50 anos sem Édith Piaf: cinco músicas para entender a diva da canção francesa

Por Susan Souza , iG São Paulo | - Atualizada às

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Morta aos 47 anos, a cantora apelidada de "pardalzinho" deixou músicas fortes sobre desilusões, amores e a situação da classe operária durante a Segunda Guerra

Divulgação
A cantora francesa Édith Piaf

Há 50 anos, Édith Giovanna Gassion, mais conhecida como Édith Piaf, teve sua voz silenciada por um câncer. Ícone da canção francesa, morreu com apenas 47 anos no dia 11 de outubro de 1963, mas deixou registros irretocáveis de seu vocal dramático e letras passionais. A obra de Piaf, muito afetada pelos acontecimentos trágicos de sua biografia, também contribui como um retrato da situação vivida pela classe operária europeia durante a Segunda Guerra Mundial.

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Édith Piaf. Foto: Reprodução/DivulgaçãoÉdith Piaf. Foto: Reprodução/DivulgaçãoÉdith Piaf. Foto: Reprodução/DivulgaçãoÉdith Piaf. Foto: Reprodução/Divulgação

Há 30 anos, a atriz brasileira Bibi Ferreira revisita o repertório da cantora parisiense. Édith também já foi tema de diversas adaptações para o teatro e material de filmes. Na cinebiografia mais famosa, "Piaf - Um Hino ao Amor", a atriz Marion Cotillard personifica a cantora em atuação assombrosamente convincente, pela qual ganhou o Oscar de melhor atriz.

Eterna diva da música francesa, a chanteuse Édith Piaf era especialista em interpretar baladas e chanson réaliste, estilo popularizado em cabarés e cafés franceses durante o final do século XIX até o período pós-Segunda Guerra Mundial.

Em geral, as letras do estilo chanson réaliste, normalmente cantadas por mulheres, falavam sobre as dificuldades e a pobreza da classe operária da época, tendo Édith Piaf como uma de suas maiores representantes. De origem pobre, além de cantar sobre sua realidade social, Piaf se destacava por mostrar com muita paixão temas de amor, perdas e sofrimento.

Ouça cinco músicas fundamentais para entender Édith Piaf:

1. "La Vie en Rose"

2. "Non, Je Ne Regrette Rien"

3. "La Foule"

4. "Padam Padam"

5. "Hymne à l'amour"

Biografia

Nascida em Belleville, Paris, filha de pai artista de rua e mãe cantora de um café, foi abandonada pela mãe ao nascer, tendo vivido por um curto período com a avó materna. Levada pelo pai para ser criada pela avó paterna, acabou sendo cuidada em um bordel quando o pai serviu ao exército francês durante a Primeira Guerra Mundial.

Dos três aos sete anos, a pequena Piaf foi diagnosticada com cegueira tendo se curado após uma peregrinação, acontecimento que a fez acreditar ter recebido um milagre. Posteriormente, médicos julgaram que a melhoria nas condições de higiene teriam sido a causa para a retomada da visão, pois Édith ficou cega no período em que morava no bordel e lá teria contraído uma inflamação nos olhos.

A primeira vez que Piaf cantou em público foi em 1929, aos 14 anos, quando acompanhou o pai em uma performance de rua. No entanto, foi na companhia da amiga Simone "Mômone" Berteaut que Édith passou a cantar nas ruas com frequência, e a começar a ganhar dinheiro por isso.

Seu primeiro amor, Louis Dupont, tentou convencê-la a ter "empregos normais", os quais ela sempre declinou até ficar grávida e aceitar um trabalho em uma fábrica. A filha Marcelle nasceu em 1933, quando Édith tinha apenas 17 anos, mas isso não a impediu de voltar a cantar nas ruas. Aos dois anos, Marcelle morreu de meningite e a cantora nunca mais voltou a ter filhos.

Piaf foi então descoberta no ano de 1935 por Louis Leplée, dono do clube Le Gerny, que a apelidou de "La Môme Piaf", em tradução literal, "Pequeno Pardal", alcunha que adotou posteriormente para seu nome artístico. Foi Leplée que lhe ensinou a se portar no palco e instruiu a cantora a usar um vestido preto, figurino que se tornaria uma marca em seus shows.

Devido à grande publicidade que Leplée conseguiu para os shows de Piaf, foi possível gravar seus dois primeiros discos naquele período. Entretanto, a carreira da proeminente cantora quase foi ameaçada após a morte de seu mecenas Leplée, que foi assassinado.

Autora de muitas de suas letras de tom pessoal, Piaf também foi dona de muitos amores conturbados. Em termos de sucesso profissional, a cantora consolidou seu nome na França e internacionalmente, tendo excursionado pela Europa, Estados Unidos e América do Sul.

Seu grande amor foi o boxeador Marcel Cerdan, que morreu em um acidente de avião, em 1949. Já os problemas com álcool teriam começado após um acidente de carro que ela sofreu em 1951, época em que fez um delicado tratamento à base de morfina para se recuperar da quebra de um braço e duas costelas.

O primeiro marido, oficialmente, foi o cantor Jacques Pills, com quem se casou em 1952 e se separou em 1957. Em 1962, casou com o grego Théo Sarapo (Theophanis Lamboukas), que era 20 anos mais novo.

Em 11 de outubro de 1963, Édith Piaf morreu de câncer, aos 47 anos, em Grasse, na Riviera Francesa. Seu corpo foi levado a Paris e enterrado no cemitério de Père-Lachaise ao lado de sua filha Marcelle, sendo um grande ponto de visitação turística e homenagens até hoje.

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