Brasileiros lançam disco de jazz que é reinventado a cada show

Por Susan Souza , iG São Paulo | - Atualizada às

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Pianista Benjamim Taubkin e percussionista Adriano Adewale gravaram no Vortex Jazz Club; álbum saiu no final de maio nos Estados Unidos

Divulgação
Benjamim Taubkin e Adriano Adewale

Músicas nascidas espontaneamente em 2010, em Londres, foram parar em um disco "por acaso", explica o pianista brasileiro Benjamim Tabkin. As canções de "The Vortex Sessions", gravadas durante um encontro despretensioso de quatro horas entre ele e o percussionista Adriano Adewale, nunca são as mesmas quando tocadas ao vivo.

"Passamos o som e o que acontece em cada show é sempre novo", conta Benjamim. "Nós não ensaiamos, não é premeditado. Nunca mais tocamos o repertório daquele disco. Não são mais aquelas músicas, elas são compostas na hora."

O desafio de improvisar no ato da apresentação é grande e chega a ser mais difícil do que apenas reproduzir o que já foi gravado, refletem os músicos. "Basicamente, tudo foi improvisado, não existiu ensaio, não tinha uma concepção anterior", conta Adriano.

"Foi como mergulhar em um mar de surpresas, mas, como existe uma conexão musical forte, senti conforto para arriscar e reinventar o que já foi tocado", completa o percussionista. "A música não está parada no tempo, sempre recriamos com influência no agora".

"Você precisa estar muito concentrado e atento, porque vai construir algo que tem de ser de qualidade. O improviso é uma resposta ao outro, mas ao mesmo tempo você tem de estar em um estado criativo", diz Benjamim.

Adriano busca em sua sonoridade as influências de suas raízes da Nigéria e Angola, além do Brasil, onde nasceu, e de Londres, cidade que escolheu para morar há 13 anos. Além de pianista, Benjamim mantém a Casa do Núcleo, em São Paulo. O espaço cultural abriga apresentações de "artistas que fazem música criativa do mundo", como ele mesmo define.

Sobre a atual cena de música brasileira, principalmente a pop, que engloba sertanejo universitário e estilos adjacentes, Benjamim analisa: "Vivemos uma banalização, porque os projetos vão ficando muito parecidos entre si. Falta ousadia".

"Preciso ser surpreendido. Tanto faz se for rap ou pop, se estiver acontecendo algo realmente criativo, a música vai fazer o seu papel", sentencia Benjamim. "Música é para chacoalhar a alma, a mente. Só o esqueleto é muito pobre."

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