Após "mau tempo" de 2012, Bebel Gilberto celebra 2013 com seu primeiro DVD

Por Susan Souza , iG São Paulo |

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Cantora lança "Bebel Gilberto in Rio" neste mês com versões clássicas da bossa nova em arranjos modernos; leia entrevista ao iG

João Wainer/Divulgação
Bebel Gilberto grava primeiro DVD da carreira

Bebel Gilberto agradece pela entrevista por telefone, antes mesmo de ser feita. Bem-humorada, ri fácil sobre seu assunto favorito do momento: o lançamento do primeiro DVD da carreira, "Bebel Gilberto in Rio". Embora a cantora tenha nascido em Nova York e cravado residência nos Estados Unidos há 22 anos, a gravação do show aconteceu no Rio de Janeiro, em terra que também a criou, em um palco montado no Arpoador. "Foi uma escolha minha", afirma ao iG.

O Brasil, especialmente o Rio de Janeiro, também é de Bebel por um direito praticamente histórico, tamanha é a importância musical da árvore genealógica da família à qual pertence. Ela é filha do violonista e cantor João Gilberto com a cantora Miúcha. Bebel também é sobrinha de Chico Buarque (irmão de Miúcha) e neta da intelectual Maria Amélia Buarque de Hollanda, morta em 2010 aos 100 anos, a quem era muito apegada.

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Atualmente, Bebel está focada no DVD, que abarca toda a sua carreira, iniciada quando ela ainda era criança e fazia participações em shows de familiares. O disco celebra uma fase que Bebel, 47, considera nova: "Passei por momentos difíceis, mas estou realizando este meu bebezinho e tomara que todo mundo goste. Em 2012 passou o mau tempo e o DVD vem para celebrar a nova fase".

"Bebel Gilberto in Rio" foi dirigido por Gringo Cardia e está disponível em DVD e CD. Na lista das músicas estão "Preciso Dizer Que te Amo", parceria com Cazuza, "Na Palma da Mão", do rapper Flávio Renegado, que também participa, além de clássicos da bossa nova, como "Samba da Benção".

Bebel Gilberto grava o primeiro DVD. Foto: João Wainer/DivulgaçãoBebel Gilberto. Foto: João Wainer/DivulgaçãoBebel Gilberto. Foto: João Wainer/DivulgaçãoBebel Gilberto. Foto: DivulgaçãoBebel Gilberto. Foto: DivulgaçãoBebel Gilberto. Foto: - DivulgaçãoBebel Gilberto. Foto: AgNewsBebel Gilberto cantou três músicas e veio de Nova York apenas para a participação. Foto: Ag.NewsA cantora Bebel Gilberto. Foto: Luciano Trevisan

Leia abaixo a entrevista de Bebel Gilberto ao iG.

iG: Seu primeiro DVD demorou para vir. O que você estava esperando?
Bebel Gilberto: 
Tudo comigo envolve o tempo. Na verdade, o projeto tem três anos. Comecei a idealizá-lo quando estava em turnê em Londres. Vários fatores fizeram com que ele só fosse realizado em 5 de dezembro (de 2012). Foi tudo no tempo certo, dia certo, com patrocínio e no Rio de Janeiro, o que foi um apadrinhamento maravilhoso. A gravação foi muito legal, teve uma brisa no final do dia que era inesperada, uma névoa que veio de presente, como se Truffaut (o cineasta francês François Truffaut) tivesse nos mandado uma noite americana (risos).

iG: Você participou de muitos detalhes da gravação?
Bebel Gilberto: 
Sim. Sou meticulosa, opino em tudo, e não à toa assino a direção musical do DVD. Eu já sabia tudo o que queria cantar. Fiz vários ensaios e chegamos praticamente prontos. É um trabalho que a gente começou do zero, coisas que só aconteceram com a mescla de pessoas envolvidas. As vozes foram todas feitas ao vivo, não tem nada gravado depois.

iG: O quanto você acha que a imagem do Brasil mudou lá fora? O que falam para você? Bebel Gilberto: "Ai, que maravilha", "que sorte a sua", "como você é abençoada", "que cidade maravilhosa". Eu fico olhando com cara de parede.

iG: Por quê?
Bebel Gilberto: 
Acho que cresceu tudo muito rápido, dá medo e alegria ao mesmo tempo. Estou muito orgulhosa, afinal estou aqui. Algum motivo de orgulho devo ter, mas gostava dos anos 1980.

iG: O que os anos 1980 tinham de especial?
Bebel Gilberto: 
Isso de andar por aí sem problemas de violência, não ficar presa no trânsito. Existia uma poesia maior, mas isso é um egoísmo, tem que crescer mesmo. O Rio virou quase uma Nova York.

iG: Como é a sua relação com São Paulo?
Bebel Gilberto: 
Adoro a cidade, tenho grandes amigos que moram lá. Acho que talvez mais do que aqui no Rio. Aqui são todos muito ocupados. Em São Paulo tem uma tradição de levarem você para jantar, dedicar um dia. Eu, como americanizada que sou, adoro.

iG: Funk, sertanejo, tecnobrega. Essa nova música brasileira chega até você?
Bebel Gilberto: 
A única que chegou e eu morri de rir foi a Anitta, com aquela música "Meiga e Abusada". O clipe me faz dar muita risada e acho ótimo. Ela faz um funk mais bonitinho, é engraçado, é kitsch. Ela é uma atriz. Essa música é muito gostosa e cada vez que vejo dou risada. Não gosto daquelas outras letras de funk, não me identifico, mas respeito qualquer maneira de gravar. A Anitta me lembrou de Claudinho e Buchecha.

iG: A nova geração de cantoras brasileiras desperta interesse em você?
Bebel Gilberto: 
As novas e antigas também. Tem muita gente bacana. A Tulipa Ruiz me arrepia, amei o show novo da Gal (Costa), ela é a maior de todas. A Clarice Falcão também. Vi a carinha dela e pensei: "Gente, como ela cresceu!". Os pais dela devem ter muito orgulho.

iG: Você já disse em entrevistas que é uma pessoa que acredita em misticismo, tarô. Ainda crê?
Bebel Gilberto: 
Sim. Sou totalmente devota do arcanjo Gabriel. Ele é o meu protetor. Senti isso mais forte desde 2010 até recentemente. Em 2012 passou o mau tempo e o DVD vem para celebrar a nova fase.

iG: As politicas culturais do Brasil estão melhores?
Bebel Gilberto: 
Não tenho muita profundidade para falar sobre o assunto, mas fui patrocinada pela prefeitura do Rio, sou abençoada, me consideraram uma carioca, mas eu nasci em Nova York. Tem coisas muito legais acontecendo aqui como o samba no centro, os bailes de carnaval. Tudo tem que ser feito na medida certa.

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