Festival de jazz leva à Cidade do Cabo muito mais do que jazz

Por Thiago Ney , enviado à Cidade do Cabo | - Atualizada às

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Com Buena Vista Social Club e Brand New Heavies, evento sul-africano tem todos os 40 mil ingressos esgotados

O Cape Town Jazz Festival tem o jazz em seu nome, mas suas atrações vão muito além desse gênero. Na 14ª edição, que acontece na sexta (dia 5) e no sábado, o evento em 2013 reúne 41 nomes, que se apresentam em cinco palcos espalhados pelo International Convention Centre, enorme espaço fechado que é tudo o que o Anhembi, em São Paulo, gostaria de ser: bonito, bem organizado, limpo e com acústica ótima.

Thiago Ney
Brother Ali, uma das atrações do Cape Town Jazz Festival

Entre os artistas escalados para o evento, estão nomes que honram a tradição jazzística, como Errol Dyers, Steve Turre Quintet, Jack de Johnette Trio. Mas a maioria passeia por outros estilos, como soul (Jill Scott), música cubana (Buena Vista Social Club), jazz-rap (Brand New Heavies), dance (Mi Casa) e rap (Brother Ali). A cantora Céu é a única brasileira no evento.

Essa diversidade agrada aos sul-africanos - o festival teve todos os ingressos vendidos (20 mil pessoas por dia). A sexta-feira teve como shows mais concorridos as apresentações de Buena Vista Social Club, da cantora Zonke e da banda Mi Casa (os dois ultimos, sul-africanos).

Com a presença da cantora Omara Portuondo, a banca Buena Vista se apresentou logo cedo no palco principal do evento, chamando um bom público. Antes, com uma big band, os locais Mafikizolo adicionaram tempero sul-africano ao jazz e ao funk.

Espécie de mistura de Sade e Macy Gray, a cantora Zonke se aprofunda na soul music com pequenos toques africanos. Ela faz bastante sucesso em seu país, principalmente depois do lançamento do Segundo disco, "Ina Ethe" (2012).

A house music tomou conta dos ouvidos da juventude sul-africana nos últimos anos, e Zonke teve de cantar em faixas dançantes para se tornar conhecida no início de carreira. Agora, ela diz, pretende colocar a voz apenas em faixas soul. "Não me vejo fazendo house de novo. Foi algo que precisei fazer, mas passou", diz a cantora, que cita Stevie Wonder e Smokey Robinson como influências.

Essa dominação da house é explicitada em um dos maiores nomes da música pop sul-africana - e que arrastou public grande para seu show no festival: a banda Mi Casa. O trio tem pouco (ou quase nada) de africano. Faz uma house com vocais e batidas aveludadas. É um tipo de música que não tem nada de original, mas que está na moda na África do Sul.

Um mínimo de originalidade veio com Brother Ali, rapper norte-americano albino de 35 anos. Acompanhado por um DJ e um baixista, Ali despejou sobre o publico faixas engajadas que criticam desde o consumismo até o imperialismo norte-americano.

* O repórter Thiago Ney viaja a convite da South African Tourism

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