Gossip e Suede são destaques de festival em São Paulo

Kings of Leon, Garbage e The Drums foram algumas das atrações do Planeta Terra, ocorrido no sábado

Marco Tomazzoni e Thiago Ney - iG São Paulo |

Duas bandas de gerações diferentes foram os principai destaques do festival Planeta Terra, ocorrido no sábado (dia 20) no Jockey Club de São Paulo. Enquanto os ingleses Suede tornaram-se famosos há duas décadas, o norte-americano Gossip é cria do novo rock dos anos 2000.

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Beth Ditto durante show do Gossip no festival Planeta Terra

O evento aconteceu entre a tarde de sábado e estendeu-se até pouco antes da meia-noite. Cerca de 30 mil pessoas, segundo os organizadores, assistiram a apresentações de 13 bandas, divididas em dois palcos.

O início do festival foi prejudicado pela chuva que caiu em São Paulo. Nomes como Mallu Magalhães, Madrid, Banda Uó e Little Boots tocaram com o público sob água.

Best Coast

A dupla Best Coast subiu ao palco principal às 16h45, e o som ensolarado fez até a chuva parar. Com charme e desenvoltura, a vocalista Bethany Cosentino emendou faixas dos dois discos da banda, como "The Only Place" e "Our Deal" e "Boyfriend", que mostraram-se ainda mais calorosas ao vivo. Foi o primeiro grande show do festival.

The Maccabees

Pouco depois do Best Coast, o palco indie foi tomado pelos ingleses Maccabees. A banda mostra-se animada no palco, os músicos são simpáticos, brincam com o público. Eles tentam fazer rock com toques elaborados, com alguma ambição, mas as músicas não possuem nada que os diferencie de inúmeras outras bandas, e sem músicas empolgantes, o show torna-se apenas morno.

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Brett Anderson, do Suede, no festival Planeta Terra

Suede

O grupo britânico Suede encerrou em 2010 um hiato de quase uma década e, sem material inédito, tem lembrado na turnê atual ser um dos mais versáteis frutos do britpop, sem a fama de gente como Blur e Pulp. Eles conseguem compor maravilhas do gênero ("The Drowners", "Killing of a Flash Boy", "Can't Get Enough") e ainda sim criar arrasa-corações como "The Wild Ones" e "Beautiful Ones", que fechou a noite.

O vocalista Brett Anderson não tira mais a camiseta ou exibe a barriguinha em miniblusas, mas conservou sua bela voz de veludo e a boa presença de palco. Se os ingleses de meia idade mostraram uma certa frieza nas conversas com a plateia, compensaram suando a camiseta e tocando alto. Sucessos em 1993, "Animal Nitrate" e "Metal Mickey", dois dos maiores hinos do Suede, nunca soaram tão bem.

Azealia Banks

Com apenas 21 anos, a norte-americana Azealia Banks ganhou um bom lugar no line-up do festival - tocou no palco indie às 19h15, depois de Maccabees e enquanto o Suede ainda se apresentava no palco principal.

Azealia tem apenas um EP ("1991") e uma mixtape ("Fantasea"), então recheou seu curto show com faixas dos dois lançamentos, como "Esta Noche" e "Liquorice". Com unhas prateadas e um cabelão rosa, Azealia é acompanhada apenas por um DJ e duas dançarinas. Suas músicas vão do hip hop ao funk, passando por electro e house. São urbanas, dançantes, com muitos graves.  O semi-hit "212" é um arrasa-quarteirão que mostra o talento de Azealia para criar faixas explosivas. Encerrou o show com classe.

Garbage

No penúltimo show do palco principal, o Garbage encerrou uma espera de quase 20 anos dos fãs brasileiros, que não tinham perdido a esperança de ver um show da banda. "Nós conseguimos", comemorou a vocalista Shirley Manson. "Desculpem ter deixado vocês por tanto tempo, obrigado por nos apoiarem."

Símbolo sexual nos anos 1990, Manson está com 46 anos, embora não aparente. Lágrimas nos olhos, uma fã segurava um cartaz: "Shirley, posso tocar você?", pedia. Cabelos vermelhos presos no alto da cabeça, pele branca feito porcelana e olhos incisivos, ela entrou no palco esvoçoante, sabendo ser a grande estrela do quarteto, sem dar chance para o baterista Butch Vig, o famoso produtor de "Nevermind", cultuado disco do Nirvana lançado em 1991.

É ele, no entanto, quem conduz com peso e potência a festa do grupo, com seu som moldado para as pistas. "Automatic Systematic Habit", boa faixa do irregular "Not Your Kind of People", recente disco de inéditas, abre o show, mas é nos trunfos lá do início da carreira que a coisa pega fogo.

