Robert Plant reconstrói músicas do Led Zeppelin em São Paulo

Plateia lotada não se importa com diferenças e aplaude com vontade sucessos da banda

Marco Tomazzoni - iG São Paulo |

Há tempos que Robert Plant faz o que quer. O ex-vocalista do Led Zeppelin se enfurnou em sua obsessão pela música de raiz norte-americana e de lá não saiu mais. A voz de ouro do rock 'n' roll mundial, que já não era a mesma, achou um lugar aconchegante, com naturalidade, em que não soa tão diferente assim. Por isso funciona tão bem: aos 64 anos, o roqueiro inglês deixou o público do Espaço das Américas lotado, em São Paulo, emocionado, no terceiro show de sua turnê pelo Brasil, nesta segunda-feira (22).

É que, além de sua mistura personalíssima com a banda The Sensational Space Shifters, Plant não esquece de mostrar clássicos do Led Zeppelin. Eles aparecem estranhos, com arranjos diferentes (embora não tão radicais quanto os de Bob Dylan), e em geral só são reconhecidos quando ele começa a cantar. Aí, não importa o que aconteça, é a lenda tocando o que todo mundo queria ouvir. Uma guitarra mais pesada aqui e ali, então, traz o êxtase: o veterano tem na mão a plateia que quer.

"Tin Pan Valley" e "Another Tribe" abriram o setlist, quase idêntico aos shows anteriores, mas foi "Friends" quem primeiro estimulou o coro do público. Isso que era uma versão um tanto bizarra. Os Space Shifters defendem uma sonoridade própria, em que o rock da década de 1950 sai para dançar com Paul Simon da fase "Graceland" (1986). São banjo e violino africanos com teclado, guitarras e efeitos eletrônicos, de vez em quando solos instrumentais. Pudera o banner no fundo do palco ter cores e formas psicodélicas: é mesmo uma viagem.

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O painel tem estampado o rosto de Plant na juventude, e difícil crer que aquele senhor de cabelos e cavanhaque grisalhos, um Cristo de meia idade, seja a mesma pessoa. A ótima "Spoonful", do repertório do bluseiro Howlin' Wolf, deu a pista e "Black Dog", outra do Led, confirmou que a aquela voz ainda está ali. A potência não é igual, os ecos no microfone disfarçam, mas os urros de "yeah" tiram qualquer dúvida: Plant continua firme.

A linda balada "Song to the Siren" tirou arrepios, assim como "Ramble On", em que a world music deu um tempo para as guitarras dizerem que de vez em quando o hard rock ainda atinge a superfície.

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Rumo ao final, o público embecido por ouvir Plant dizer "obrigada" e compartilhar seus sucessos estava em outra dimensão. "O que está acontencendo?", perguntou o roqueiro, fazendo sinal de que havia enloquecido, "vocês estão sentindo também?".

E veio "Whole Lotta Love", que começou de um jeito, mais parecido com o disco "Led Zeppelin II" (1969), arrasador, e acabou de outro completamente diferente. Não importava mais. Até porque o bis, com "Going to California" e "Rock and Roll", foi o melhor momento de uma noite que antes já terminaria boa. Adeus calor, cansaço, velhice: mesmo que por um flash, deu para se imaginar num lugar perdido no tempo, em que todo dia era "Celebration Day" .

Robert Plant toca mais uma vez no Espaço das Américas nesta terça (23), depois segue para Brasília, no Ginásio Nilson Nelson (25), passa por Curitiba, no Teatro Guaíra (27), e termina em Porto Alegre, no Gigantinho (29).

Veja também: O antes e depois de Robert Plant

Veja abaixo o setlist do primeiro show em São Paulo.

"Tin Pan Valley"
"Another Tribe"
"Friends"
"Spoonful"
"Somebody Knocking"
"Black Dog"
"Song to the Siren"
"Bron-Y-Aur Stomp"
"Enchanter"
"Gallows Poe"
"Ramble On"
"Fixing to Die"
"Whole Lotta Love"
Bis
"Going to California"
"Rock and Roll"

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