Cantora também dirigiu óperas e fundou uma escola de música erudita em Moscou

Reuters

Galina Vishnevskaya no filme
Divulgação
Galina Vishnevskaya no filme "Alexandra" (2007)

Galina Vishnevskaya, cantora de ópera russa cuja voz de soprano fascinou o compositor Benjamin Britten e convenceu o violinista Mstislav Rostropovich a se tornar seu terceiro marido morreu aos 86 anos, anunciou seu teatro nesta terça (11).

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A adolescente Vishnevskaya ganhou destaque logo após a Segunda Guerra Mundial e nos anos 1960 se tornou uma sensação internacional da ópera, se apresentando nos principais teatros do mundo.

Seu talento era tão fascinante que o compositor britânico Britten escreveu a parte de soprano de sua obra "War Requiem" especialmente para ela, e o compositor russo Dmitri Shostakovich a escolheu para uma nova versão de sua ópera "Lady Macbeth of Mtsensk".

"Vishnevskaya foi uma porta-bandeira da cultura russa, uma cantora do mais alto nível", disse o tenor georgiano Zurab Sotkilava ao jornal Kommersant.

Homenagens do presidente russo, Vladimir Putin, do primeiro-ministro, Dmitry Medvedev, e de outras pessoas apareceram rapidamente na mídia local.

Galina Vishnevskaya com seu marido, Mstislav Rostropovich, em 1965
Getty Images
Galina Vishnevskaya com seu marido, Mstislav Rostropovich, em 1965

Ela nasceu na cidade soviética então conhecida como Leningrado (atual São Petersburgo) e teve uma vida quase tão dramática quanto alguns dos personagens que cantou no palco.

Vishnevskaya subiu ao palco pela primeira vez aos 18 anos. Mas encantou o público como uma das principais solistas do prestigiado teatro Bolshoi de Moscou. O teatro fez um minuto de silêncio em sua memória antes da apresentação desta terça-feira de "Turandot".

Autoridades soviéticas forçaram a cantora e seu marido Rostropovich a deixar o país em 1974 por apoiar o dissidente Alexander Solzhenitsyn, vencedor do prêmio Nobel de Literatura.

Ela morou, se apresentou e dirigiu óperas nos Estados Unidos e na França até 1982 e, então, escreveu a autobiografia "Galina", criticando as autoridades soviéticas em 1984 depois de voltar à Rússia.

Vishnevskaya é reconhecida por seus papéis em óperas clássicas como "Aida", de Giuseppe Verdi, "Eugene Onegin", de Tchaikovsky, assim como "Tosca", de Giacomo Puccini, e "Madame Butterfly".

Ela abriu o seu próprio centro de ópera em Moscou em 2002, que desde então tem treinado artistas internacionais. Vishnevskaya permaneceu como diretora artística até a sua morte.

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