Ex-Mutante tocou clássicos da banda, da carreira solo e covers improváveis em show curto

Arnaldo Baptista no Theatro Municipal
AE
Arnaldo Baptista no Theatro Municipal
Um desenho de traço infantil projetado no fundo do palco do Theatro Municipal de São Paulo, acompanhado pela frase "energia espiritual", deu lugar à luz dos holofotes, que seguiram o caminhar vacilante de Arnaldo Baptista até o piano, na noite deste sábado (05). O entusiasmo superlativo com que o público recebeu o ex-mutante, homenageado pela Virada Cultural, já denunciava o sentimento geral: não importava o que acontecesse, só dele estar ali já valia o aplauso.

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Arnaldo é um sobrevivente. Depois de mudar para sempre o rock nacional com Os Mutantes ainda na adolescência, sucumbiu ao espírito libertário dos anos 1970 e a problemas psicológicos e de saúde. Fora do radar por décadas, voltou à cena faz pouco, delibitado, mas cheio de amor para dar. E, obviamente, receber.

Letras e desenhos do músico estampam alguns dos palcos da Virada Cultural. No Theatro Municipal, as obras foram o ponto de partida para projeções psicodélicas, distorções dos traços coloridos originais.

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A apresentação seguiu o mesmo espírito das que Arnaldo fez no ano passado no Sesc Belenzinho: versões encurtadas de sucessos d'Os Mutantes, da carreira solo e covers. Em 45 minutos de show, ele tocou seguramente mais de 30 músicas, emendadas quase que em um pout-pourri.

"Não Estou Nem Aí", "Uma Pessoa Só", "Te Amo Podes Crer" e "Posso Perder Minha Mulher, Minha Mãe, Desde que Eu Tenha o Meu Rock 'n' Roll" foram misturadas com "Blowin in the Wind" (Bob Dylan), "Puff, the Magic Dragon" (Peter, Paul and Mary) e "Rocket Man" (Elton John), entre várias outras. Apareceram até a infantil "Meu Gatinho" e "Meu Limão, Meu Limoeiro" – "é folclore, né", ele comentou.

Ninguém parecia se preocupar com a voz miúda e o jeito todo particular de Arnaldo tocar piano. A ideia era ver a lenda. Ao final de cada música, o teatro vinha abaixo, ecoando gritos de "gênio" e até "lindo". Arnaldo abria os braços, encolhia os ombros embevecido, escondia o rosto com as mãos, num jeitinho acanhado que conquistava ainda mais.

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As duas músicas que abriram o show, "Cê Tá Pensando Que Eu Sou Loki?" (repetida no bis ligeiro) e a imortal "Balada do Louco", funcionaram ao mesmo tempo como carta de intenções e explicação para quem pergunta porque ver Arnaldo Baptista no palco. "Mais louco é quem me diz e não é feliz / Eu sou feliz", diz a letra. Impossível não acreditar.

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