Paulo Miklos: "Estamos revivendo o DNA dos Titãs"

Por Susan Souza , iG São Paulo | - Atualizada às

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Músico estreia o programa "Paulo Miklos Show" nesta terça-feira e fala ao iG sobre o novo disco do grupo, que completa 30 anos

Patricia Calil/Divulgação
O músico e apresentador Paulo Miklos

"É preciso ter uma admiração mútua, algo que você não consegue com mais ninguém", explica Paulo Miklos, em entrevista ao iG, sobre os 30 anos de sua banda, os Titãs. Além de multi-instrumentista, Paulo é ator e apresentador de TV. Nesta terça-feira (14), ele estreia o programa "Paulo Miklos Show", na Mix TV.

Pela primeira vez sozinho na bancada (antes ele apresentava o "Dose Tripla" ao lado de Marina Santa Helena e Gustavo Braun), o apresentador vai conversar com entrevistados e receber artistas. Para os shows, ele destaca que a captação do som tem sido uma preocupação: "é como se fosse um estúdio".

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Enquanto isso, os Titãs seguem com a turnê de "Cabeça Dinossauro" (o grupo se apresenta na Virada Cultural 2013), disco lançado em 1986. Para comemorar os 30 anos de carreira, a banda pretende lançar em breve um DVD. Para 2014, planeja ainda um disco de inéditas. "Estamos revivendo o DNA da banda e isso é legal para criar o novo trabalho", conta Miklos, sobre a influência do passado nas composições do grupo.

iG: Como é seu novo programa na TV? 
Paulo Miklos: O "Paulo Miklos Show" tem conversa com convidados sobre assuntos diversos e o diferencial é a qualidade do som para as bandas tocarem. É como se fosse um estúdio. Em minha experiência de 30 anos com banda, era sempre difícil se apresentar em programas de TV por não terem condições técnicas de mixar. Você assistia ao resultado depois e não ficava satisfeito.

O titã Paulo Miklos em show com o Quinteto em Branco e Preto. Foto: Futura PressPaulo Miklos e Tony Bellotto, dos Titãs, na Virada Cultural. Foto: AEOs Titãs Sérgio Britto, Branco Mello, Toni Belotto e Paulo Miklos. Foto: DivulgaçãoPaulo Miklos, do Titãs, no show do álbum 'Sacos Plásticos' em São Paulo. Foto: Augusto Gomes/iGA formação clássica dos Titãs. Foto: AEOs Titãs Sérgio Britto, Branco Mello, Charles Gavin, Toni Belotto e Paulo Miklos no lançamento do álbum 'Sacos Plásticos'. Foto: AEOs Titãs no lançamento do disco 'Titanomaquia'. Foto: AE

iG: Como surgiram os vários instrumentos musicais na sua vida?
Paulo Miklos: Meu primeiro instrumento foi o violão, de que eu gostava, mas não tinha uma relação muito especial na época. Comecei a ter interesse por piano. Minha avó tinha experiência musical na família porque minha tia era concertista. Consegui o piano e não estudava mais. Passava o dia todo martelando (risos). Meu pai falou que eu tinha de voltar a estudar e tirou o piano. Depois voltei para o violão, parti para a flauta transversal. Descobri que com a flauta era fácil de entrar em qualquer formação e comecei a tocar com outras pessoas. Sempre fui muito sociável e a flauta ajudava nisso. Da flauta fui para o saxofone. De lá para a gaita, do violão para o baixo e guitarra e, do piano, para o sintetizador.

iG: Os shows de "Cabeça Dinossauro" trouxeram muitas lembranças da época?
Paulo Miklos: Isso mexeu com a gente. Tocamos “Cabeça Dinossauro” na primeira parte do show e, na segunda, lados-B e músicas influenciadas por este disco. O rock and roll desse álbum está influenciando nossas próximas músicas inéditas. Estamos revivendo o DNA da banda e isso é legal para criar o novo trabalho. Tratamos de temas sociais sempre com um som pesado. A letra e a poesia na música sempre foram importantes para nós. Antigamente, tínhamos um lado punk de "dar o recado", do desapego e da porrada. Por outro lado, havia a sofisticação da poesia e a importância do texto. Foi da somatória dessas coisas que nós nascemos.

iG: Você ouve novos artistas de música brasileira?
Paulo Miklos: Gosto mais do pessoal do rap, como Emicida e Criolo. Acho que existem bandas novas muito legais, como Garotas Suecas, Porcas Borboletas e Vivendo do Ócio.

Flávia Montenegro/Divulgação
Paulo Miklos grava o programa de estreia

iG: Quem são seus ídolos da música?
Paulo Miklos: Caetano Veloso, Luiz Melodia, Roberto Carlos, Ney Matogrosso. Estes caras fizeram a cabeça da minha geração. Elis Regina eu sempre ouço e, para mim, ela ainda é a maior cantora brasileira. Ouço e acompanho a geração anterior à nossa, como Chico Buarque. Sem contar a Rita Lee! Somos descendentes diretos dela (risos).

iG: Você ouve músicas em sites e serviços de streaming?
Paulo Miklos: Minhas musicas estão todas salvas em um HD. Não tenho mais o disco físico. O site Rdio eu uso bastante, e no iTunes costumo procurar e comprar músicas. Acompanho blogs legais de gente que curte muita música. Antes, tínhamos críticos muito chatos que falavam para aparecer e não porque gostavam de música. Os blogs revelaram pessoas que realmente gostam e que comentam.

iG: Qual é o segredo para manter uma mesma banda em atividade por tanto tempo?
Paulo Miklos: Perseverança. É você continuar fazendo sentido para você mesmo e entre os integrantes da banda. Ter uma admiração mútua, algo que você não consegue com mais ninguém, só com eles. Há uma química e se dá muito valor a isso. É algo que você não faria sozinho, mas apenas com essa parceria. Depois de tanto tempo, temos muita história e a banda é uma parte muito importante de nós.

Programa "Paulo Miklos Show"
Estreia: 14/5, às 22h30, na Mix TV

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