William DuVall não faz vocalista original ser esquecido, mas ajuda a dar esperança para que a banda siga com padrão de qualidade e mantenha a força dos hits antigos

Alice in Chains toca em São Paulo
Marcelo Rossi/Divulgação
Alice in Chains toca em São Paulo

Homenagens marcaram a apresentação do Alice in Chains em São Paulo nesta quinta-feira (26), no Espaço das Américas. O grupo não deixou de mencionar em momento algum o nome de Layne Staley, co-fundador e vocalista da formação original, vítima de uma overdose em 2002.

Staley e o ex-baixista Mike Starr (morto em 2011 pelo mesmo motivo) foram constantemente homenageados pelos membros atuais da banda. Seja pelas iniciais no bumbo da bateria, nas camisas da seleção brasileira penduradas em cima do palco ou nas palavras do guitarrista Jerry Cantrell antes de “Nutshell”.

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William DuVall, substituto de Staley, não fará os fãs se esquecerem do antecessor, mas conseguiu agradar aos que o viram de perto pela primeira vez. “Ele não é o Layne, mas canta muito e também toca guitarra”, disse Cláudio Cristofani, de 44 anos, que destaca a forma com a qual DuVall impôs sua personalidade na banda. “Ficou legal porque achei que ele não quis imitar o Layne. Cantou do jeito dele”, completou o técnico de processamento de dados.

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Fã de Alice in Chains desde a adolescência, Gian Piero Frallicciardi, de 32 anos, não escondeu que gostaria de ter tido a oportunidade de assistir à formação original da banda a vivo, mas aprovou o que viu do vocalista atual no palco. “É uma das poucas vezes que me lembro de um membro tão importante ser substituído e a banda continuar em alto nível”, observou o autônomo.

Destas poucas vezes, dois exemplos foram citados por Murilo Borges, jornalista de 27 anos. “Comparo essa troca ao que aconteceu no AC/DC e no Van Halen”, disse ele. “No AC/DC, saiu o Bon Scott e entrou o Brian Johnson. Prefiro um pouco mais o Scott, mas o Johnson também é ótimo. No Van Halen, apesar de o Sammy Hagar ser diferente do David Lee Roth, o nível se manteve”, opinou.

A mulher de Murilo, a educadora física Mayra Paolucci, de 26 anos, admitiu que DuVall a surpreendeu. Vestindo uma camisa estampada com a capa do álbum “Dirt”, lançado em 1992, ela contou que achava complicado alguém conseguir substituir o antigo vocalista à altura. “Ele é completo. Não vai apagar o que o Layne fez, mas não deixa a desejar. E ele é bastante ativo em cima do palco, coisa que o Layne não era”, declarou.

Mesmo quem já tinha visto DuVall ao vivo continuou a tecer elogios. É o caso de Francisco Oliveira. O analista de marketing, de 29 anos, esteve presente no show da banda de 2011 no SWU – festival realizado naquele ano na cidade de Paulínia, interior de São Paulo. “A voz dele é tão impactante quanto a do Layne. Ele me agradou muito. A banda acertou em cheio com esse substituto. É um grande frontman”, afirmou.

Desde a chegada de DuVall, o Alice in Chains já fez dois álbuns: “Black Gives Way to Blue", de 2009, e “The Devil Put Dinosaurs Here”, lançado neste ano. Das 17 músicas tocadas em São Paulo nesta quinta, cinco vieram destes trabalhos.

“Eu prefiro a fase anterior, mas essa atual não deixa nada a desejar”, disse Gian Piero. “Eles mantêm o peso, que é o mais importante. Acredito que a banda vai matar a saudade dos fãs antigos por onde passar e conquistar novos com o som que estão fazendo.”

“Esses álbuns já renderam algumas músicas muito boas”, afirmou Murilo, lembrando-se especificamente de “Check My Brain”, do “Black Gives Way to Blue”, e de “Voices”, canção do “The Devil Put Dinosaurs In Here” que acabou sendo deixada de lado pela banda na apresentação de São Paulo. “Se continuarem assim, terão material para fazer até dois shows completamente diferentes”, concluiu.

Os elogios aos álbuns gravados com DuVall foram ainda mais generosos por parte de Francisco, que os colocou ao lado dos dois primeiros da discografia da banda: “Pra mim, são do mesmo nível que Dirt e Facelift”, opinou.

Veja a relação das músicas tocadas pelo Alice in Chains em São Paulo:

Them Bones
Dam That River
Hollow
Check My Brain
Again
Man In The Box
Your Decision
Last Of My Kind
Stone
It Ain’t Like That
We Die Young
Sludge Factory
Grind
Nutshell
Would?
Rooster

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