Bixiga 70 estreita relações com o centro de SP: "É amor e ódio pela cidade"

Por Susan Souza , iG São Paulo |

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Com o segundo disco mixado durante as manifestações, banda reforça influências africanas e latinas sem perder o traço paulistano; integrante fala ao iG

Nicole Heiniger
O grupo Bixiga 70

A mixagem do segundo disco do grupo instrumental Bixiga 70 foi feita, coincidentemente, em sincronia com as manifestações que tomaram o País em junho de 2013. "Estávamos fazendo a mixagem no (edifício) Copan, ouvimos um barulho e era a manifestação que estava passando pela (avenida) Ipiranga. Descemos para acompanhar", conta ao iG o trompetista Daniel Gralha, um dos 10 integrantes da banda.

Ainda que a sonoridade do Bixiga 70 seja alegre e otimista, a referência aos problemas do País e à cidade de São Paulo permanecem subentendidas desde o disco de estreia, ainda que apenas nas intenções e não diretamente nos arranjos. "É o amor e ódio pela cidade", sintetiza Gralha. "Acho que todos nós carregamos o desejo de ver as coisas tendo uma melhora e o que vemos em São Paulo não é bem isso. Em diversos pontos a cidade não está melhorando", avalia. 

O nome do grupo também denomina o tradicional bairro boêmio da região central da capital paulista, o Bixiga, famoso ainda por suas cantinas italianas. É no número 70 da rua Treze de Maio que está o estúdio onde o conjunto foi fundado. Anualmente, o grupo propõe a tomada da rua no "Dia do Grafite" para ocupações artística a céu aberto, e de graça.

Divulgação
Capa do segundo disco feita por MZK

"Vivemos a cidade de forma muito intensa por estamos no centro. É um encontro de diversas culturas e somos fruto disso", conta o trompetista. O segundo disco, que tem a arte da capa feita por MZK, não poderia ser diferente na intensidade. Há boa desenvoltura na mistura de influências que vão do afrobeat, marca do primeiro trabalho, às raízes dançantes do samba e da música latina.

"As composições ficaram mais diversificadas e obviamente a maturidade de um grupo de 10 pessoas trabalhando juntas tem um reflexo inegável", diz. O Bixiga 70 é formado por Décio 7 (bateria), Marcelo Dworecki (baixo), Maurício Fleury (teclado e guitarra), Cris Scabello (guitarra), Rômulo Nardes (percussão), Gustavo Cecci (percussão), Cuca Ferreira ( sax barítono), Daniel Nogueira (sax tenor), Douglas Antunes (trombone) e Daniel Gralha (trompete).

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