'Lollapalooza vai acontecer no Brasil por 10 anos', diz produtor do festival

Presidente da Geo Eventos, Leonardo Ganem fala sobre problemas ocorridos na primeira edição e diz que em 2013 será feito em 3 dias

Thiago Ney, iG São Paulo |

O Lollapalooza deverá acontecer anualmente no Brasil pelo menos pelos próximos nove anos e, já a partir de 2013, se estenderá durante três dias.

As informações foram passadas ao iG pelo presidente da Geo Eventos, empresa de produção de espetáculos - ligada à Rede Globo - que organizou a primeira edição do Lollapalooza no país, nos dias 7 e 8 de abril, no Jockey Club, em São Paulo.

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Claudio Augusto/iG
Dave Grohl em show do Foo Fighters no Lollapalooza-Brasil

"Temos um contrato de cinco anos, renováveis. Então esperamos fazer por dez anos", disse Leonardo Ganem.

Biólogo de formação (passou 10 anos nos EUA como pesquisador), Ganem, 43 anos, é presidente da Geo há um ano. Antes, havia sido diretor financeiro e presidente da gravadora Som Livre.

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Divulgação
Leonardo Ganem, presidente da Geo Eventos
iG: Como avalia a primeira edição do Lollapalooza?
Leonardo Ganem:
Estamos supersatisfeitos. A primeira edição de qualquer coisa é complicada. É difícil antecipar todos os problemas, conseguir patrocinadores. Mas conseguimos atrair marcas fortes e foi um sucesso de público, com 135 mil pessoas [75 mil no sábado, dia 7, e 60 mil no domingo]. Além disso, a qualidade dos shows foi espetacular, a pontualidade foi suíça. Com exceção de dois shows, do Skrillex e dos Racionais - este escolhemos atrasar porque iria conflitar com outro show que acontecia ao mesmo momento.
O único ponto em que houve um grau de insatisfação foi no primeiro dia, quando havia muita gente e o processo de compra e venda de fichas gerou filas demais. No ano que vem, pretendemos fazer o festival em três dias e reduzir o público para o mesmo número do [que havia] segundo dia.

iG: Houve problemas de filas para compra de fichas nos caixas, para banheiros e várias pessoas reclamaram quanto ao acesso ao evento, principalmente no primeiro dia. Por que esses problemas ocorreram? Havia mais gente do que o local comporta?
Leonardo Ganem:
O problema ocorreu no primeiro dia, entre as 16h e as 19h. A estrutura não segurou o pico de gente que chegou ao festival. Se olhamos para o segundo dia, vemos que com 15 mil pessoas essas coisas não ocorreram. A limitação do público em 60 mil resolve o problema.

iG: Como foi a negociação para trazer o Lollapalooza ao Brasil? Quanto tempo demorou?
Leonardo Ganem:
A negociação passou por algumas etapas. A decisão de fazer no Brasil e de que seríamos nós foi relativamente fácil. Produzimos o show do Eminem em São Paulo, em 2010 - foi nosso primeiro show. Os agentes do Eminem ficaram satisfeitos com o evento, com a forma como foram tratados, e nos ofereceram a parceria com o Lolla. Aceitamos imediatamente. Entre esse ato e fechar o contrato, foram seis meses de negociação de cláusulas.

Se fizer show e ficar vazio, quer dizer que cobrei caro. Se tiver fila para comprar ingresso, eu cobrei barato. É direito do público reclamar e é direito meu cobrar o que eu acho justo. É uma questão de oferta e demanda.

iG: Está havendo uma concentração de produtores de shows no Brasil? Se sim, isso é benéfico para o mercado e para o consumidor?
Leonardo Ganem:
O Brasil se tornou um país forte, com moeda forte, e isso torna viável fazer esses grandes espetáculos internacionais. Além disso, o resto do mundo está quebrado, então os artistas colocam o Brasil no roteiro. E o público está com dinheiro no bolso, tem acesso à internet. Quando você imaginaria que uma banda como Foster the People fosse tão conhecida por aqui? Há 20 anos, isso seria impossível, a banda seria ainda desconhecida. Mas tocaram no Lollapalooza em um palco para 30 mil pessoas. Esse nível de atenção com bandas que não são os U2 e Rolling Stones da vida só ocorre porque as pessoas têm acesso à internet e à informação.
E há um movimento de mercado. As grandes empresas se tocaram que simplesmemente fazer anúncio na TV não é mais suficiente para atingir esse povo que cresce com a internet. Não basta colocar a marca na TV sem nenhuma interatividade. As empresas abordam o marketing de maneira holística: atacam em plataformas digitais, criam lojas físicas que dão experiência única de seus produtos e usam plataformas de eventos para se aproximar do público.
Então de um lado há as condições econômicas favoráveis; do outro, uma inclinação dos anunciantes em colocar dinherio em novas plataformas. Temos um mercado forte.

Veja imagens do primeiro dia do Lollapalooza
Veja imagens do segundo dia do Lollapalooza

Claudio Augusto/iG
Público no show do Friendly Fires no Lollapalooza-Brasil
iG: Há uma antiga e recorrente reclamação no Brasil a respeito do preço dos ingressos. Por que está tão caro? Não dá para baixar esses preços?
Leonardo Ganem:
O caro é um conceito relativo. Se eu loto o festival com o preço que eu coloquei, então talvez estivesse barato. Se fizer show e ficar vazio, quer dizer que cobrei caro. É direito do público reclamar e é direito meu cobrar o que eu acho justo. É uma questão de oferta e demanda.
Mas por que o preço no Brasil comparativamente é mais caro do que em países como EUA? Um ponto é a logística: uma coisa é o Dave Grohl [líder do Foo Fighters] dirigir da casa dele até o Forum de Los Angeles para fazer um show. Outra é colocar toda a banda num avião para o Brasil. Trazer para cá custa dinheiro. Isso não vai mudar nunca.
A segunda parte tem solução, mas depende de legislação: são os impostos. Cerca de 30% do preço [do ingresso] vão para impostos. A terceira parte é a meia-entrada. Todo mundo tem meia-entrada, então temos de trabalhar com o preço ajustado para isso.

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iG: Ainda há espaço para mais festivais de música no Brasil?
Leonardo Ganem:
Sim, há espaço para crescimento. Primeiro teremos a consolidação de alguns festivais. É mais barato fazer um festival do que montar um show, porque você dilui custos e oferece uma plataforma mais perene para os patrocinadores. E ainda temos poucos festivais no Brasil se comparado com os números dos EUA e da Europa. Há espaço no Sul, no Nordeste do país.

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