking Heads, entre outros.

Após ficar conhecido com a banda, Reed se lançou em carreira solo, produzindo uma série de álbum marcantes como "Transformer" e "Berlin", e criando canções que viraram clássicos, como "Walk on the Wild Side" e "Perfect Day".

Reed também foi um artista essencial de Nova York, como Martin Scorsese ou Woody Allen, representando como ninguém a cultura da Manhattan dos anos 1960 e 1970. A Nova York de Reed era uma cidade cansada, marcada por violência e povoada por drag queens e viciados em drogas, mas também fascinante.

Trajetória

Lewis Allan Reed nasceu em Nova York, na região do Brooklyn, em 2 de março de 1942. Filho de um contador, foi criado em Long Island, ao leste da cidade. Odiava ir à escola, amava rock and roll e tinha constantes brigas com os pais.

Durante a adolescência, segundo contou anos depois, foi forçado pela família a passar por um tratamento de eletrochoque como suposta "cura" para sua bissexualidade.

Em 1960 começou a estudar jornalismo, cinema e literatura na Universidade de Syracuse, onde encontrou seu primeiro grande mentor, o poeta Delmore Schwartz.

Após a formatura, começou a trabalhar como compositor na pequena Pickwick Records, onde conheceu John Cale, com quem começou a tocar. Com Sterling Morrison e Maureen Tucker, formaram o Velvet Underground.

Reprodução
Velvet Underground, uma das bandas mais influentes do rock

Em meados da década de 1960 a banda ensaiava na chamada "Factory", um espaço comandado por Andy Warhol que reunia diversos projetos e manifestaçòes artísticas. "Warhol era o grande catalisador", disse Reed à revista BOMB em 1998. "Tudo acontecia ao redor dele e por causa dele."

Por interferência de Warhol, a cantora alemã Nico entrou para o grupo, cantando várias das canções do ábum de estreia, "The Velvet Underground & Nico", de 1967, famoso pela capa criada por Warhol, com uma banana "descascável".

Na época, referências explícitas a sexo e drogas não eram tão comuns na música. Elas estavam presentes, porém, em várias canções de Reed, como "Heroin", "Waiting for My Man", "Venus in Furs" e "There She Goes Again".

Por causa disso, o grupo foi expulso de vários clubes e viu membros da plateia levantarem no meio do show. A imprensa também não sabia bem o que pensar do Velvet Underground, com o jornal norte-americano "New York Times" definindo o grupo, em 1966, primeiro de "a banda de jazz de Warhol", e, dias depois, de "uma combinação de rock and roll e música de dança do ventre."

Carreira solo

Reed só gravou mais três álbuns com a banda antes de sua saída, em 1970, quando deu início à carreira solo. Reed lançou álbuns que marcariam a história do rock, como "Transformer" (produzido por David Bowie e Mick Ronson), "Berlin", "Metal Machine Music" e "Coney Island Baby", alguns altamente experimentais.

Na década seguinte também lançou discos aclamados como "The Blue Mask", "Legendary Hearts" e "New Sensations". Nos anos 1990 também recebeu boas críticas por "Set the Twilight Reeling" e "Ecstasy". Até o fim da carreira, seguiu testando novos territórios, desde um álbum inspirado em Edgard Allan Poe, lançado em 2002, e uma colaboração com o Metallica, "Lulu", de 2011.

Ouça "Take a Walk on the Wild Side", de Lou Reed:

Foi a mulher do cantor, Laurie Anderson, quem revelou que ele tinha passado pelo transplante. "Ele estava morrendo", disse, em junho, ao jornal britânico "The Times". "Acho que ele nunca vai se recuperar totalmente, mas ele certamente voltará a fazer coisas em alguns meses. Estou muito feliz, é uma vida nova para ele."

O cantor, que sofreu com abusos de álcool e drogas no passado, também comentou a cirurgia em sua página no Facebook, em junho: 

"Eu sou um triunfo da medicina moderna, física e química. Estou maior e mais forte do que nunca. Meu Chen Taiji (arte marcial) e controle de saúde me ajudaram todos esses anos, graças ao Mestre Ren Guang-yi. Estou ansioso para voltar aos palcos, me apresentar e escrever mais músicas para me conectar com seus corações e espíritos e o universo no futuro".

Com AP e Reuters

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