Chorão se sentia perseguido e tinha acessos de raiva, diz delegado

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo | - Atualizada às

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Cantor passou por quatro hotéis em uma semana antes de ir ao apartamento onde foi encontrado morto; no local, havia remédios e bebida

O cantor Chorão, encontrado morto nesta quarta-feira (6), se sentia perseguido e tinha frequentes acessos de raiva, informou o delegado Itagiba Vieira Franco, chefe da divisão de homicídios do  Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O músico passou por quatro hotéis na última semana, antes de ir a seu apartamento na zona oeste de São Paulo, onde o corpo foi achado em meio a objetos quebrados, remédios, bebidas e um pó branco não identificado. "Não se trata de homicídio, nem de suicídio", declarou o delegado, optando por não cravar a causa da morte até que os resultados dos laudos estejam prontos.

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De acordo com Vieira Franco, todas as testemunhas ouvidas até agora relataram que Chorão passava por forte desgaste emocional por causa do processo de separação da mulher, a estilista Graziela Gonçalves. Com crises de perseguição, o cantor vinha tendo frequentes "desentendimentos e acessos de raiva" e "quebrava tudo" quando se sentia filmado ou seguido.

O cantor Chorão, do Charlie Brown Jr, morto em 2013. Foto: Facebook/ReproduçãoO cantor Chorão, do Charlie Brown Jr, morto em 2013. Foto: Facebook/ReproduçãoChorão era o vocalista da banda Charlie Brown Jr., que estourou nos anos de 1990. Foto: DivulgaçãoChorão foi o único integrante a permanecer em todas as formações da banda. Foto: Facebook/ReproduçãoO vocalista do Charlie Brown Jr, Chorão. Foto: DivulgaçãoChorão e Champignon, vocalista e baixista do Charlie Brown, tiveram várias brigas. Foto: ReproduçãoChorão em participação especial no programa 'Caldeirão do Huck',  na Globo. Foto: DivulgaçãoEntre as parcerias feitas por Chorão na música está a formada com o cantor Gabriel, O Pensador. Foto: Divulgação

Mesmo tendo um apartamento em São Paulo, Chorão preferia ficar em hotéis para ter mais conforto (na geladeira do cantor, por exemplo, só havia bebida alcoólica e refrigerantes). Porém, após arrumar uma briga no quarto hotel pelo qual passou durante a última semana, o músico pediu que seu motorista, Kleber Attala, o levasse para casa e depois voltasse para buscar suas roupas no local.

Atalla atendeu ao pedido e deixou Chorão no bairro de Pinheiros, zona oeste da cidade, às 18h de segunda-feira (4). Foi a última vez que o cantor foi visto com vida.

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Ficou combinado entre os dois que o motorista voltaria a entrar em contato às 12h de terça-feira (5). Attala ligou, mas não houve resposta. Decidiu ir até o apartamento, bateu à porta e, novamente, ninguém atendeu.

O motorista esperou até às 20h e voltou ao apartamento, outra vez sem sucesso. Às 4h30 desta quarta-feira (6), ainda sem conseguir fazer contato com Chorão, ele decidiu usar a cópia da chave que tinha consigo e entrar no local. Encontrou o cantor morto, de bruços, no chão da cozinha. Em seguida, acionou a polícia.

Para o delegado do DHPP, Chorão provavelmente já estava morto quando Attala tentou o primeiro contato telefônico. A suposição é baseada no estado em que o corpo foi encontrado e no relato de um vizinho, ainda não ouvido formalmente pela polícia, de que um barulho muito forte foi ouvido na casa do músico na manhã de terça-feira.

Vieira Franco disse ter encontrado diversos medicamentos, entre eles Lexotan e outro para tratar ferimentos nos lábios, que Chorão costumava morder quando estava nervoso. O estado dos cômodos foi o que mais chamou a atenção do delegado. "Um apartamento lindo, bem localizado, mas completamente detonado. Toda vez que ele se sentia perseguido, quebrava alguma coisa", disse. "Dava a impressão de que (o local) estava em completo abandono. Isso reforça a ideia de que lhe faltava força para viver."

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Reprodução/Rede Record
Imagem da Rede Record mostra interior do apartamento onde Chorão foi encontrado morto

O delegado disse não crer na hipótese de suicídio pelo fato de Chorão ter uma viagem marcada para Nova York em um futuro breve. Ele também não acredita em homicídio, já que não há marcas de arrombamento ou qualquer relato de que alguém tenha entrado no apartamento.

Charlie Brown Jr.

Chorão foi o único integrante da banda Charlie Brown Jr. a permanecer em todas as formações. Criada em 1992, a banda estourou em 1997, com o lançamento do álbum "Transpiração Contínua Prolongada".

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Canções como "Proibida Pra Mim (Grazon)", "Tudo o que ela Gosta de Escutar", "Gimme o Anel" e "O Coro Vau Comê!" caíram no gosto do público, principalmente jovem, fazendo com que o disco vendesse 500 mil cópias.

Outros hits da banda são "Te Levar", "Zóio de Lula", "Rubão", "Hoje eu Acordei Feliz", "Lugar ao Sol", "Papo Reto (Prazer é Sexo, o Resto é Negócio)", "Não é Sério", "Só Por Uma Noite", entre outras.

Polêmicas e brigas marcaram a trajetória da banda. Em 2012, Chorão deu uma bronca pública no baixista Champignon, que deixou o grupo por alguns anos alegando diferenças artísticas. Em 2004, o líder do Charlie Brown Jr. quebrou o nariz de Marcelo Camelo, então vocalista do Los Hermanos.

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