"I Think I'm Paranoid", "Stupid Girl", "Queer" e "Cherry Girls" comprovaram o talento do Garbage para compor pérolas, nem sempre muito bem acompanhadas – a banda nunca soube fazer baladas e ainda por cima insiste em tocá-las ao vivo, com um jeitão arrastado e tétrico. Menos mal que elas desaparecem em meio a hits como "Push It" e o maior de todos, "Happy When It Rains".

The Drums

Rock rápido com um tempero dançante new wave. É mais ou menos essa a fórmula do quinteto norte-americano The Drums. A banda fez seu segundo show no Brasil - e sua apresentação ganhou o público.

A banda balanceou o show com músicas de seus dois discos - tocou sete do primeiro e seis do segundo, além do "lado B" "Baby That's Not the Point" e do hit "I Felt Stupid".

Curtas, as músicas do Drums muitas vezes são bem parecidas entre si, mas a qualidade das melodias e a energia da banda no palco não deixam o show cair na monotonia. Meio desajeitado, o vocalista Jonathan Pierce sabe entreter o público - conversa bastante ("Não sei quando vamos voltar, então vamos nos divertir esta noite"), dedica uma música aos homossexuais ("If He Likes It Let Him Do It") e convoca os fãs para dançar (antes de "Money").

Kings of Leon

Nome mais conhecido do festival, o Kings of Leon estava de férias, mas atendeu ao insistente convite dos organizadores do festival para fazer deste em São Paulo um de seus únicos compromissos do ano. O público numeroso correspondeu cantando junto, enquanto o porta-voz da família Followill, o vocalista Caleb, se derramava em elogios. "E no fim tivemos uma noite boa, não?", comentou, com sua voz rasgada, lembrando a chuva que caiu no início da tarde. "Isso é maravilhoso. Adoramos vocês e estar de volta."

Nunca há grandes surpresas nos shows da banda – embora Caleb, um ano depois de casar, tenha aparecido com um princípio de calvície flagrante e um bocado envelhecido. É aquela já famosa mistura de rock norte-americano sulista clássico, a la Lynyrd Skynyrd, com o novo rock anos 2000, maquiado com um pouquinho de sujeira, malvadeza e sensualidade, de mentirinha mesmo.

À primeira parte correspondem músicas como "Molly's Chambers", primeiro hit da carreira da banda e música de abertura da noite, e a sentimental "Back Down South", acompanhada por imagens de um campo de trigo tremulando no telão – country rock mais didático, impossível.

A parcela radiofônica, porém, foi mais farta e muito bem recebida. Houve coro em "Crawl", "Radioactive", "Taper Jean Girl", "Sex on Fire" e "Use Somebody", essa já no final da 1h30 de apresentação.

Gossip

Ao pisar no palco indie, às 22h15 de sábado, o trio norte-americano Gossip foi ovacionado pelo público. Eram fãs que aguardavam um show da banda há muto tempo - o grupo liderado pela carismática Beth Ditto já havia cancelado duas apresentações no Brasil.

Assim, só a presença da banda em cima do palco já era suficiente para esquentar o clima. Mas o grupo entregou mais.

Beth Ditto entrou cantando o "Oi oi oi" de "Avenida Brasil". O Jockey Club veio abaixo. Em seguida, ela diz: "Ba noite, nós somos o Kings of Leon". Muitas risadas. Então a banda começa a tocar 'Love Long Distance", e o público não para mais de dançar durante a hora e meia de apresentação.

Se em disco as músicas do Gossip conservam alguma crueza punk, ao vivo as intervenções eletrônicas são mais acentuadas, e o show ganha um bom clima disco. "Listen Up", por exemplo, aparece quase como um funk.

Entre uma música e outra, Beth Ditto mostra-se uma vervadeira entertainer. Brinca com o drink que está bebendo, fala algumas palavras em português, elogia o Drums e o Garbage, que tocaram antes, enrola-se numa bandeira do Brasil. E traz algumas surpresas.

Além de um cover de "What's Love Got to do With It", de Tina Tuner, Ditto canta pequenos trechos de músicas diversas, como "Bad Romance, de Lady Gaga, "I Wanna Be Sedated", dos Ramones, emenda um trecho de "Smells Like Teen Spirit", do Nirvana, durante o hit "Standing in the Way of Control".

Ao final do show, em "Heavy Cross", ela desce até o público. Beija inúmeros fãs e, em seguida, puxa um enorme coro para "We Are the Champions", clássico do Queen. Beth Ditto foi a personalidade do festival.

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