Arnaldo Antunes: "Eu topo fazer show com os Titãs"

Cantor completa 30 anos de carreira com disco "Acústico"; leia entrevista ao iG

Augusto Gomes, iG São Paulo |

Fernando Laszlo/ Divulgação
Arnaldo Antunes
Neste ano, Arnaldo Antunes completa 30 anos de carreira. Ao mesmo tempo, lança um CD e DVD acústico, em que revisita boa parte dessa trajetória: músicas dos Titãs, banda que integrou até 1991; dos Tribalistas, seu projeto com Marisa Monte e Carlinhos Brown; e também canções que havia composto para outros artistas, como Zélia Duncan e Maria Bethânia, e nunca havia gravado - além de sucessos de sua carreira solo.

Segundo Arnaldo, o lançamento "não foi pensado" para comemorar as três décadas de carreira. "Foi uma coincidência bem-vinda. Um trabalho como este é uma oportunidade de reler a carreira como um todo", explica. "Existe essa tradição de aproveitar o 'Acústico' para fazer um panorama da carreira, mas num formato diferente. Gilberto Gil fez isso. Ira! e Titãs também."

Veja vídeos do Canja de Arnaldo Antunes no iG

Em entrevista por telefone ao iG , Arnaldo falou sobre a sua relação com a nova geração da música brasileira e contou que participará das comemorações dos 30 anos dos Titãs. Também comentou a prisão do rapper Emicida por desacato , ocorrida no domingo: "De cara, acho esta notícia um absurdo. Mas ainda nem sei o contexto, preciso me informar. Eu fiquei chocado."

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Arnaldo Antunes com Marcelo Jeneci ao fundo
Novos artistas

O 'Acústico' abre e fecha com duas canções do mais recente disco de estúdio do cantor, "Iê Iê Iê", de 2009. A banda também é a mesma que acompanha o músico desde aquela época. Entre os integrantes, está Edgard Scandurra, ex-guitarrista do Ira! e companheiro de geração de Arnaldo, e Marcelo Jeneci e Curumin, duas das principais revelações da nova música brasileira.

Diferentemente de Nana Caymmi, que recentemente reclamou que só há música ruim no Brasil , Arnaldo está bastante entusiasmado com esta nova geração. "Eu sou curioso e encontro um monte de coisas legais acontecendo na música atualmente", diz. "Acabo vendo grande parte desta cena por trabalhar com o Curumin e o Jeneci."

A diferença de idades - Arnaldo completou 51 anos em setembro do ano passado - não é um problema. "A questão geracional não entra muito. Quando existe admiração, a gente acaba se encontrando e fazendo coisas juntos. Os encontros são espontâneos", afirma. "É uma questão de ter afinidade verdadeira."

Os convidados especiais do acústico também fazem parte desta turma mais nova: Moreno Veloso, Nina Becker e Guizado. Só Liminha, com que Arnaldo já trabalhava na época em que integrava os Titãs, faz parte do time das participações veteranas.

Titãs

A banda que revelou o cantor também é representada no CD e DVD. Deles, Arnaldo canta os sucessos "O Que" e "Comida" e a mais obscura "Hereditário". Participar das comemorações de três décadas de carreira do grupo faz parte de seus planos.

Veja imagens de toda a carreira dos Titãs

"Os Titãs vão fazer alguns shows comemorativos dos 30 anos no segundo semestre e me convidaram para participar de uns três shows ou algo assim. Eu falei que topo. Se rolar, estaremos juntos", revela.

Escolha de repertório

O cantor encarou a tarefa de definir o repertório de seu novo disco como um desafio. "Tive de escolher, entre tudo o que eu já fiz, o que é mais representativo. E também o que ficaria melhor dentro da instrumentação acústica", explica. "Fora isso, ainda tive de pensar na mistura de canções mais e menos conhecidas, nas músicas gravadas por outros intérpretes que eu nunca havia cantado, e nas coisas inéditas para colocar no meio das antigas."

Entre as composições que Arnaldo nunca havia gravado, está "Alma", parceria com Pepeu Gomes que Zélia Duncan cantou em 2001. "Como a música fez muito sucesso na voz dela, eu pensei: 'já aconteceu, não preciso gravar'", conta. "Mas, com o 'Acústico', tive a oportunidade de fazer um novo arranjo e decidi arriscar. Valeu a pena."

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Cena do 'Acústico' de Arnaldo Antunes
"Uma vez que uma música minha tenha sido bem gravada por outro artista, não tenho mais aquela ansiedade de eu mesmo gravar, por mais interessante que seja a canção. Aquilo, de certa forma, já não tem o mesmo ineditismo."

Sobre este "Acústico", o cantor diz que começou "com uma lista de 40, 50 músicas". No início, o próprio Arnaldo foi diminuindo essa relação sozinho. Depois, sua banda deu sugestões. "Mas algumas decisões aconteceram só no processo de ensaio mesmo. Aí vimos o que funcionava melhor", recorda.

"Por exemplo, eu queria cantar uma música dos Tribalistas. Estava em dúvida entre 'Carnavália' ou 'Passe em Casa'. No final, 'Passe em Casa' ficou com um arranjo mais legal e acabamos optando por ela", afirma. "Canções como 'Nem Tudo' e 'Alegria' também caíram no final, assim como outras inéditas que eu tinha desejo de experimentar."

Shows

Arnaldo estará na estrada com os shows do 'Acústico' e também do disco 'A Curva da Cintura', um projeto dele com Edgard Scandurra e o músico africano Toumani Diabaté lançado no ano passado. "São dois shows muito diferentes. Formação diferente, instrumentação diferente, repertório diferente. É só sintonizar um canal de cada vez", afirma.

Nesta quarta-feira (16), o cantor apresenta o 'Acústico' em Piracicaba, no interior de São Paulo. Na quinta (17), leva o show 'A Curva da Cintura' a Caruaru, em Pernambuco. No sábado (19), estará no festival Lulapaluna, em Curitiba, em show com participações de Marina Lima, Mallu Magalhães e Ana Cañas.

Sua agenda ainda inclui uma apresentação no Circo Voador, no Rio de Janeiro, dia 26 de maio, e uma série de seis performances no Sesc Belenzinho, em São Paulo, entre 14 e 26 de junho.

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