Nasi: "O rock atual está muito pobre, abaixo do nível mínimo da pobreza"

Por Susan Souza , iG São Paulo | - Atualizada às

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Cantor lança disco "Perigoso" com shows em São Paulo; em entrevista ao iG, ele fala sobre a música atual, a carreira com o Ira! e comenta a morte de Chorão

Para Nasi, o rock atual mais parece sertanejo universitário e Chorão era um artista à frente de seu tempo. Sobre uma volta do Ira!, ele é categórico: "Se algum dia houver um retorno, isso vai depender da minha última palavra."

As declarações foram dadas em entrevista por telefone ao iG. Nasi lançou no final de 2012 o terceiro disco solo, "Perigoso". O cantor paulistano mostra as músicas desse álbum com shows nesta sexta-feira (12) e no sábado (13), no Sesc Pompeia, em São Paulo. Hits do Ira!, como "Envelheço na Cidade" e "Tarde Vazia", também devem estar presentes.

O cantor Nasi em show no Cine Joia, em SP. Foto: DivulgaçãoO cantor Nasi em show no Cine Joia, em SP. Foto: DivulgaçãoO cantor Nasi em show no Cine Joia, em SP. Foto: DivulgaçãoO cantor Nasi no estúdio Showlivre em 2011. Foto: DivulgaçãoO cantor Nasi no estúdio Showlivre em 2011. Foto: DivulgaçãoO cantor Nasi em show em Camaçari. Foto: DivulgaçãoO cantor Nasi em show em Uberlândia em 2011. Foto: Divulgação

Em breve, "Perigoso" ganhará uma edição em vinil, com 2 mil cópias, que virá diretamente da Sérvia, onde foi prensado por ter um “melhor custo-benefício”, explicou o cantor. Nos dois shows do Sesc Pompeia, o músico terá a participação do guitarrista Igor Prado e do vocalista da banda Cachorro Grande, Beto Bruno.

Na entrevista abaixo, Nasi fala sobre rock atual, cita a banda Black Keys como referência (o grupo tocou recentemente no Lollapalooza Brasil), comenta a morte de Chorão (ex-vocalista do Charlie Brown Jr.) e relembra o Ira!, banda da qual fez parte.

Divulgação
Nasi apresenta o disco 'Perigoso' em São Paulo

iG: Aos 51 anos, como você se relaciona com a música?
Nasi: O importante é ter cada vez mais experiências e saber cada vez mais o que eu quero. Maturidade é uma coisa boa, mas tem um limite. Eu me espelho em artistas que com o tempo tornaram seu trabalho mais consistente e mais maduro com eles mesmos, de sentimentos mais densos no discurso. Meu trabalho é rock-adulto-contemporâneo. Não faço rock alegre, faço rock denso, e a influência do blues para mim é isso. Não dá para você cantar blues sem ter experiência, sem ter rugas e dores no fígado.

iG: Quais são as suas principais influências musicais?
Nasi: O Erasmo Carlos, com toda a história que tem. Ele, aos 70 anos, ainda faz bons discos e não é à toa que eu faço parte da gravadora Coqueiro Verde, que tem artistas bem conceituados e o Erasmo é um dos proprietários. De artistas internacionais, mesmo não sendo exatamente o meu gênero, o melhor é o AC/DC. Eu abri o show deles no estádio do Morumbi, em 2009. Com mais de 60 anos, eles estão melhores do que nunca.

iG: E quanto aos novos artistas, o que você ouve?
Nasi: Do Brasil, gosto da banda baiana Vivendo do Ócio. Das internacionais, o Black Keys, porque tem influências parecidas com as minhas, com o rock puxado para o blues.

iG: Você é um ligado em tecnologia, baixa músicas e filmes da internet?
Nasi: Sou totalmente "old fashion". Por mais que tenha Facebook e site, não sou um cara de internet. Ainda compro CD.

iG: Em entrevistas recentes, você disse que o Brasil carecia de poetas atuais como existiu nos anos 1980, como Cazuza e Renato Russo. Você ainda pensa assim?
Nasi: Não só na década de 1980, mas o rock está muito pobre, abaixo do nível mínimo da pobreza. Na década de 1990, tivemos coisas muito legais, como O Rappa, Planet Hemp. Agora, no século 21, o que existe é um rock que está mais para o sertanejo universitário. Faz sucesso no rádio usando o título de rock, mas são um bando de garotos usando roupa colorida que, para mim, é o mesmo discurso do sertanejo universitário. É uma pobreza muito grande, no sertanejo e no pagode. Não é só no rock. Isso reflete os problemas dos nossos tempos.

iG: Acha que isso tem relação com a pouca educação musical que as crianças recebem nas escolas?
Nasi: Pode ser que sim. Acho que em um País que sucateia sem parar o ensino, a gente vê garotos que não sabem escrever uma redação. Isso reflete o interesse em ler e escrever.

iG: O trabalho do Chorão, do Charlie Brown Jr, te agradava?
Nasi: Sim, o Chorão tinha um jeito muito interessante de escrever coisas que refletiam uma juventude e um segmento das ruas. Ele fez uma ponte entre o rap e rock muito interessante. Estava muito à frente.

iG: Já se passaram seis meses do lançamento da sua biografia. Nesse período, alguém te procurou para pedir explicação sobre alguma passagem que foi relatada na obra?
Nasi: Não, ninguém me procurou. Os dois autores e eu, nós utilizamos uma biografia do Ira! que não saiu e falamos da minha vida pessoal. Tomamos todos as precauções, mesmo falando as verdades que podem ser contundentes, procurei ter todos os cuidados jurídicos. Obviamente, ela não agradou a todo mundo, mas procurei mostrar meu ponto de vista sem esbarrar em difamação.

iG: Você voltaria a cantar com o Ira?
Nasi: Eu diria que é um horizonte que não vejo. Se vai aparecer no futuro, não vou ser pretensioso. Em julho do ano passado, fiz um acordo jurídico com meu irmão, que era meu empresário. Nós resolvemos os imbróglios políticos e a marca Ira! passou para o meu domínio. Se algum dia houver um retorno do Ira!, isso vai depender da minha palavra. Por enquanto, não vejo esse horizonte e não tenho esse desejo.

Nasi
Choperia do Sesc Pompeia (r. Clélia, 93, São Paulo; tel. 11-3871-7700)
Dias: 12/4 e 13/4
Horário: 21h30
Ingressos: R$ 24 (inteira); R$ 12 (usuário matriculado no Sesc e dependentes, maiores de 60 anos, estudantes e professores da rede pública); R$ 6 (trabalhador do comércio, serviços matriculado no Sesc e dependentes)

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