Mundo das artes teme retração de vendas em feira de Londres

Feira de Arte Frieze acontece entre 13 e 16 de outubro sob efeitos da turbulência financeira mundial

Reuters |

Divulgação
Matthew Slotover, criador da Frieze
Será que compradores chineses virão salvar a situação? Os super-ricos vão decidir que pinturas e esculturas são investimentos melhores que dívidas de alto risco ou ações voláteis?

São essas as grandes dúvidas que acometem o mundo da arte no momento em que centenas de galerias e colecionadores se reúnem em Londres para o frenesi anual de arte do pós-guerra e contemporânea centrado na Feira de Arte Frieze, em Regent's Park, que acontece entre 13 e 16 de outubro.

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O evento anual promovido em uma tenda gigantesca é uma data chave para qualquer interessado em adquirir obras importantes de pintores modernos e vivos. A feira deu lugar a um carrossel de leilões, feiras rivais como o Pavilhão de Arte & Design (PAD), grandes exposições, inaugurações de galerias, incluindo um novo espaço White Cube e, é claro, intermináveis festas regadas a champanhe.

Mas, após dois anos de forte aumento dos preços, especialmente dos artistas mais valorizados, a turbulência financeira mundial mais uma vez ameaça trazer o frio da incerteza para a semana, como aconteceu na esteira da queda do Lehman Brothers, em 2008.

Matthew Slotover, fundador do Frieze e visto como uma das figuras mais poderosas do mundo das artes, reconhece que preocupações com o crescimento econômico lento e a crise da dívida na Europa podem pesar sobre a feira.

Mas ele, assim como muitos outros, argumenta que os investidores podem preferir investir seu dinheiro em uma pintura em vez de um ativo de papel. "Uma obra de arte é algo real e palpável", afirmou à Reuters em entrevista recente, dizendo que, pessoalmente, não enxergaria a arte como apenas um investimento financeiro.

Cada vez com mais frequência, especialistas traçam uma distinção entre a extremidade superior do mercado - obras de grandes nomes, que raramente chegam ao mercado - e obras de nível médio que custam entre US$ 100 mil e US$ 500 mil, por exemplo.

Anders Petterson, diretor da ArtTactic, que rastreia a confiança dos investidores em diferentes setores do mercado de artes, viu seu indicador de nível médio cair de quase 90% em junho para menos de 30% em outubro. No mesmo período, o indicador para obras avaliadas em US$ 1 milhão ou mais caiu um pouco, mas permaneceu acima de 90%.

O FATOR CHINA

Anthony McNerney, diretor de arte contemporânea da Bonhams, resumiu a impressão generalizada entre as casas de leilões. "Parece que os ricos frequentemente continuam ricos", ele disse à Reuters. "Obviamente há muito receio de que o mercado se contraia de novo, como aconteceu há três anos."

O foco de atenção sobre arte da melhor qualidade e origem levou a uma redução das obras que os proprietários se dispõem a vender, com artistas como Andy Warhol, Roy Lichtenstein e Francis Bacon tendo presença maior nos leilões.

Um fator imprevisível esta semana pode ser a demanda por parte do número crescente de colecionadores ultrarricos da Ásia. Alguns anos atrás eram oligarcas russos que compravam muitas das obras de arte mais caras do mundo. Agora as atenções estão voltadas à China como terra dos "Médici modernos."

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