Duran Duran ao iG: 'Viemos recuperar o nosso território'

Banda está no Brasil para uma série de shows; vocalista Simon Le Bon fala sobre a influência de seu grupo no pop atual

Thiago Ney, iG São Paulo |

Simon Le Bon desembarcou no país na manhã de quinta-feira (dia 26). Poucas horas depois, já concedia entrevistas de seu quarto de hotel, em Brasília. "Não dá para descansar. Temos shows para fazer, então temos de divulgá-los", disse, por telefone, ao iG . Essa atitude ajuda a explicar por que o Duran Duran sobrevive em ótima forma 34 anos depois de ter sido formado.

Jorge Rosenberg
John Taylor e Simon Le Bon em show do Duran Duran no SWU 2011
Le Bon (vocal), John Taylor (baixo), Roger Taylor (bateria) e Nick Rhodes (teclado) estão em turnê pelo mundo há mais de um ano - no final de 2011, tocaram no SWU , em Paulínia (interior de SP). A banda engatou nova série de shows por aqui: tocaram em Brasília (no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, 28 de abril) e no Rio de Janeiro (Citibank Hall, 30 de abril) e, nesta quarta, se apresentam em São Paulo (Credicard Hall). A turnê segue até setembro, quando o grupo entra em férias.

Ouça músicas do Duran Duran

O Duran Duran é uma banda de estrada, que se dá melhor ao vivo do que em disco, e por isso trabalham para promover seus shows. Quem não concorda é mandado embora -  como ocorreu com o guitarrista Andy Taylor, em 2006.

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"Hoje nos damos muito bem, mas quando Andy estava conosco, era difícil. Ele não queria trabalhar o tanto que nós, queria algo mais suave. Quando viu o que tínhamos de fazer, dar entrevistas, participar de programas de TV, ele não aguentou. Achava que seriam férias. Por isso ele não está mais no grupo", afirma Le Bon. "Mas agora está tudo bem. Quando você está com outras pessoas há 30 anos, descobre várias coisas que te fazem rir, e rimos juntos. Não somos como os Eagles, que não se suportam. Somos bons amigos."

Le Bon se anima não apenas com seus parceiros de banda mas - o que é muito importante - também com a própria banda: "Eu adoro o Duran Duran. Adoro o que fazemos, as nossas músicas. Estar em frente ao público me energiza, me deixa feliz".

E não poderia haver momento melhor para uma turnê do Duran Duran. Estamos em uma época em que músicas como "Girls on Film", "The Reflex" e "Wild Boys" soam bastante atuais, pois estão no DNA de inúmeras bandas novas. Simon Le Bon se irrita quando copiam o Duran Duran?

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AE
Simon Le Bon durante apresentação do Duran Duran no SWU 2011
"Não, não, não, não! Acho isso cool, é o maior elogio que poderíamos receber. Quando fomos gravar com (o produtor) Mark Ronson (em 2010), ele disse: 'Veja The Killers, Franz Ferdinand, Bloc Party, The Rapture, essas bandas soam como o Duran Duran nos anos 1980. Vocês têm de tomar de volta o que é de vocês'. Para mim é um elogio o que essas bandas fazem, mas por outro lado temos de mostrar quem nós somos, recuperar nosso território, senão algum adolescente vai dizer: 'Hey, vocês parecem o Killers'. Isso seria tão ruim..."

James Bond?

Há alguns meses, começou a circular o rumor de que o Duran Duran faria a música-tema do próximo filme de James Bond. Le Bon desmente: "Seria legal, mas não é algo que vá acontecer. Não fomos procurados. E eu conheço a (produtora da série 007) Barbara Broccoli. Faríamos na hora". O que Le Bon gostou foi das versões de músicas da banda ("Hungry Like the Wolf" e "Rio") feitas no seriado "Glee". "Não vi na TV, mas no YouTube. Foi um choque ver as canções tratadas daquela forma, mas achei fantástico".

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Sobre os shows no Brasil, o vocalista diz que entrarão faixas recentes, como "All You Need Is Now", "Girl Panic" e "Safe", mas que não vão desprezar os inúmeros hits antigos. "Sempre tocamos coisas novas, porque é empolgante, mas vamos tocar as antigas também, pois é o que muita gente quer ouvir. Não gosto quando o público deixa um show com a sensação de que faltaram músicas."

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O Duran Duran, além de tocar os clássicos, faz questão de seguir os arranjos originais. "Eu ficaria bravo se fosse num show e a banda mudasse os arranjos. O único que fez isso e que gostei foi Bowie. Ele costuma tocar várias canções com arranjos diferentes, e foi o único que fez com que isso funcionasse", conta. "Se vamos tocar 'Rio' ou 'Girls on Film', vamos tocá-las como as pessoas as conhecem. É o que elas querem ouvir!"

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