Sérgio Reis: "Não estou preocupado se sou famoso, levo minha vida cantando"

Por Susan Souza , iG São Paulo |

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Cantor lança "Questão de Tempo", primeiro disco de inéditas em 10 anos; leia entrevista ao iG

Divulgação
Sérgio Reis

"Será que esse disco vai fazer sucesso? É uma questão de tempo", analisa o cantor sertanejo Sérgio Reis ao iG, sobre seu mais novo trabalho, "Questão de Tempo", primeiro disco de inéditas após uma pausa de 10 anos.

A faixa-título tem participação especial de Moacyr Franco. "Quando o Moacyr estava gravando, começou a chorar no meio. É pela emoção da música, é bonito ouvir isso", conta sobre a gravação da faixa considerada "romântica".

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Sérgio Reis. Foto: Divulgação/FacebookSérgio Reis. Foto: Divulgação/FacebookSérgio Reis. Foto: Divulgação/FacebookSérgio Reis. Foto: Divulgação/FacebookSérgio Reis. Foto: Divulgação/FacebookSérgio Reis. Foto: Divulgação/Facebook

Em seu novo trabalho, Sérgio passa por uma sonoridade mais moderna, como na alegre "Morena Faz de Conta" e em "Casei Porque Bebi", mas não abandona a tradicional ambiência da moda de viola como em "Choro de Saudade" e "Matuto".

"Procurei resgatar as coisas, primeiro a situação do cara que gosta do lugarzinho dele, o cara que gosta daquela vidinha e não sai de lá. Como em "Matuto", por exemplo", classifica.

Leia mais: Sérgio Reis: “Sou um artista que a garotada gosta. Me sinto o Xuxo”

Já sobre "Meu lugar", Sérgio acredita que a faixa resume como é seu "canto" atualmente, na casa onde mora com os pés na Serra da Cantareira, zona norte de São Paulo.

"No meu quintal tem macaco, esquilos, tucanos, pássaros, tem saguis que ficam assobiando. Tenho fogão à lenha, nasci em Santana e ainda moro lá", orgulha-se.

Desencontro de informação

Composta por Vitor Chavez, da dupla Victor & Leo, a música "Fazenda Paraíso" fala de um cantinho tranquilo com "boi, viola e pinga boa" em algum lugar do Brasil, temática recorrente nas letras sertanejas.

Essa não foi a primeira vez que Vitor ofereceu uma música para Sérgio. "Há muito anos, ele me deu um CD com uma música dele, mas não colocou o nome, só o telefone e eu não consegui gravar", explica sobre "Vida Boa", faixa que era para ser de Sérgio Reis, mas acabou se tornando conhecida na voz da dupla por causa desse desencontro.

"Levo minha vida cantando"

Entre uma resposta e outra, Sérgio Reis, 73 anos, que começou a carreira musical nos anos 1960 junto com a jovem guarda, canta trechos das músicas que menciona e explica como faz para manter a carreira ativa. "Trabalho que nem um animal, mas sou uma pessoa tranquila e educado com todo mundo."

"Se uma pessoa te dá um tapa, você nunca esquece. Não estou preocupado se sou famoso, levo minha vida cantando", conta, além de pontuar que acha ruim quando um artista se recusa a dar atenção aos fãs e imprensa. "Ele fecha as portas para ele mesmo", avalia.

Telenovelas

Grandes momentos da carreira de Sérgio Reis aconteceram fora dos palcos, quando atuou em telenovelas. "Se o Benedito Ruy Barbosa precisar de mim, eu não tenho o que discutir com ele. Nem eu nem o (Almir) Sater", conta, ao relembrar sobre a atuação dele e do cantor do Mato Grosso do Sul na novela "Pantanal" (1990).

Sérgio ainda atuou em outros trabalhos que contribuíram para sua visibilidade nacional, como "Paraíso" (1982) e "O Rei do Gado" (1986), ambas também escritas pelo dramaturgo Benedito Ruy Barbosa, além de "Bicho do Mato" e outros trabalhos.

Internet

Sérgio Reis gosta de se manter informado, mas a internet não parece ser um de seus meios de comunicação favoritos. "Não perco muito tempo com isso, só para procurar coisas para a minha cultura."

"Estava observando o aeroporto e todo mundo na sala de espera estava com o maldito celular. Ninguém olha mais um para a cara do outro. A pessoa não desliga nem para comer", diz, rindo, sobre aqueles que "trocam o contato pelo computador".

"Se não se informar você fica aculturado"

O cantor também mostra interesse pelo atual contexto político do País: "Está todo mundo com a bandeira do Brasil nas costas, ninguém tolera mais a corrupção em Brasília."

"Eu assisto à TV Senado, vejo o plenário, preciso saber disso porque me encontro (com políticos) na rua e troco ideia. Se não se informar, você fica aculturado e não aprende nada."

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