'Tenho dias bons e ruins. As canções refletem isso', diz líder do Of Montreal

Banda toca nesta terça em São Paulo e quinta no Rio de Janeiro; leia entrevista com o vocalista Kevin Barnes

Augusto Gomes , iG São Paulo | - Atualizada às

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Kevin Barnes, vocalista do Of Montreal

A primeira passagem da banda Of Montreal pelo Brasil, há dois anos, rendeu tanto inspirações quanto decepções. A inspiração, na forma de uma bebedeira citada na música "Wintered Debts", uma das faixas do mais recente disco da banda, "Paralytic Stalks". Decepção, por ter tocado num grande festival, sem poder se conectar com seus fãs.

Pois agora o grupo poderá deixar a decepção de lado e, quem sabe, buscar novas inspirações. Nesta terça (26), dentro do festival Popload Gig, o Of Montreal toca no Cine Joia, em São Paulo, uma casa pequena que permite a proximidade com o público que a banda prefere. Na quinta (28), apresenta-se no Circo Voador, no Rio de Janeiro - outro local bem intimista.

O iG conversou por telefone com Kevin Barnes, líder do Of Montreal, sobre suas perfomances no Brasil. A entrevista ainda incluiu temas como as influências do novo disco, as dificuldades de colocar experiências pessoais nas músicas e a montagem do repertório dos shows.

iG: Seu disco mais recente, "Paralytic Stalks", soa mais ambicioso do que os anteriores. Era esse o objetivo?
Kevin Barnes: Eu fui muito influenciado por um disco do Sufjan Stevens, "The Age of Oz". Gostei de como ele, digamos, "ampliou seu campo". Muitas das canções eram mais longas do que se espera de uma música popular, mas ao mesmo tempo também tinham uma pegada pop. Então eu tentei fazer algo parecido. Algo abrangente e meio ambicioso, com canções de oito, dez
minutos.

iG: Ao mesmo tempo, as letras do disco são bastante pessoais, quase confessionais.
Kevin Barnes: Eu estava passando por uma fase difícil, então usei o processo criativo como uma forma de terapia. Decidi expor certos aspectos da minha vida de uma forma muito direta. Me inspirei bastante no primeiro álbum solo do John Lennon, "Plastic Ono Band". Meu objetivo foi fazer algo naquele estilo, bem direto e pessoal.

iG: Expor experiências tão pessoais em suas músicas não é algo assustador para você?
Kevin Barnes: Sei que algumas pessoas vão se identificar com o disco. E essa é uma sensação boa, saber que posso ajudar as pessoas da mesma forma que outros artistas me ajudaram. Tenho noção que as letras são bem pessoais, mas ao mesmo tempo também são universais. As coisas pelas quais passei não são únicas, outras pessoas também passaram por elas.

iG: Como é combinar essas músicas novas com composições mais antigas em seus shows?
Kevin Barnes: Acho que meus últimos cinco discos têm o mesmo espírito. Posso misturar músicas de qualquer um desses álbuns que o resultado soará bom. Quanto às canções dos meus primeiros trabalhos, já não tenho tanta certeza - por isso mesmo toco mais músicas de cinco anos para cá. Sempre entram várias faixas do "Hissing Fauna, Are You the Destroyer?" (álbum de 2007) no repertório.

iG: É interessante você citar o "Hissing Fauna", porque também é um disco com letras bem pessoais.
Kevin Barnes: No início da turnê, eu ainda sentia uma espécie de "crise de identidade" quando combinava canções novas e antigas. Mas, depois de um tempo, percebi que todas elas eram parte de mim, parte da minha imaginação. Minhas músicas são como a minha vida. Eu tenho alguns dias bons e alguns dias ruins. As canções refletem isso.

iG: Esta será sua segunda passagem pelo Brasil. Na primeira, você tocou num festival. Dessa vez, tocará numa casa fechada. É muito diferente?
Kevin Barnes: Com certeza. Num festival, você precisa tocar para pessoas que nunca ouviram falar de você. E conquistar a atenção de quem está lá no fundo, a dezenas de metros do palco. Num local fechado, o show é muito mais íntimo. É como se houvesse uma espécie de "conexão comunitária" entre a banda e o público. Pessoalmente, acho muito melhor.

iG: Uma das faixas do novo disco, "Wintered Bebts", traz uma citação a São Paulo. A cena descrita na música aconteceu de verdade?
Kevin Barnes: Sim, aconteceu de verdade. A descrição é bem realista, pode acreditar (na letra, Barnes canta o seguinte: "Slipping on my own vomit / Tried to call you / From a bathroom in São Paulo" - em tradução aproximada, "Escorregando no meu próprio vômito / Tentei ligar para você / De um banheiro em São Paulo").


iG: E quanto à parte visual do show? Vocês vão trazer para o Brasil a mesma estrutura da turnê americana?
Kevin Barnes: Ainda não sei o que vamos levar ao Brasil. Temos que alugar muitas coisas para os shows aqui nos Estados Unidos. Então não sei se teremos condições de levar todas as projeções para os shows fora daqui. É provável que preparemos um espetáculo totalmente novo para o Brasil. Vamos levar seis músicos e mais dois ou três artistas performáticos, provavelmente.

Of Montreal em São Paulo
Terça-feira (26), a partir das 23h
Popload Gig - Cine Joia (Praça Carlos Gomes, 82, Liberdade)
Ingressos: R$ 90 a R$ 180
http://cinejoia.tv

Of Montreal no Rio de Janeiro
Quinta-feira (28), a partir das 22h
Circo Voador (Rua dos Arcos, s/n, Lapa)
Ingressos: R$ 70 a R$ 140
http://www.circovoador.com.br

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