Pink Floyd, Truffaut e misticismo do número "1111" inspiram disco de Otto

Por Susan Souza , iG São Paulo |

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“A ausência dos livros faz com que o homem vire um ‘MC’ das informações, como no rap", diz o cantor, atualmente em turnê; leia entrevista

Foi em um futuro opressor e fictício retratado pelo cineasta François Truffaut que o cantor pernambucano Otto buscou inspiração para “The Moon 1111”, o mais recente disco, e que ainda tem influências de Pink Floyd e de afrobeat. No filme “Farenheit 451”, de 1966, o jovem Guy Montag trabalha a serviço do governo para destruir todos os tipos de livros e outros materiais impressos, que seriam causadores da infelicidade.

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O cantor pernambucano Otto. Foto: DivulgaçãoO cantor pernambucano Otto. Foto: DivulgaçãoO cantor pernambucano Otto. Foto: DivulgaçãoO cantor pernambucano Otto. Foto: DivulgaçãoO cantor pernambucano Otto. Foto: DivulgaçãoO cantor pernambucano Otto. Foto: DivulgaçãoO cantor pernambucano Otto. Foto: Divulgação

“A ausência dos livros faz com que o homem vire um ‘MC’ das informações, como no rap. A angústia de Guy é extremamente parecida com a nossa pela impotência e autoritarismo”, reflete o cantor em entrevista ao iG.

No roteiro do filme, baseado na novela escrita por Ray Bradbury, um grupo de fugitivos se organiza com a responsabilidade de memorizar obras clássicas para que elas não fiquem completamente perdidas. “A sociedade paralela mostrada no filme, sem dúvida, é como as redes sociais, que são atalhos”, conta, além de destacar que usa o YouTube como um passatempo. “Gosto de encontrar pessoas e seus trabalhos”.

Em turnê com este que é seu quinto disco de estúdio, Otto não se define como uma pessoa mística, ainda que o nome “1111” faça menção às constantes vezes em que ele “flagra” o número “1111” em seu dia a dia. A combinação de números repetidos é considerada por místicos como uma abertura de um portal de energia. “Sou um entendedor de que nem tudo é o que a gente acha, principalmente ao lidar com abstrações”, explica. Com relação ao próprio trabalho criativo, analisa: “Sou músico e crio poesias. Como posso ser racional vivendo de palavras e pensamentos soltos?”.

Em casa, Otto diz que gosta de ouvir uma "mescla" de artistas novos com ídolos da MPB. “Gosto da atitude do novo”, conta, citando nomes nacionais como Emicida, Criolo, Mallu Magalhães e Gaby Amarantos. No disco, fica clara a homenagem à música brasileira, de Mutantes, na faixa “Dia Claro”, à versão de “A Noite Mais Linda do Mundo”, de Donizette e Marcelo, conhecida na voz de Odair José.

Otto mostra-se, ainda, preocupado com “fisiologismos, estagnação e depressão social” no Brasil. “Quando penso que o povo consegue eleger, democraticamente, pessoas tão difusas e contraditórias, me apavoro. Essas coisas realmente são corrosivas. Político teria que acabar.”

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