Bruce Springsteen representa "a voz e a experiência das pessoas comuns"

Por Susan Souza , enviada ao Rio de Janeiro |

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Leia entrevista com o autor de "Bruce", a biografia do cantor que toca no Rock in Rio neste sábado

Por ser encantado pela vida e pelas canções de Bruce Springsteen desde a adolescência, o jornalista norte-americano Peter Ames Carlin escreveu 518 páginas (Ed. Nova Cultura) sobre o músico de New Jersey. "Acho que Bruce representa uma faceta importante e muitas vezes negligenciada da cultura norte-americana", conta o autor em entrevista ao iG.

Ao pesquisar informalmente sobre o cantor há 30 anos, Peter reuniu material denso para sua obra. O autor conseguiu entrevistas com familiares e integrantes da E Street Band, que falaram sem filtros sobre momentos conturbados do grupo. Para escrever "Bruce", Carlin ainda teve um acesso essencial para obter informações até mesmo sobre os acontecimentos ruins: "O cara mais insistente para que eu considerasse todas as falhas foi o próprio Bruce".

Show de Bruce Springsteen no Espaço das Américas, em São Paulo. Foto: DivulgaçãoShow de Bruce Springsteen no Espaço das Américas, em São Paulo. Foto: DivulgaçãoShow de Bruce Springsteen no Espaço das Américas, em São Paulo. Foto: DivulgaçãoShow de Bruce Springsteen no Espaço das Américas, em São Paulo. Foto: DivulgaçãoShow de Bruce Springsteen no Espaço das Américas, em São Paulo. Foto: DivulgaçãoShow de Bruce Springsteen no Espaço das Américas, em São Paulo. Foto: DivulgaçãoShow de Bruce Springsteen no Espaço das Américas, em São Paulo. Foto: DivulgaçãoShow de Bruce Springsteen no Espaço das Américas, em São Paulo. Foto: DivulgaçãoShow de Bruce Springsteen no Espaço das Américas, em São Paulo. Foto: DivulgaçãoShow de Bruce Springsteen no Espaço das Américas, em São Paulo. Foto: DivulgaçãoShow de Bruce Springsteen no Espaço das Américas, em São Paulo. Foto: DivulgaçãoShow de Bruce Springsteen no Espaço das Américas, em São Paulo. Foto: DivulgaçãoShow de Bruce Springsteen no Espaço das Américas, em São Paulo. Foto: DivulgaçãoShow de Bruce Springsteen no Espaço das Américas, em São Paulo. Foto: DivulgaçãoShow de Bruce Springsteen no Espaço das Américas, em São Paulo. Foto: DivulgaçãoShow de Bruce Springsteen no Espaço das Américas, em São Paulo. Foto: DivulgaçãoShow de Bruce Springsteen no Espaço das Américas, em São Paulo. Foto: DivulgaçãoShow de Bruce Springsteen no Espaço das Américas, em São Paulo. Foto: DivulgaçãoShow de Bruce Springsteen no Espaço das Américas, em São Paulo. Foto: DivulgaçãoShow de Bruce Springsteen no Espaço das Américas, em São Paulo. Foto: DivulgaçãoShow de Bruce Springsteen no Espaço das Américas, em São Paulo. Foto: DivulgaçãoShow de Bruce Springsteen no Espaço das Américas, em São Paulo. Foto: Divulgação

Tragédias familiares, momentos de tensão com a E Street Band, instabilidade, generosidade, egoísmo e toda a dualidade do biografado estão no livro, que começa a narrativa desde o tempo de seus avós e as raízes em New Jersey. A explicação definitiva para o apelido "The Boss" (O Chefe), já é fornecida logo nas primeiras páginas.

O apelido veio no começo do ano de 1971, criado pelo próprio Bruce, mas não era levado muito a sério até que o companheiro de banda Steven Van Zandt começou a chamar o cantor de "Boss", alega Steven em entrevista a Carlin. No entanto, Bruce explica que foi apenas um termo que surgiu porque as pessoas que trabalhavam para ele se dirigiam assim pela "praticidade".

Na quarta, Bruce Springsteen surpreendeu o público de São Paulo ao abrir o show com "Sociedade Alternativa", de Raul Seixas, em show de mais de três horas.

No Rock in Rio, o cantor de 63 anos terá menos tempo (cerca de 1h45) e poderá começar com alguma outra surpresa que envolva música brasileira, além de músicas como "This Little Light of Mine", "Thunder Road", "Born to Run" e uma versão acústica de "This Hard Land".

