Polícia registra suicídio em BO e diz que não havia drogas na casa de Champignon

Por Susan Souza , iG São Paulo | - Atualizada às

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Ex-integrante do Charlie Brown Jr. foi encontrado morto com um tiro na cabeça; de acordo com delegada, ele teve uma discussão com a mulher

A polícia registrou como "suicídio consumado" a morte de Champignon, ex-baixista do Charlie Brown Jr. e vocalista do grupo A Banca. O corpo do músico de 35 anos foi encontrado na madrugada desta segunda-feira (9) em seu apartamento em São Paulo, seis meses depois de Chorão, vocalista do Charlie Brown Jr., ter sofrido overdose de cocaína.

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De acordo com a delegada Milena Suegama, do 89º Distrito Policial, o corpo foi encontrado com um tiro na lateral direita da cabeça, e não na boca, como divulgado inicialmente. Um primeiro tiro foi disparado no chão, "como que para testar a arma", disse a delegada.

Segundo Suegama, não havia nenhum tipo de droga, tranquilizante ou antidepressivo no apartamento, que estava arrumado. O corpo de Champignon será velado e enterrado em Santos, cidade do litoral paulista onde nasceu, no mesmo cemitério em que Chorão foi sepultado.

Champignon é encontrado morto seis meses após o falecimento de Chorão. Foto: Futura PressImagem de arquivo mostra Champignon durante homenagem a Chorão. Foto: Carlos Junior/Futura PressPeritos carregam corpo de Champignon para análise no IML
. Foto: Futura PressIrmã de Champignon chega acompanhada ao IML (Instituto Médico Legal)
. Foto: Futura PressPolícia chega ao local, no Morumbi, zona sul de São Paulo. Foto: Futura PressChampignon posa ao lado de Chorão . Foto: DivulgaçãoChampignon se apresenta no programa de Serginho Groisman . Foto: Globo/ Reinaldo MarquesChampignon com Serginho Groisman e Marcelo D2. Foto: Globo/ Reinaldo MarquesChampignon apresenta formação do grupo A Banca em abril de 2013. Foto: Globo/ Reinaldo MarquesChapignon apresenta formação do grupo A Banca em abril de 2013. Foto: Globo/ Reinaldo MarquesBanda A Banca, formada pelos integrantes do Charlie Brown Jr. depois da morte de Chorão. Foto: Divulgação

Suegama afirmou que, na noite de domingo (8), Champignon jantou com a mulher, Cláudia Campos, grávida de cinco meses, e um casal de amigos (o músico já era pai de uma menina de sete anos). Campos contou que os dois tiveram uma discussão no restaurante, mas não revelou sinais de agressão física e disse que o músico "era muito carinhoso".

O síndico do prédio, Gino Castro, afirmou que o casal chegou de carro e subiu até o apartamento no 10º andar de elevador. As imagens da câmera de segurança, já entregues à polícia, mostraram que eles aparentemente não conversavam.

O síndico chegou a mencionar à imprensa que Champignon fizera um gesto de "já chega", passando a mão no pescoço. Depois, negou a informação e disse que os dois "subiram tranquilos para casa".

"Eles nunca deram nenhum problema", disse Castro. "Eram supertranquilos e muitos solidários com a molecada."

Ao chegar em casa, Champignon se isolou no quarto em que guardava instrumentos, sem trancar a porta. Quando ouviu um tiro, por volta das 0h20, Campos tentou entrar no local, mas não conseguiu porque o corpo impedia a abertura da porta.

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Segundo o relato de Campos, ela saiu gritando e encontrou o vizinho Alexandre Benaion, que ouvira o barulho e já seguia em direção ao apartamento. Benaion chamou a polícia, que atendeu a ocorrência.

Autoridades encontraram a arma nas mãos de Champignon. Campos, em choque, foi levada ao hospital, mas já recebeu alta. O bebê, segundo ultrassom, passa bem.

A mulher afirmou à polícia que o músico andava "muito preocupado" com as críticas que saíam na imprensa sobre A Banca, grupo que formou com os remanescentes do Charlie Brown Jr. após a morte de Chorão.

A polícia aprendeeu a carteira, o computador, o celular e alguns instrumentos do músico para investigação. Champignon tinha duas armas em casa e pelo menos uma delas estava registrada em seu nome. Familiares e amigos ainda serão convocados para depoimento.

Ainda em luto por Chorão, fãs prestaram homenagens em frente ao apartamento e ao IML. Artistas como Junior Lima, Dinho Ouro Preto e Tico Santa Cruz lamentaram a morte nas redes sociais. Um disco inédito do Charlie Brown Jr. será lançado neste mês.

Trajetória

Luiz Carlos Leão Duarte Junior, como era batizado Champignon, nasceu em Santos, cidade onde o Charlie Brown Jr. se formou, em 1992. Na época, era menor de idade e tinha de ter autorização para fazer shows.

Reprodução/Facebook
Champignon foi baixista do Charlie Brown Jr. e vocalista de A Banca

A banda lançou nove discos de estúdio e teve diversas formações - Chorão foi o único a integrar todas elas. O sucesso veio em 1997, com o lançamento do álbum "Transpiração Contínua Prolongada". Canções como "Proibida Pra Mim (Grazon)", "Tudo o que ela Gosta de Escutar", "Gimme o Anel" e "O Coro Vai Comê!" caíram no gosto do público, principalmente o jovem, e fizeram com que o disco vendesse mais de 500 mil cópias.

A trajetória do Charlie Brown Jr. foi marcada por desentendimentos entre os integrantes. A mais grave ocorreu em 2005, quando Champignon, Marcão, Renato e Pelado deixaram o grupo alegando divergências musicais.

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Em 2011, Champignon e o guitarrista Marcão voltaram a integrar o Charlie Brown Jr. Mas isso não significaria o fim das polêmicas. Em 2012, durante show em Apucarana (PR), Chorão deu uma bronca pública no baixista, dizendo que ele deveria "ficar muito grato" por ter sido aceito de volta após tê-lo acusado de roubar dinheiro do grupo.

Após ouvir a bronca calado, Champignon deixou o palco sob aplausos e gritos de "arregou". Dois dias depois, a banda divulgou um vídeo no qual Chorão se desculpou pelo ocorrido, dizendo que o problema estava resolvido. Em seguida, o baixista disse estar arrependido sobre o que falou do vocalista.

No tempo em que saiu do Charlie Brown Jr., Champignon participou de vários outros projetos. O mais famoso foi a banda Nove Mil Anjos, na qual tocou de 2008 a 2009. O grupo também contava com Junior Lima, Péricles Carpigiani e Peu Sousa, que cometeu suicídio em maio deste ano.

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