Uma brasileira se infiltra no time das grandes baixistas de jazz da atualidade

Nascida em São Paulo e radicada nos EUA, Amanda Ruzza lança seu primeiro disco, "This Is What Happened"

Augusto Gomes, iG São Paulo |

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A baixista brasileira Amanda Ruzza
Quando se fala em jovens baixistas de jazz do sexo feminino, a americana Esperanza Spalding costuma ser o primeiro nome citado, com a australiana Tal Wilkenfeld geralmente aparecendo em segundo.

Pois as duas estão prestes a ganhar uma companhia brasileira. É Amanda Ruzza, uma paulista filha de pai italiano e mãe chilena que vive em Nova York. Ele acaba de lançar o seu primeiro disco, intitulado "This Is What Happened" ( ouça trechos ao final do texto ).

"É um projeto 80% autoral", explica a baixista. Das sete faixas, cinco foram compostas pela brasileira. Segundo Amanda, o título (em português, "isto foi o que aconteceu") foi escolhido porque o álbum retrata "o que rolou" na sua vida até hoje. "Está tudo lá. Como eu saí do Brasil, fui tocar música country, estive num porta-aviões no Japão. É uma reflexão sobre tudo isso."

Um porta-aviões no Japão? Pois é, Amanda rodou por boa parte do planeta como baixista de uma banda country. "Toquei com esse grupo de Nashville por quatro anos. Fiz shows em bases militares por todos os Estados Unidos e também Coreia e Japão", lembra.

Antes disso, ela já havia estudado música por dois semestres em Boston. Após abandonar a banda, conseguiu uma bolsa integral na New School University, em Nova York.

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A baixista brasileira Amanda Ruzza
Ao mesmo tempo em que estudava, Amanda também se apresentava na noite nova-iorquina. "As pessoas acham que é muito difícil conseguir tocar em Nova York, mas não foi o meu caso", conta. "Tocar na noite é um ótimo aprendizado, porque é comum ter que se virar em situações inesperadas", diz.

Um exemplo? "Já me chamaram para shows de música africana e árabe. Acham que, como você é brasileiro, consegue tocar."

Para Amanda, isso tem um lado bom: "mesmo sem perceber, isso tudo entra no seu som". "A música brasileira é algo tão forte que não tem como não carregar com você. Mas, quando a gente vem para Nova York, começa a absorver os sons do mundo", afirma.

Esse é outro aspecto que Amanda quis abordar em seu primeiro disco. "Ele é uma reflexão sobre o que acontece com os músicos brasileiros aqui nos EUA, sobre como Nova York muda nosso som."

A ideia de lançar um disco surgiu depois que Amanda gravou uma demo e "as pessoas falaram que era legal". "Aí me empolguei e decidi fazer", diz. Das sete faixas, a mais antiga é "Pimenta no Choro". "Ela foi gravada um ano antes do restante do álbum. É a única acústica", afirma.

O disco abre com a faixa "Larry and I", uma homenagem ao baixista Larry Graham, uma das maiores influências de Amanda. A inspiração foi um "quase encontro" com o ídolo. "Isso aconteceu há uns dois anos. Eu cheguei para um ensaio, a sala que costumávamos usar estava ocupada e nos colocaram numa sala ruim", lembra. Quem havia "roubado" a sala de Amanda era justamente Larry Graham.

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Amanda Ruzza
"O dono do estúdio me disse para invadir a sala e dar um abraço nele. Mas eu tinha o meu ensaio, e terminou que eu não conheci o Larry. Mas, na volta para casa, no metrô, fiquei imaginando como seria o nosso encontro. E daí surgiu a música."

Outro destaque é "Pagão", um choro de Pixinguinha que ganhou um novo arranjo de Amanda. A música começa com um som ambiente de bar, com vozes em inglês e português se misturando.

"O choro começou como música de bar, para você ouvir comendo um frango frito e bebendo cerveja", explica. "Mas as músicas ficaram tão difíceis e os músicos ficam tanto tempo estudando que se esquecem disso. Minha ideia foi trazer a desconstração de volta."

Em junho, o público brasileiro poderá ouvir o som de Amanda Ruzza ao vivo. A baixista tem três apresentações agendadas no país, duas em São Paulo (5/6, no Jazz nos Fundos, e 6/6 no Ao Vivo) e Rio de Janeiro (8/6, no TriBoz). Será a segunda vez que ela se apresenta no Brasil. "Já toquei no Rio em junho do ano passado. Fiquei muito feliz em ver a casa lotada, porque eu tinha marcado o show meio no 'vamos ver o que dá'."

Ouça abaixo uma trechos do disco "This Is What Happened":

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