Paulo Barros: 'Não dá para contar a vida de Luiz Gonzaga num único desfile'

Premiado carnavalesco da Unidos da Tijuca fala sobre como levou para a Sapucaí a vida do Rei do Baião

Priscila Bessa , iG Rio de Janeiro |

Luiz Gonzaga, no ano do centenário de seu nascimento , foi premiado no carnaval do Rio. Com o enredo "O Dia em que Toda a Realeza Desembarcou na Avenida para Coroar o Rei Luiz do Sertão", a Unidos da Tijuca sagrou-se campeã em 2012 .

A homenagem a Gonzagão foi arquitetada pelo carnavalesco da escola, o premiado Paulo Barros. A comissão de frente desfilou pela avenida com sanfonas dançantes, que "libertavam" a alma do instrumento, símbolo do rei do baião.

O abre-alas representou o setor de desembarque de um aeroporto em que reis de todo o mundo, vivos ou já mortos, chegam ao sertão para homenagear Luiz Gonzaga. Elvis Presley, Pelé e Michael Jackson, entre outros, apareceram na Sapucaí.

Na última alegoria, “Asa Branca”, diversos foliões coreografados imitavam pássaros sobrevoando a Sapucaí. Daniel Gonzaga, filho de Gonzaguinha, neto de Luiz Gonzaga, também desfilou.

Leia abaixo a entrevista que Paulo Barros concedeu ao iG .

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iG: Após todo o contato que teve com a obra de Luiz Gonzaga para criar o enredo da Unidos da Tijuca no último carnaval, qual a importância do músico para a cultura nacional?
Paulo Barros: Ele é uma figura de referência nacional que influenciou e ainda influencia muita gente na música. Apesar de eu não entender como isso funciona, digo como compositor e como cantor, essa minha pesquisa me levou a essas informações. Pude entender como ele serviu de fonte para muitos músicos.

iG: Teve alguma música dele em especial que te marcou nesse processo?
Paulo Barros:  "A Vida do Viajante", que eu já conhecia mas, quando fui me aprofundar, vim a entender o verdadeiro conteúdo da música, da letra. E essa canção me serviu exatamente para montar o enredo, que foi concebido através da ideia de fazer uma grande viagem pelo Brasil para mostrar a monarquia e a vida de viajante. Acho que é a síntese do trabalho dele que tanto andou e viajou pelo país.

iG: Como foi o convívio com a família de Luiz Gonzaga durante esse trabalho?
Paulo Barros: O convívio com eles foi muito bom e tranquilo até porque todos se comportaram de maneira muito digna com relação ao que estava sendo feito. Sempre me colocaram numa posição de que confiavam no que estava fazendo. Nunca foi questionado sobre o que estava sendo feito e isso dá credibilidade para o artista. Estive com a Rosinha (Gonzaga, filha de Luiz) no barracão e ela sempre foi muito cordial, mostrando-se entusiasmada.

iG: É verdade que você não teria gostado do tema?
Paulo Barros: Não é verdade. O que acontece é que as pessoas talvez tenham confundido. Todo mundo de carnavalesco tem um pouco, então começam a surgir ideias, não por mal, mas as pessoas, quando detêm o conhecimento de algumas coisas, querem passar esses ensinamentos de alguma maneira. Querem contribuir. Só que às vezes as contribuições sem querer acabam interferindo. Esse foi o meu descontentamento quando se falou no enredo. Apesar de nunca ter acontecido isso. Nunca fui obrigado a ter que colocar algo específico no enredo por decisão da escola ou de uma pessoa que tivesse uma ligação, digamos, comercial com a agremiação. O enredo me foi entregue e pude realizá-lo como gostaria e isso me deixou muito satisfeito.

iG: Por que não optar por um enredo biográfico?
Paulo Barros: Porque não daria para contar toda a vida de uma pessoa tão rica num único desfile. Talvez precisasse de uns três ou quatro (risos). E seria muito comum. Eu procurei inovar. Já que o Sertão foi cantado tantas vezes na avenida, quis encontrar uma maneira de fazer uma coisa diferente. Daí a ideia de criar o enredo que fala dessa viagem, da monarquia presente na coroação de Luiz Gonzaga.

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