Mostra no MAM-RJ destaca últimos 30 anos da pintura

Da redemocratização dos anos 1980 até hoje, a evolução da arte brasileira

AE |

Divulgação
"O Hamlet contemporâneo não segura caveirinha não", obra de 1994 de Luiz Zerbini
"Se a Pintura Morreu, o MAM É um Céu", provoca o título da exposição aberta ao público ontem pelo Museu de Arte Moderna do Rio. Com 33 obras de Daniel Senise, Luiz Zerbini, Adriana Varejão, Jarbas Lopes, Eduardo Berliner e Gustavo Speridião, a mostra discute os caminhos que a pintura brasileira vem percorrendo nos últimos 30 anos. As obras estão no salão monumental do museu, um andar abaixo de Arredores e Rastros, de Cristina Canale, expoente da Geração 80, como Senise, Zerbini e Varejão, num diálogo que recupera a questão.

Não que a discussão tenha saído da ordem do dia. Fala-se sobre a morte da pintura desde meados do século 19, com o advento da foto. "Essa discussão volta em espiral. Enquanto isso, os artistas se apropriam de novos procedimentos, mas sem perder a sua relação atávica com a tela", diz Luiz Camillo Osório, curador do MAM.

No salão, veem-se obras como a de Jarbas Lopes, que se apoderou de propagandas eleitorais, em papel, para criar grandes painéis, numa reinvenção da pintura. Mais adiante está uma de Zerbini que mistura tinta sobre MDF e estrutura em acrílico. Os trabalhos, da coleção MAM/Gilberto Chateaubriand, são de 2004 - a exposição abrange as décadas de 80, 90 e 00, sendo o foco maior nas duas últimas. "Sempre que se fala nisso se aponta para uma questão da centralidade da arte na configuração de uma identidade cultural. É como se a pintura não desse conta da nossa nova identidade, no nosso mundo fragmentado. Mas isso nunca impediu que a arte continuasse acontecendo", acrescenta o curador.

No Brasil, a Geração 80 achou sua forma de lidar com essas questões. O clima era festivo, o Brasil vivia processo de redemocratização, e os jovens artistas queriam mais era se livrar da arte cerebral da década anterior. Foi nesse clima que Cristina Canale e seus pares começaram a criar. Aluna da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, pintava telas supercoloridas, de temáticas ligadas à natureza. Em 1993, mudou-se para Berlim para estudar. O recorte dado por Osório foi o período de 95 a 98, época em que, para ele, Cristina, das mais consistentes do grupo, muda um pouco sua abordagem. A pintora, que veio ao Rio para a montagem. Cristina já expôs por todo o Brasil, nos EUA e na Europa.

MAM - Avenida Infante Dom Henrique 85, Rio de Janeiro. Telefone: (21) 2240-4944. 12h/ 18h (sáb. e dom., 12h/ 19h; fecha 2ª). R$ 8. Até 15/8.

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