Arnaldo Baptista abre programação do Theatro Municipal na Virada

Ex-Mutante tocou clássicos da banda, da carreira solo e covers improváveis em show curto

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

AE
Arnaldo Baptista no Theatro Municipal
Um desenho de traço infantil projetado no fundo do palco do Theatro Municipal de São Paulo, acompanhado pela frase "energia espiritual", deu lugar à luz dos holofotes, que seguiram o caminhar vacilante de Arnaldo Baptista até o piano, na noite deste sábado (05). O entusiasmo superlativo com que o público recebeu o ex-mutante, homenageado pela Virada Cultural, já denunciava o sentimento geral: não importava o que acontecesse, só dele estar ali já valia o aplauso.

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Arnaldo é um sobrevivente. Depois de mudar para sempre o rock nacional com Os Mutantes ainda na adolescência, sucumbiu ao espírito libertário dos anos 1970 e a problemas psicológicos e de saúde. Fora do radar por décadas, voltou à cena faz pouco, delibitado, mas cheio de amor para dar. E, obviamente, receber.

Letras e desenhos do músico estampam alguns dos palcos da Virada Cultural. No Theatro Municipal, as obras foram o ponto de partida para projeções psicodélicas, distorções dos traços coloridos originais.

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A apresentação seguiu o mesmo espírito das que Arnaldo fez no ano passado no Sesc Belenzinho: versões encurtadas de sucessos d'Os Mutantes, da carreira solo e covers. Em 45 minutos de show, ele tocou seguramente mais de 30 músicas, emendadas quase que em um pout-pourri.

"Não Estou Nem Aí", "Uma Pessoa Só", "Te Amo Podes Crer" e "Posso Perder Minha Mulher, Minha Mãe, Desde que Eu Tenha o Meu Rock 'n' Roll" foram misturadas com "Blowin in the Wind" (Bob Dylan), "Puff, the Magic Dragon" (Peter, Paul and Mary) e "Rocket Man" (Elton John), entre várias outras. Apareceram até a infantil "Meu Gatinho" e "Meu Limão, Meu Limoeiro" – "é folclore, né", ele comentou.

Ninguém parecia se preocupar com a voz miúda e o jeito todo particular de Arnaldo tocar piano. A ideia era ver a lenda. Ao final de cada música, o teatro vinha abaixo, ecoando gritos de "gênio" e até "lindo". Arnaldo abria os braços, encolhia os ombros embevecido, escondia o rosto com as mãos, num jeitinho acanhado que conquistava ainda mais.

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As duas músicas que abriram o show, "Cê Tá Pensando Que Eu Sou Loki?" (repetida no bis ligeiro) e a imortal "Balada do Louco", funcionaram ao mesmo tempo como carta de intenções e explicação para quem pergunta porque ver Arnaldo Baptista no palco. "Mais louco é quem me diz e não é feliz / Eu sou feliz", diz a letra. Impossível não acreditar.

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