Museu de NY realiza 1ª mostra do checo Miroslav Tichý

O International Center of Photography (ICP), em Nova York, realiza a primeira mostra do fotógrafo checo Miroslav Tichý apresentada por um museu americano. Mais singular que isso: só há seis anos, depois de ganhar o Prêmio Nova Descoberta da 1.

iG São Paulo |

O International Center of Photography (ICP), em Nova York, realiza a primeira mostra do fotógrafo checo Miroslav Tichý apresentada por um museu americano. Mais singular que isso: só há seis anos, depois de ganhar o Prêmio Nova Descoberta da 1.ª Bienal de Arte Contemporânea de Sevilha, Tichý começou a ser conhecido fora de Kyjov, cidade da Morávia com pouco mais de 12 mil habitantes. Ele tem 83 anos, não fotografa há pelo menos 20 e suas fotos são quase que unicamente de mulheres de Kyjov. Tiradas com câmeras feitas à mão, desfocadas, mal reveladas, sujas e muitas vezes tidas como resultado de uma mente esquizofrênica, as fotos de Tichý têm o efeito de poesia melancólica e bruta.

Tichý começou a fotografar por volta dos anos 60. Seu imenso arquivo pessoal permaneceu secreto até ser descoberto pelo psiquiatra Roman Buxbaum, sobrinho de um médico de Kyjov que havia tratado dele em várias internações por problemas mentais. Buxbaum produziu um documentário sobre ele com o título "Tarzan Retired" (Tarzan Aposentado), extraído da explicação do próprio fotógrafo quando lhe perguntavam o que ele fazia na vida. E, quase 50 anos depois de ter desistido de ser pintor, Tichý voltou a ser visto como artista. Nos últimos cinco anos, suas fotos têm sido exibidas em grandes galerias europeias, entraram para o acervo de museus como o Pompidou e alcançaram lances de até 10 mil em leilões na Europa.

Com o dinheiro da pensão por invalidez, Tichý comprava filme, papel e químicos para revelação. Mas muita gente em Kyjov pensava que ele fazia de conta que fotografava quando o via escondido atrás de arbustos em parques ou na piscina pública da cidade. Seu equipamento era feito de caixas de sapato montadas com pedaços de cano, fita adesiva, tampas de garrafa e lentes de plástico polido com pasta de dente e cinza.

O laboratório dele não passava de um canto da casa onde morava, separado por pedaços de pano, com a janela borrada por tinta preta e uma lâmpada comum pintada com tinta vermelha. O ampliador era feito do mesmo material que suas câmeras. No documentário de Buxbaum, ele conta que gastava em média, por dia, três rolos de 36 chapas cada um. Fez isso por mais de 20 anos. Tão logo as revelava, Tichý jogava as fotos pela casa, não se importava em andar sobre elas e, como fez com suas telas, queimou muitas delas para se aquecer.

No filme, Tichý lembra que "fotografar é pintar com luz". E essa sua pintura é sutilmente erótica. Em milhares de fotos, o tema é o mesmo: a forma feminina. O método intuitivo de Tichý fotografar vagando por sua cidade "pode parecer amador em ambição", diz Brian Wallis, curador-chefe do ICP e organizador da exposição, em cartaz até domingo. "Mas a intensidade, frequência e regularidade com que ele cria revela um estilo de fotografia único e distintamente pessoal." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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