Filme sobre a banda LCD Soundsystem é destaque do Creator'’s Project

Evento terá exibição do documentário além de shows e painéis de arte

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Augusto Gomes
James Murphy, líder do LCD Soundsystem

"Losing My Edge", a faixa que colocou James Murphy no mapa, dez anos atrás, canta o entardecer de um musicófilo descolado, na aurora do download. Em sete minutos de citações de bandas e discos outrora obscuros, que na época tornavam-se disponíveis com um clique de mouse, Murphy e seu LCD Soundsystem destilam os tons de autoanálise dançante que os colocariam entre as bandas mais emblemáticas de sua geração.

Dez anos, três discos e um punhado de hits depois, essa maturidade descolada é um dos focos do show/documentário "Shut Up and Play the Hits", um retrato de Murphy e da banda em sua última apresentação, em abril do ano passado, no Madison Square Garden, em Nova York.

"Nenhum outro grande grupo teve um fim desse", conta Will Lovelace, que dirigiu o filme ao lado de Dylan Southern, e enfatiza o paradoxal ícone trintão, ídolo da moçada indie.

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A forma controlada como Murphy gravou o último disco e anunciou o fim da banda no último show foi o estopim do interesse dos diretores. "A maioria dos grupos continua junta, mesmo em conflito, ou desmorona por causa de drogas ou mulheres. O LCD Soundsystem é exceção: uma banda que terminou satisfeita com sua obra, e que será lembrada como um dos melhores grupos ao vivo de sua geração", completa.

Os motivos do fim foram cansaço, vontade de ter filhos e de fazer café, revela o documentário, que está em cartaz em salas dos Estados Unidos e será mostrado neste final de semana, em São Paulo, no evento gratuito Creator’s Project, que traz bandas independentes e apresenta também painéis com artistas renomados e stands de gastronomia.

Além de um belo registro da qualidade da banda ao vivo, "Shut Up and Play the Hits" busca jogar luz na persona reservada de Murphy. Em uma das conversas, Murphy explica que queria ser "antiespecial", construir uma imagem de músicos comuns, com nenhum talento óbvio para fazer música. Esse é, logicamente, um dos paradoxos do próprio, que é reconhecido mundialmente como um mestre do estúdio, e compôs músicas como "All My Friends", "Daft Punk is Playing at My House" e "Someone Great", pérolas da síntese pop.

O porém desse paradoxo, Murphy completa em certo ponto do documentário, é que ele é "muito competitivo".

Creator's Project
Moinho: r. Borges de Figueiredo, 510, São Paulo
Amanhã e domingo, das 11h às 23h 

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