Leia abaixo a entrevista com o autor da biografia "Bruce":

Divulgação
Capa de "Bruce", de Peter Ames Carlin

iG: Quando você começou a escrever o livro?
Peter Carlin: Comecei oficialmente no outono de 2009, mas havia um trabalho de mais de 30 anos de pesquisa informal que eu aumentei lá em 1978, quando fui conquistado pela música de Bruce e comecei a colecionar livros, revistas etc. Ser um adolescente e um jovem adulto que guardava tudo se provou muito valioso quando me tornei um jornalista. Terminei de escrever o livro na metade de 2012.

iG: Foi difícil chegar até o Bruce? Como foi a colaboração dos parentes e amigos dele?
Peter Carlin: O empresário dele, Jon Landau, me procurou no inverno de 2011. Com a aprovação de Bruce, eu trabalhei com a cooperação deles a partir daquele momento. Eu não havia encontrado ou falado com Bruce diretamente até o final de outubro daquele ano, mas assim que ele se envolveu com o livro ele ficou totalmente empenhado em me ajudar em tudo o que podia. Ele não hesitou em falar sobre a maioria das coisas, mesmo das passagens mais difíceis do passado, mas claro que tiveram momentos mais íntimos dos quais ele não falou. Bruce me abriu as portas de sua família e eu falei bastante com sua mãe, tias e as duas irmãs, assim como com alguns de seus primos mais próximos. Todos são muito amáveis, inteligentes, divertidos e inspiradores, e um pouco ansiosos para falar sobre Bruce com honestidade, profundidade e uma grande dose de afeto.

iG: Qual é o acontecimento mais impressionante da vida de Bruce?
Peter Carlin: Ele é muito parecido com o que pensamos que ele seja. Ou quem eu pensava que ele fosse, enfim. Depois de tantos anos ouvindo a música dele e idealizando sobre as coisas que ele falava nas entrevistas, eu esperava que ele fosse inteligente, divertido, criativo e extraordinariamente complicado. Ele é todas essas coisas, e ainda é generoso, egoísta, compreensivo, bravo, azedo e esperançoso. Seu talento fala por si só, claro, e eu realmente acho que ele é um cara muito decente. É uma coisa simples, mas é a mais essencial que uma pessoa pode ser. Isso é impressionante.

iG: Por que você escolheu pesquisar e escrever sobre esse tema?
Peter Carlin: Gosto muito da música dele e acho que ele representa uma faceta importante e muitas vezes negligenciada da cultura norte-americana, que é a voz e experiência das pessoas comuns. Ou como ele mesmo descreve, as pessoas que não mudam necessariamente o mundo, mas continuam fazendo com que ele gire dia a dia. Tanto que ele é um link entre artistas, jornalistas e músicos incluindo Stephen Foster, Mark Twain, Woody Guthrie, John Steinbeck, Bob Dylan e por aí vai. Nesse ponto da história dos Estados Unidos, quando a disparidade econômica é tão profunda, não pude pensar em outro assunto que fosse mais importante para mim. Também achei que seria divertido passar alguns anos escutando as músicas dele, indo aos seus shows e passeando em New Jersey.

iG: Como foi abordar fatos não tão agradáveis? Você se preocupou em como Bruce se sentiria?
Peter Carlin: Não tenho problema em escrever sobre os aspectos não tão perfeitos em meus textos. Bruce seria uma pessoa bem menos interessante – e um artista bem mais fraco – se ele não passasse por contradições e momentos sombrios. Não tinha jeito, se eu ia escrever sobre ele teria que levar isso em consideração. E uma das coisas mais legais desse projeto é que o cara que foi mais insistente para que eu considerasse todas as falhas foi o próprio Bruce Springsteen.

iG: O que há de especial em escrever uma biografia?
Peter Carlin: Além do prazer de escrever sobre músicos, particularmente os grandes artistas que tenho prestado atenção na última década, é poder usá-los como uma janela para a história – social, política e artística – e se isso funcionar corretamente, revelar algo importante sobre a interação entre a cultura popular e as coisas densas que impulsionam toda a cultura mundial. Nesse momento estou trabalhando em um livro sobre Paul Simon, cujo impacto global não pode ser subestimado. Com Bruce, eu estava ansioso para explorar as ressonâncias mais profundas de sua visão populista da história norte-americana e o apelo mundial de seu progresso, perspectivas humanas e países e sua importância da comunidade. Não quero nunca escrever apenas sobre música, porque músicas não são somente músicas. Eu acho que é o som da vida, da esperança, da ansiedade e ainda é o apetite primordial para que todos se sintam aquecidos e conectados em suas vidas.

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