"Antes havia um senso crítico maior que hoje", diz Badauí do CPM 22

Por Susan Souza , iG São Paulo |

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Grupo prepara lançamento do primeiro DVD acústico em 18 anos de carreira; vocalista fala ao iG sobre a gravação e a atual cena musical brasileira

Divulgação
Badauí (na frente) e os integrantes da banda CPM 22

"Acho que é importante ter essa carta na manga, mas não adiantaria nada não ter bala para isso. Não vou ser hipócrita. Pensamos (em fazer o acústico) em um momento que precisássemos mesmo", explica Badauí, vocalista do CPM 22, em entrevista ao iG. O grupo paulistano gravou recentemente um DVD e CD acústicos, com lançamento previsto para setembro.

O vocalista tem seus motivos para "usar esse trunfo", como ele mesmo explica. "O acústico é uma coisa que chama a atenção", analisa. Com 18 anos de carreira, a banda de rock com nuances de hardcore melódico e punk ficou conhecida a partir dos trabalhos gravados com o produtor musical Rick Bonadio, parceria que foi rompida no ano de 2008.

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Em nova fase desde o disco anterior, "Depois de um Longo Inverno" (2011), o CPM 22 montou o repertório da primeira gravação acústica a partir de uma seleção de 85 músicas, que passam pelos seis discos de estúdio do grupo. Ainda há quatro faixas inéditas e o single "Um Minuto para o fim do Mundo" tem a participação de Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial.

Sobre as mudanças necessárias para uma banda de punk rock gravar no delicado formato, Badauí conta o segredo: "Ensaiamos muito desde 2012 e fomos adaptando os sons. Aos poucos, foi entrando o clima do acústico já que as músicas sempre nasceram do violão".

A idade e experiência dos integrantes, atualmente perto dos 40 anos, contribuiu para a adaptação, acredita o vocalista: "ter feito o disco ao vivo (pela MTV, em 2006) ajudou a segurar um pouco a adrenalina. E também estamos mais velhos".

"Antes havia um senso crítico maior"

"Com todas as mudanças que aconteceram no País, a meu ver, tivemos um regresso culturalmente falando", aponta o vocalista sobre a atual situação da música popular brasileira. "Antes havia um senso crítico maior que hoje. Salvo esse momento de manifestações, nos últimos 10 anos ficou superficial."

"Nosso lado simples eram as músicas verdadeiras, como o chorinho, o sertanejo de raíz. São parte da nossa cultura. O que vejo agora é uma luta pelo dinheiro", analisa. "Viver de rock é difícil, de punk rock é quase impossível", desabafa.

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