"Me reconhecem pelo chapéu", diz cantor do "oi oi oi" de "Avenida Brasil"

Intérprete do sucesso "Vem Dançar Comigo", Robson Moura fala ao iG sobre as comparações com Latino e relembra a época em que cantava em navios e igrejas

Augusto Gomes , iG São Paulo | - Atualizada às

O nome Robson Moura ainda não significa nada para a maior parte dos brasileiros e seu rosto só recentemente começou a ser reconhecido nas ruas. Mas o "oi oi oi" da abertura da novela das nove, "Avenida Brasil", é familiar para muita gente. É Robson, um paulistano de 31 anos, que dá voz à canção.

"Vem Dançar com Tudo" é uma das duas versões em português de "Danza Kuduro", do franco-português Lucenzo. Além da de Robson, há uma do veterano Latino. A coincidência faz com que muitas pessoas acreditem que quem canta na abertura da novela seja Latino. "Ela ainda está associada a ele, não a mim", reconhece Robson.

O cantor falou com a reportagem do iG no sofá de sua casa, um sobrado na Vila Mariana, zona sul de São Paulo. A conversa aconteceu um dia depois de Robson fazer a apresentadora Fátima Bernardes dançar kuduro em seu programa matinal, e um dia antes de ele ter ficado de fora da edição 2012 do "Criança Esperança" - Latino cantou o kuduro em seu lugar.

No momento, Robson está começando a sentir o gostinho do sucesso. Já é reconhecido "um pouquinho" nas ruas, mas principalmente por causa do chapéu que virou sua marca registrada. Nesta semana, lança sua segunda música de trabalho, "A Rumba Vai te Pegar". Uma canção "bem dançante também", segundo ele.

Na entrevista abaixo, Robson conta como foi parar na abertura da novela, relembra a época em que cantava em navios e revela que, muito antes de "Avenida Brasil", sua voz já era bastante ouvida na televisão.

Não contei com nada enquanto não ouvi minha voz lá na abertura da novela.

iG: Como apareceu o convite para cantar "Vem Dançar com Tudo" na abertura da novela?
Robson Moura: Eu estava sentado aqui neste sofá mesmo, vendo TV. Aí o (produtor) Duda Queiroz me ligou e perguntou se eu não queria fazer um teste. Ele não me falou para o que era, achei até que fosse para um jingle. Quando cheguei no estúdio ele me falou que era a música da abertura da nova novela da Globo.

iG: Não deu um frio na barriga?
Robson Moura: Eu sou meio cético, sei como a televisão funciona. Às vezes parece que uma coisa está certa e na última hora cai. No primeiro momento deu, sim, um frio na barriga, mas eu controlei. Já criei um mecanismo de não ficar com ansiedade, senão ia morrer (risos). Não contei com nada enquanto não ouvi minha voz lá na abertura da novela.

iG: Desde o início, já estava certo que você iria interpretar a música?
Robson Moura: A primeira versão que gravei era mais contida, porque o Duda Queiroz pediu para eu cantar assim. Mas a Globo não gostou, achou sem pegada. O legal é que o Duda assumiu que foi ele quem me pediu para cantar daquele jeito e pediu para eu gravar de novo. A Globo concordou, mas pediu uma segunda opção de cantor. Aí eu gravei de novo, com mais pegada, e o Lino Crizz gravou a versão dele. No final, ficamos nós dois: o Lino com a parte do rap, eu com a parte cantada.

Também tinha um lado esportista: quando era menino fui vice-campeão paulista de judô.

iG: Você fazia o que antes de cantar a música da novela?
Robson Moura: Comecei a cantar em igrejas, meu pai é pastor. A gente tinha um trio, nós dois e mais minha irmã. Mas eu também tinha um lado esportista: quando era menino fui vice-campeão paulista de judô. Quando quebrei um dedo desisti da carreira esportiva e fiquei só na música.

iG: Então você começou a sua carreira musical com música gospel?
Robson Moura: É. Mas naquela época não tinha esse mercado que existe hoje. A gente tocava mais de graça nas igrejas do que ganhando cachê. Também tocava na noite, mas não queria viver disso. Era muito novo para passar noites acordado (risos). Junto com isso, entrei na faculdade de música. Fiz seis anos de composição e regência na UNESP. Quando me formei, era o maestro mais novo do Brasil.

iG: Foi nesta época que você virou ator de musicais?
Robson Moura: Quando estava na faculdade fiz um teste com o dramaturgo Vladimir Capella e comecei a trabalhar nas peças dele. Depois disso, veio o "Rent". Fiquei sabendo que eles estavam procurando atores e participei de uma audição. Passei na primeira fase, na segunda, na terceira... Quando vi, tinha conseguido o papel principal (risos).

iG: E depois?
Robson Moura: Depois a Royal Caribbean (empresa que organiza cruzeiros marítimos) ia mandar o navio Splendour of the Seas para o Brasil e queria montar um elenco latino-americano para os espetáculos a bordo. Fui o único brasileiro que passou. Eu e mais 11 argentinos.

