Eddie Trunk: "Soa estranho ter a Madonna no Rock and Roll Hall of Fame"

Por Susan Souza , iG São Paulo |

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Apresentador virá ao Brasil pela primeira vez para ser mestre de cerimônia do Monsters of Rock, que acontece em 19 e 20 de outubro em São Paulo

Divulgação
O apresentador Eddie Trunk

Os 15 minutos de entrevista com o apresentador norte-americano Eddie Trunk se transformaram em meia hora com facilidade. Muito comunicativo e empolgado em elaborar suas respostas, Eddie contou ao iG sobre a alegria de vir ao Brasil pela primeira vez, acontecimento marcado para 19 e 20 de outubro quando será mestre de cerimônia do festival Monsters of Rock.

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"Escuto muito sobre o quanto meu programa é popular no Brasil. Eu nunca fui ao País e esperava ter uma oportunidade de ir", explica o apresentador do programa That Metal Show, do canal VH1 Classic, que mostra bandas e conteúdo voltado ao público fã de hard rock e heavy metal.

Atualmente  com 49 anos, Eddie também sonhou em ser músico, mas a empreitada não deu certo porque "faltou paciência". Em compensação, fincou raízes no rock ao escrever sobre o gênero para o jornal do colégio ou ainda quando trabalhou como vendedor em uma loja de discos nos anos 1980. Desde então, nunca mais trabalhou em outra área.

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Pesquisador de música desde a adolescência, anima-se para falar sobre as escolhas "polêmicas" de artistas escolhidos para o Rock and Roll Hall of Fame, entidade que Eddie condena fortemente por "ter ignorado durante anos nomes como Rush e Alice Cooper, que foram influências para o rock and roll".

Em 24 de setembro, lança nos Estados Unidos o livro "Eddie Trunk's Essential Hard Rock and Heavy Metal - Volume II", sequência de sua primeira obra como autor e guia essencial para quem quer conhecer mais sobre a especialidade musical do apresentador.

Leia abaixo a entrevista de Eddie Trunk:

Divulgação
Eddie Trunk

iG: Como surgiu a ideia de apresentar o Monsters of Rock no Brasil?
Eddie Trunk: Escuto muito sobre o quanto meu programa é popular por aí. Nunca fui ao País, esperava ter uma oportunidade de ir. Um amigo me conectou com um produtor do festival, que falou com meu empresário e tudo funcionou muito bem. Tenho feito várias apresentações como essa em cidades dos Estados Unidos, mas poucas fora.

iG: Você está por dentro do cenário de bandas brasileiras de rock?
Eddie Trunk: Não conheço muito além do Sepultura, mas soube que há uma grande cena com muitas bandas. Espero conhecer quando for ao Brasil.

iG: Como é respirar rock and roll o tempo todo?
Eddie Trunk: São 30 anos trabalhando com música. Queria ser baterista, mas não rolou, não tive paciência e fiquei frustrado. Falei para mim mesmo: 'Como eu poderia fazer parte desse meio sem tocar?'. A primeira coisa que fiz foi escrever para o jornal do colégio, depois trabalhei numa loja de discos por muitos anos e isso me levou a trabalhar em uma gravadora. Faço programas de rádio desde 1983. Comecei na TV em 2002 e uma coisa foi levando à outra. Sempre tratei a música com muito respeito, é uma atividade pela qual sou apaixonado, me importo e tenho muito interesse. As pessoas talvez se surpreenderiam se eu dissesse que ainda não é fácil manter tudo isso rolando. Continuo me esforçando o tanto quanto 30 anos atrás.

iG: Você ouve rock mesmo quando está relaxando?
Eddie Trunk: Rock é o único tipo de música que eu ouço e gosto de verdade. Tive contato com muitos outros gêneros quando trabalhei na loja de discos, quando era bem jovem. As pessoas não imaginam o tanto que eu sei de outros estilos, especialmente música pop dos anos 1980, porque foi bem na época que trabalhei na loja. Outra coisa que amo é esportes, principalmente futebol americano. É o que eu vejo quando tiro uma folga da música.

Reprodução
Capa do segundo livro de Eddie Trunk

iG: Como estão indo os seus livros? Pensa em escrever mais?
Eddie Trunk: Já lancei um volume, o segundo está saindo em 24 de setembro nos Estados Unidos, é uma sequência. O primeiro foi muito bem e a editora quis fazer a continuação. As pessoas gostaram do formato, da mistura de textos e fotos. O segundo tem a mesma linha, mas com bandas completamente diferentes. Eu me divirto muito escrevendo, mas o mais importante é quando as pessoas me contam que gostaram, que presentearam os filhos. É empolgante, nunca tinha me imaginado como um escritor.

iG: Qual é o maior desafio da mídia tradicional para manter suas coberturas de música relevantes com a proliferação de blogs e mídias independentes?
Eddie Trunk: O grande desafio que eu vejo para a mídia em geral é que, por causa dessa quantidade de formas de distribuição da informação, tudo se tornou meio ilusório. Qualquer jornalista ou pessoa da mídia precisa ver como se diferenciar dos outros, causar algum impacto verdadeiro e se tornar conhecido por algo. Com a internet, todo mundo pode dizer que tem um programa de rádio ou de TV. O lado bom é que a mídia tem mais oportunidades do que nunca para trabalhar. O lado ruim é como fazer as pessoas se ligarem nesse conteúdo, porque hoje em dia há tantos links, qual seria o bom? Como permanecer? Acho que esse é o grande desafio, porque qualquer um pode dizer que está na mídia por causa da tecnologia.

iG: Você acha que o rock não estaria tão forte como antigamente?
Eddie Trunk: Um problema é que algumas bandas estão fazendo turnês demais. Tocam na mesma cidade duas ou três vezes ao ano e os fãs não conseguem pagar para ver todos os shows. Antes costumava ser muito especial quando uma banda vinha para tocar em sua cidade depois de anos. Agora, você tem três ou quatro oportunidades por ano. As bandas estão fazendo de tudo para poder viver de música, antes se fazia dinheiro com venda de discos e turnês para vender o álbum. Agora o modelo de negócios mudou, o disco não significa muito em termos de venda, serve para promover a banda a voltar para a estrada. Os fãs não conseguem apoiar tudo, é financeiramente pesado e isso é um grande problema.

iG: Por que você acha que cantores como Madonna não merecem estar no Rock and Roll Hall of Fame?
Eddie Trunk: Quando você tem algo chamado Rock and Roll Hall of Fame e você coloca a Madonna lá e bandas como Rush, Judas Priest e Motorhead continuam a ser ignoradas, isso levanta algumas questões. Eu faço de tudo para expor e fazer o correto com as bandas que estão sendo tragicamente ignoradas. As pessoas me dão os créditos porque finalmente o Rush e o Alice Cooper entraram para o Hall não muito depois que eles foram no meu programa de TV. Madonna e Public Enemy soam um pouco estranhos de se ter em algo chamado Rock and Roll Hall of Fame, me desculpe, mas não tenho nenhum problema com eles lá. Ninguém precisa concordar comigo, mas acho que há muitos problemas que precisam ser vistos.

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