Nos finais de semana eu cantava em eventos, durante a semana eu gravava jingles.

iG: Além de tudo isso, você também cantou em jingles publicitários, é isso?
Robson Moura: Comecei a cantar em jingles na época do "Rent". Sabe aquele comercial da Honda? "Com tudo ela combina, só não combina com posto de gasolina" – fui eu que fiz. Fiz a propaganda do Apracur, aquela que dizia "é mais malvado que a gripe". Aquela do Eparema, "não fique longe da sua paixão, a feijoada". Aquela música do Queen no comercial da Fiat, eu imitei a voz do Freddie Mercury. Nos finais de semana eu cantava em eventos, durante a semana eu gravava jingles.

iG: Além de tudo isso, você também cantava em eventos?
Robson Moura: Isso foi quando eu voltei da temporada no navio. Tinha usado o dinheiro que ganhei lá para dar entrada em um apartamento e, na mesma época, tinha sido chamado para cantar numa versão musical de "O Pagador de Promessas". Mas o produtor perdeu os patrocinadores, fugiu de São Paulo e eu fiquei sem salário e cheio de dívidas. Aí comecei a ligar para todo mundo que conhecia atrás de trabalho. Quando o empresário de uma banda disse que precisava de um guitarrista, eu aceitei. E nem tinha guitarra, peguei emprestada de um amigo meu.

iG: E agora, quais são os seus planos?
Robson Moura: Estou gravando meu disco, espero lançar em um mês e meio, no máximo. O importante é ter uma linha definida. Não adianta a música da novela ter um estilo e o disco ter outro totalmente diferente. Eu defino o meu estilo como pop latino. Apesar de o kuduro ser um ritmo africano, eu faço um kuduro acelerado que parece mais uma rumba. A produção é do Rubens Moraes, que trabalhou no último disco do Mauricio Manieri.

Acho que eu consegui preencher uma lacuna no Brasil.

iG: A ideia então é seguir o estilo de "Vem Dançar com Tudo"?
Robson Moura: Não sei se é muito otimismo, mas acho que eu consegui preencher uma lacuna no Brasil. Há poucos artistas pop, tudo é muito segmentado. Tem o sertanejo, tem o pagode, mas não tem o pop. Você encontra várias cantoras pop, como Ivete Sangalo, Marjorie Estiano, Claudia Leitte. Mas não encontra cantores.

iG: Qual será a sua próxima música de trabalho?
Robson Moura: Nesta semana lanço "A Rumba Vai te Pegar". É uma rumba pop, bem dançante também. A composição é minha e o estilo está antenado com o que acontece lá fora. Vai na linha do Daddy Yankee, do Lucenzo. Só que estamos misturando uns elementos brasileiros. Este é o diferencial. Se você pegar nossa versão de "Vem Dançar com Tudo", ela tem muito mais percussão. A original é mais eletrônica.

iG: Alguns dias atrás, você colocou a Fátima Bernardes para dançar kuduro. Como aconteceu?
Robson Moura: Eu ponho todo mundo para dançar (risos). Não costumo combinar nada, mas antes falo com os produtores para ver o que posso e o que não posso fazer. No caso do programa da Fátima, falaram que podia chamar todo mundo para dançar. Então chamei todo mundo, inclusive a Fátima.

Não tenho nada contra o Latino.

iG: Recentemente, disseram que você, no "Criança Esperança", não quis fazer um dueto com o Latino. É verdade?
Robson Moura: Eu tinha recebido um convite para participar do "Criança Esperança". Logo depois, o empresário do Latino entrou em contato e sugeriu que nós fizéssemos um dueto. Mas, antes de tudo isso, eu já estava conversando com o Lucenzo para cantar com ele no programa. E, nesse meio tempo, eu pedi a rescisão do contrato com meu empresário, que era quem estava negociando minha participação. O resultado de tudo isso é que esse empresário, que estava de cabeça quente por causa da rescisão, disse para a Globo que eu não queria dividir o palco com o Latino. E eu nunca falei isso, não tenho nada contra o Latino.

iG: O que mudou na sua vida depois de ter a música na abertura da novela?
Robson Moura: É como se eu saísse de um emprego assalariado para virar dono do meu próprio negócio. O que mudou é isso. Em termos de dinheiro ainda não mudou nada, mas a possibilidade de lucro é maior. O que facilita é que eu tenho uma vitrine, que é a música na abertura da novela. Mas ela ainda está associada ao Latino, não à minha imagem. Por isso eu vou a programas de TV, dou entrevistas. A perspectiva para o futuro é boa. Mas ainda não estou rico, não (risos).

iG: As pessoas já te reconhecem na rua?
Robson Moura: Um pouquinho. As pessoas me reconhecem por causa do chapéu (risos). Foi ideia de uma consultora de moda que é amiga minha. Falei para ela que precisava criar um estilo e ela sugeriu o chapéu. Aqui na vizinhança é um barato, todo mundo comenta quando eu apareço na televisão. Eles viram que eu não mudei o tratamento com ninguém, ficam torcendo por mim.

iG: Você tem medo que o sucesso vá embora tão rápido quanto chegou?
Robson Moura: Quem manda é o público. Se ele não gostar, não adianta. A minha pretensão é só viver de música. Ter condições de morar bem, de pagar minhas contas. Por isso espero que o público goste do meu trabalho. Recentemente vi uma reportagem dizendo que o Gilberto Gil gostou da minha música. Perguntaram a opinião dele sobre algumas músicas atuais e ele disse que não gostava do Michel Teló, mas gostava da música do menino da novela.

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